NOTA #9 [27/06/2017] (RJ I)

Neste texto, Freud aponta uma analogia entre luto e melancolia. Grosso modo, o luto estaria associado a um estado considerado “normal” e a melancolia seria uma perturbação psíquica narcísica, correlacionada ao Eu.

O Eu se constitui no “estádio do espelho” de Lacan, e tem a ver com a imagem, é narcísico, corporal, superfície de corpo. Tem a ver com as insígnias do pai, da mãe, do Outro, os ditos do Outro aparecem neste processo de constituição, neste narcisismo primário, para depois retornar já na vida adulta, no narcisismo secundário (que é o herdeiro do narcisismo primário), ideal do Eu, que também é ideal do Outro, em suma, a interpretação que o sujeito tem de que o Outro queria que ele fosse.

No luto e na melancolia, desvelam-se a perda de um S1, de um significante-mestre (carreira, ideal, amor, ente querido) que podem se desdobrar num desânimo, auto recriminação, auto acusação.

Para os neuróticos (e perversos), mesmo ao perder o S1 tem-se a sustentação do nome-do-pai. Na melancolia temos igualmente o S1 mas o nome-do-pai é zero (característica das psicoses – esquizofrenia, paranoia e melancolia). Sem a sustentação do nome-do-pai e com o abalo da perda do S1, é possível que a melancolia desencadeie.

No processo de luto, a castração, representada nos matemas por “menos-fi”, que estava até então sob a barra do recalque, emerge. O trabalho de luto consiste em fazer o sujeito investir libidinalmente no Eu (o narcisismo mais uma vez entra em voga) e daí para objeto e como consequência fazer a castração retornar para sua posição, sob a barra do recalque.

Na melancolia, como não há o nome-do-pai, o falo simbólico é igual a zero, logo, a imagem que reveste o objeto e dava até então uma sustentação, se separa do objeto, há uma perda de imagem (o imaginário é importantísso na psicose) e o objeto A aparece, mostra sua cara na pior vertente, o rebotalho. Que é o nada, o vazio, o resto. O Real invade.

São três os tempo do luto e da melancolia, o primeiro e no segundo funciona de forma igual para ambos, (as vezes não fica tão claro de que objeto se trata na melancolia) no terceiro acontece uma diferenciação.

No primeiro tempo se dá a escolha do objeto, e no segundo acontece a perda do objeto. No terceiro se desvela a diferença, quem elabora o luto reinveste no Eu e depois em outro objeto. Na melancolia, como a imagem caiu, o objeto (o Real) mostra sua cara de rebotalho e aí o sujeito se identifica com o “objeto morto”, petrificado nesta identificação com o objeto, “cadavérico”, ele é o próprio objeto perdido. Freud diz que “a sombra do objeto cai sobre o Eu do sujeito”. Uma saída possível para a melancolia é sair deste pólo melancólico para um pólo maníaco. Passando do delírio de ruína para um delírio de grandeza, do desprazer melancólico da melancolia para o prazer eufórico da mania.

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