NOTA CEII SP [13/07/2017]

O próprio trabalhador não tendo nada para oferecer a não ser seu trabalho, representa ao capitalista um valor-de-uso. A própria criação do valor se submete a reprodução de si mesmo e com isso exige meios de trabalho já elaborados que submeterão o trabalhador. Pertencem a ele os meios resultantes de trabalho anterior, que dizer trabalho morto expresso em edifícios, fábricas, estradas etc.
Submetido o trabalho, com todo seu dispêndio, a vida que se esvai nele se incorpora ao produto que se produziu.
Assim, o trabalho que desenvolve o produto torna-se um valor de uso duplo, um que é o próprio trabalhador e sua faculdade de desenvolver esse produto, e o próprio produto que é obra de suas mãos.
As criações dos produtos que incorpora o valor servem por meio das mãos do trabalhador como condição de seu próprio desenvolvimento. Ao ser criado o produto como condição de valor-de-troca deixa de ser um mero produto e se torna mercadoria.
Sendo a própria mercadoria unidade de valor-de-uso e valor, o processo de produzi-la tem de ser um processo de trabalho e, ao mesmo tempo, um processo de produzir valor.
O próprio valor se torna então obra das mãos dos trabalhadores e chamo atenção pra isso, pois a sua reprodução social é determinante para manutenção do reino do mundo das mercadorias na ditadura do trabalho, tão bem decodificada no pórtico para o inferno de Auschwitz.
O decisivo para o capitalista é o valor-de-uso que tem sobre a faculdade do trabalho, pois ela é fonte de valor e de mais-valor. Superado a segunda, como se viu historicamente, a primeira permanece intocada e o mundo da mercadoria segue seu livre curso.
Como Marx diz: se compararmos o processo de produzir valor com o processo de trabalho verificaremos que este último consiste no trabalho útil que produz valores-de-uso.
O processo de produção é uma atividade complementar e não excludente da união entre o processo de trabalho e do processo de produzir valor que produz a mercadoria juntamente com o processo de produzir mais valor que se origina quando um excedente quantitativo de trabalho, sua duração prolongada é efetivada.
Assim, o capitalista paga ao trabalhador seus meios de subsistência e parte do que este produz se converte no mais-valor que vai para as mãos do capitalista.

NOTA CEII SP [09/06/2017]

Segue um comentário pertinente ao último texto lido: a forma geral do valor, surge como obra comum do mundo das mercadorias.
Sua abstração consiste em reduzir os inumeráveis trabalhos contidos em uma mercadoria e equiparar ao trabalho efetivado em outra mercadoria aparecendo como forma geral de manifestação do trabalho humano. Nesse sentido, há uma constatação no mínimo instigante que Marx faz e que foi de certa maneira desprezada, qual seja: “na circulação do capital esse valor se revela subitamente uma substância que tem um desenvolvimento, um movimento próprio e da qual a mercadoria e o dinheiro são meras forma”.
O que o barbudo está nos indicando com isso? Como assim, o valor se revela uma substância que tem um movimento próprio? Eis ai a metafisica marxiana, da qual, economistas bufões tanto denegriram.

NOTA CEII SP #3 [20/07/2017]

A minha nota nessa semana é na verdade uma dúvida, que vem acompanhada de uma demanda e também de uma sugestão.
Primeiro, alguém tem notícias de como anda o projeto de termos uma plataforma interna do CEII que substitua o facebook? Eu sei que esse é um projeto nada fácil de tirar do papel, mas já tive notícias de que coisas vinham acontecendo.
Segundo, já é sabido por todos os problemas de termos o Facebook como esse lugar, e também da dificuldade em acompanhar tudo o que acontece por lá – o que é ainda pior quando se tenta recuperar algo que já aconteceu, mesmo que recente. Tenho sentido isso especialmente durante esse período que ando afastado das reuniões, vejo que tem muitas coisas acontecendo das quais estou completamente por fora – exceção da congresso interno.
Por último, pensei que um jeito mais rápido de resolve isso seria criamos uma espécie de newsletter bastante simplificada, algo que teria um título para o assunto, uma pequena descrição de três ou quatro linhas do que aquilo se refere e os links dos posts relacionados ao assunto caso o camarada queira se aprofundar no tema.
Apesar de não poder estar presenta na reunião, gostaria que essa ideia pudesse circular, se não nesse, em um próximo encontro. Posso, se acharem que é válido, fazer um post no facebook sugerindo essa ideia.

NOTA CEII SP #2 [20/07/2017]

O CEII tem constantemente se envolvido em diversas atividades, principalmente as células do Rio de Janeiro. Como participante é interessante ver como o grupo vai se organizando. Mas ao mesmo tempo, sinto que falta um cuidado maior, talvez até uma certa ingenuidade, com a forma como projetos são executados. Fica a impressão que “basta querer” para que as coisas aconteçam. Acho que seria interessante refletir se é isso que queremos para o CEII – um grupo que se engaje em diversas atividades – e se não deveríamos estruturar melhor e talvez até profissionalizar nossas ações.

NOTA #6 [18/07/2017] (RJ I)

Infelizmente, a esquerda pouco se interessa sobre as novas formas do desenvolvimento capitalista e seus impactos na luta de classes. A esquerda organizada só estuda aquilo que gosta. O que ela gosta geralmente são temas ligados às formas de resistência ao capitalismo, da defesa dos direitos humanos à vida contemplativa-artística-boêmia-poética. Temas mais duros ligados ao desenvolvimento capitalista são ignorados por se tratarem de temas que só pessoas que gostam do mercado se interessam. No entanto, é uma irresponsabilidade enorme a esquerda desconhecer as novas formas de expropriação de mais valor. Sem falar que tratar desses temas também significa parar para pensar sobre a própria organização da esquerda. Nesse sentido, o CEII, sempre na contramão da esquerda acomodada, deveria se preocupar com estas novas formas de expropriação.