NOTA #1 [17/02/2017] (RJ II)

Da apresentação do +Um sobre nosso material de leitura, muito se discutiu sobre a noção de tempo. Lembramos que na economia, conforme a crítica de Marx às suas teorias, o tempo é importante porque ele está envolvido no processo de valorização que caracteriza o capitalismo como um modo de produção que cria riqueza a partir do dispêndio de trabalho humano imediato. Imaginamos que na política são vários os modos em que o tempo aparece como uma categoria que articula aspirações ideológicas vigentes, na medida em que ideias de “construção democrática”, numa linha cidadanista, ou de “elevação do padrão de vida”, numa linha desenvolvimentista, se conformam sob uma certa imagem do tempo, linear ou não, progressiva ou não. Especulamos também a respeito da maneira como a figura do messias aparece entre os discursos judaicos e cristão, como ela estabelece um certo tipo de experiência com o tempo e a que tipo de subjetividade conduz.

Acredito que posso dizer que uma expressão do tempo como categoria da experiência social constituí sujeitos da espera e da paralisia. Safatle tem argumentado sobre o assunto dessa maneira, sugerindo que a esperança e o medo são formas temporais comuns à experiência política da nossa época. Esperança e medo seriam contraparte um do outro à medida em que ambos envolveriam uma disposição subjetiva à espera ou de algo que temos a expectativa de ocorrer ou de algo que tememos que aconteça, cujo função seria então nos paralisar em razão desse tempo futuro, desse tempo de espera.

Muito falamos sobre como a restituição da experiência política envolveria uma articulação que somente uma nova e própria noção de tempo poderia permitir. Me parece que concordarmos com a ideia de que a suspensão do tempo como critério de ação política seria uma maneira de nos livrarmos de uma dependência subjetiva do futuro, liberando-nos para agir no presente.

Curiosamente, antes da reunião começar, falávamos sobre como deve ser psicologicamente duro se comportar como se cada momento fosse único, como se não nos fosse acessível um amanhã, como é dito popularmente de vários modos.

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