NOTA CEII SP [01/06/2017]

Continuação

Obviamente não se pode desprezar em nossas análises o longo período histórico que implica um olhar aprofundado sobre todas as conquistas e os motivos dessas conquistas por parte da classe trabalhadora. Hoje é possível enxergar, tais conquistas como marcos dentro do processo de acumulação e expansão do capital que desembocarão na fundação utópica do neoliberalismo e na própria crise estrutural porque passa o capital. Nesse sentido, o wellfare state keynesiano foi de fundamental importância para integralizar a classe trabalhadora e refazer o ciclo do valor. De certa maneira todas as conquistas pelo mesmo até a década de 60 feita pela classe trabalhadora tiveram o efeito de apressar o processo de acumulação e consequentemente a crise. Que se estabelecerá nos anos 70 e por fim na nova postura do capital que sem lugar para se expandir se volta cada vez mais a si mesmo. Por outro lado, é possível enxergar que as conquistas apaziguaram os ânimos dos trabalhadores que foram integrados a sociedade burguesa. O que media essa relação é a sucessiva expansão do valor que tomou conta de todos os lugares com o processo de globalização e a sua homogeneização por cima e abstrata das identidades nacionais.

NOTA CEII SP #1 [06/07/2017]

Caros ceiianos, esta nota vai mais no sentido de uma confirmação das últimas posições que o CEII tem tirado.  Afinal, como compreender as ações do círculo sem se voltar para a forma atual em que a luta de classes se manifesta? Nesse sentido, as recomendações dos companheiros são valiosas e precisamos iniciar ou reiniciar o estudo. Como sabemos, a luta de classes foi a forma de movimento imanente ao capitalismo, a forma na qual se desenvolveu a respectiva base aceita por todos: o valor. O valor fez com que os operários entrassem cada vez mais no capitalismo e no trabalho assalariado, em vez de os fazer sair dessas realidades; o valor transformou todos os sujeitos em “cidadão livres”, em participantes na concorrência universal, como forma geral e comum da vida social. No fundo a quase totalidade das organizações políticas operárias nunca prosseguiu seus objetivos que não fosse imanente ao modo de produção capitalista. Mas devido à resistência que a burguesia opôs a democratização, o movimento operário se viu forçado a abraçar a teoria radical de Marx. Fê-lo transformando-a, para finalmente a abandonar depois de ter atingido seus objetivos. Os interesses dos seus filiados já tinham a forma valor; tratava-se de garantir a cada um uma quantidade um pouco maior de dinheiro. O nível global da sociedade no seu todo, o interesse universal, não existia para o movimento operário senão na forma abstrata do Estado ou do partido. Ao mesmo tempo, que elevava o conflito entre duas categorias do valor, o capital e o trabalho assalariado, ao nível de um antagonismo que ultrapassava o sistema capitalista, o movimento operário transformava numa oposição absoluta o contraste entre os dois polos inseparáveis da sociedade do valor: a mercadoria enquanto particularidade abstrata, e o Estado enquanto universalidade abstrata. […] os interesses do proletariado, a longo prazo, não se revelaram de modo algum incompatíveis com o desenvolvimento do capitalismo. Existe, sobretudo hoje, uma identidade objetiva entre os interesses dos capitalistas e os dos trabalhadores da mesma fábrica, da mesma cidade, do mesmo país. Por outro lado, o conflito entre trabalho e capital é somente um dos numerosos conflitos que atravessam uma sociedade inteiramente fundada sobre a concorrência.

Saludos com estas anotações de cabeça

Abração!

NOTA CEII SP #5 [22/06/2017]

As atividades propostas para o colóquio do CEII tem me preocupado um pouco. Acho bastante interessante a ideia de chamarmos pesquisadores externos para falar sobre nós para nós, não sei porque eles se interessariam em fazer isso, mas se se interessarem, legal!

Agora a outra proposta, de uma célula analisar a outra, não sei se acho tão interessante, mais que isso, acho que pode prejudicar a dinâmica interna de cada célula. Algo semelhante ao que aconteceu à época do evento Hipótese Comunista que todo o funcionamento da célula se voltou para isso, o que provocou certo esvaziamento das reuniões.

Imaginem, imaginem mesmo, que tenhamos que ficar durante as reuniões ouvindo os áudios e lendo as notas de outras células do CEII – não sei pra vocês, mas pra mim soa entediante. Por isso, uma saída que pensei seria de pegar um período que acompanha uma leitura específica da célula a ser analisada e, conforme vamos acompanhando as reuniões deles, podemos também fazer nossa própria leitura, que acham?

NOTA CEII SP #4 [22/06/2017]

Muito interessante como o texto fez a discussão caminhar para pensar sobre as formas de organização da vida (para além da questão econômica) e também pensar sobre a auto -organização dos trabalhadores.

Conversando com o Movimento Parque Augusta eles contaram um pouco que a proposição deles para a prefeitura é transformar a gestão do parque em um laboratório de uma gestão autônoma do espaço público. Ou dizendo de outra forma – gestão auto organizada pelas pessoas.

Eu como trabalhador da saúde e participante do movimento social Fórum Popular de Saúde já fizemos greve por salário, protestos por melhores condições de trabalho, para não fechar ou privatizar um serviço de saúde – mas nunca demos este passo tão importante que o movimento Parque Augusta está se dispondo a dar – defender uma gestão efetivamente sob controle dos usuários.

Ora não é hora de uma proposição política que enfrente tanto o estatismo hierárquico quanto a privatização alienante? São também estes desafios para o próprio CEII que é uma laboratório de experimentalismo organizativo!!

NOTA CEII SP #3 [22/06/2017]

Fiquei feliz por termos voltado às nossas leituras. Fiquei pensando nisso durante a semana que passou e que por alguns momentos esqueço. Como o próprio nome diz, somos um Grupo de Estudos. Parece óbvio, mas realmente às vezes esqueço disso. Acho que da minha parte, falta um envolvimento maior na questão dos estudos do grupo. Acredito que é justamente esse aspecto que pode manter o grupo em funcionamento, mesmo que com dois membros. São as leituras, as discussões e os aprendizados. Então, vamos aos estudos!

NOTA CEII SP #2 [22/06/2017]

Acredito que um bom aprendizado, tem a ver com a medida. O ‘CEII convida interno’ não me parece um insight ruim, mas acredito que a gente precisa não deixar a reunião perder-se completamente nisto e saber que, fundamentalmente, ainda é uma reunião do CEII. Acho que se trata de um fino ajuste, saber quais são as medidas para não perdermos a mão.

NOTA CEII SP [09/06/2017]

O texto que estamos lendo é particularmente bom, e acho que devemos nos atentar para a dimensão do reconhecimento que ele traz sobre o problema da classe. Uma classe não existe em si mesma, é a dialética de seu reconhecimento “como classe” que determina suas ações e pensamentos, ainda que tal determinação se dê muitas vezes de forma inconsciente.

NOTA CEII SP #1 [22/06/2017]

Pessoalmente, fui um dos entusiastas do chamado “escuta luta interno”, muito mais pela oportunidade de ouvir as atividades dos demais camaradas da célula, como também por tirar disto uma lição sobre o nosso comportamento geral no passado, onde aparentemente nosso apego excessivo à letra do projeto nos impediu de ouvir melhor algumas das pessoas que passaram pela célula.

Agora, me parece que a proposta feita na última reunião sobre buscarmos ouvir sobre a vida “no trabalho” dos participantes foi um pouco longe demais. Afora outras considerações que teria, acho principalmente que isso faz parte de uma tentativa, já um pouco manifesta no “escuta luta interno”, de fugir de nossa aparente “inoperatividade”, como se olhando para outros lugares onde as coisas supostamente “acontecem” nos livrassemos do peso de nossa própria falta de expectativas.

NOTA CEII SP #4 [09/06/2017]

Será que seria interessante a gente discutir sobre este texto do Dunker na nossa próxima reunião?

“Quero chamar atenção aqui para o fato de que é justamente a impossibilidade prática e teórica de delimitar precisamente onde começa a linha divisória entre o que sabemos de um ponto de vista neutro (e é transmitido em linguagem pública, conforme uma racionalidade de aspiração universal), e onde se infiltram crenças, interesses e orientações políticas, que a psicanálise representa um caso interessante para o confronto com as tendências de “pós-verdade”, que se tornaram agudas nos últimos tempos. Abrangência de fenômenos não quer dizer visão de mundo ou sistema de crenças metafísicas. Da mesma forma: valores não definem a forma com eles serão abordados. A relação com os valores presume crítica, assim como a relação com o fazer presume método.”

https://blogdaboitempo.com.br/2017/05/30/a-psicanalise-como-ciencia/

NOTA CEII SP #3 [09/06/2017]

Algumas reflexões sobre engajamento.

Não é de hoje que percebemos que o engajamento no CEII é algo que parece depender de inúmeras variáveis. Pare se engajar no CEII é necessário conseguir “dar conta” de algum nível de frustração, o coletivo nunca responde às nossas inúmeras aspirações e ideias, mas isso me parece algo universal a qualquer tipo de laço que se crie, seja institucional ou pessoal.

Portanto, não penso que deva ser por aí que devemos analisar essa enorme variação de engajamento que os participantes  tem com o coletivo – eu incluso. Posso tomar o meu caso como um exemplo que podemos observar e analisar para, quem sabe, depreendermos de um caso particular algo que diga, ainda que de maneira tangencial, do todo.

A participação no CEII pressupões, ou tenta criar, algum tempo livre, voltado para a reflexão, para a leitura, para o debate. Ou seja, tempo livre que é convertido em trabalho (como essa nota mesmo denuncia). Um trabalho, não um emprego, nada, em termos de uma contra-partida financeira, retorna dese trabalho, e nem acho que deva necessariamente retornar, à exceção do SG; Acontece que quando este tempo começa a competir com outras atividades das quais dependemos materialmente (como um emprego), o CEII vai sempre ficar no banco de reservas. Como aquele centroavante que, apesar de muito habilidoso, passa por fase magra de gols, enquanto outro jogador, que mal sabe dominar uma bola, tem garantido o 1×0 que faz o time avançar no campeonato.

Bem,  se não é possível fazer do CEII uma atividade remunerada, tampouco é que o CEII possa competir diretamente com nossos empregos, talvez uma forma de equacionar um pouco é que possamos discutir nossas próprias atividades extra-CEII no CEII.

Enfim, gostaria de continuar, mas tenho que interromper essa nota por aqui. Curiosamente, acabei me atrasando pra uma reunião do emprego.