NOTA #1 [21/10/2016] (RJ II)

Nota para a formalização do meu LicenCEII:

  • Período: De hoje (27/10//2016) até fevereiro de 2017
  • Motivos: (1) Quero dispor de meu tempo e energia para estudar Marx. Acho que o Plínio tava certo quando indicou essa necessidade e colocou essa tarefa ao partido e acho que a gente erra quando não consegue assumir essa tarefa dessa forma. Acho muito bom e muito necessário tudo o que a gente estuda mas estou convencida de que estudar esses autores sem Marx dá ensejo a distorções que nos levam à vícios e impotências inerentes à nossa própria condição de classe. (2) A forma como tratamos nossa dimensão objetiva aqui no RJ. Acho que tem muita sujeira sendo jogada pra debaixo do tapete em nome de algo que eu não consigo entender muito bem o que seja. Existe muito auto-engano nesse ponto. (3) Não consigo levar a sério nenhum projeto que envolva comprometimento constante e gastos constantes (AssociaCEII, Bitrix e etc…) pq não acredito que conseguiremos resolver em uma escala aumentada os problemas que aparecem em menor proporção em nossas células. Acho inclusive que podemos arranjar grandes problemas. Mais uma vez, em nome de coisas que eu sinceramente não considero tão importantes.
  • Por fim, queria deixar um singelo conselho (se é que isso serve de qq coisa) para os meus camaradas de célula:  acho que os membros que ainda não completaram a sua graduação e muito menos uma pós-graduação (e a nossa célula concentra muitos desses) devem se atentar para o fato de que muitas vezes quando ouvimos coisas como –  “o CEII fez isso”, “o CEII tá sendo cogitado pra fazer aquilo” e etc… – na realidade, ao menos para mim, está claro hoje que não é bem o CEII mas o prestígio que alguns membros dispõem no meio acadêmico e/ou político (diga-se de passagem, muito justificadamente, pois são pessoas por quem eu tenho uma profunda admiração e respeito pela produção intelectual ou pela ação política!) e que esses camaradas levam o CEII para esses lugares. Então, cuidem dos seus estudos, façam a carreira de vocês, assim como muitos dos nossos camaradas tem uma bela carreira e uma produção realmente admirável. Não pensem que “o CEII” vai desempatar tudo pra vocês… pq não vai. “O CEII” não consegue sequer dar uma remuneração minimamente justa ao nosso SG – que tem uma dedicação ímpar ao coletivo – e infelizmente (salvo raríssimas e honrosas exceções) não está lá muito preocupado com isso. Temos outros vôos mais importantes, né?
  • Nossa última reunião foi ótima! Eu ficaria muito feliz se o coletivo pudesse funcionar daquela maneira.
  • No mais, eu espero estar errada nessa minha avaliação, pq se eu estiver poderei continuar desfrutando da convivência de todos vocês após esta licença. O que é meu desejo.

NOTA #8 [07/10/2016] (RJ II)

As questões que compõem a dimensão objetiva do CEII são o lado obscuro de nossa organização.

O fato do engajamento com essas questões ser uma decisão de foro íntimo de cada membro cria uma sobrecarga de responsabilidades, de comprometimento de tempo e de dinheiro entre alguns militantes para criar as possibilidades de existência do coletivo como tal.

Da mesma forma que hoje eu me deparo com o funcionamento viciado desta engrenagem por força da minha função, antes de mim o nosso saudoso camarada, SG anterior da célula, já havia constatado a mesma coisa quando esteve na mesma função e sinalizado isso por diversas vezes para o coletivo.

Sigo procurando compreender pq as coisas são como são, pq todos acham isso natural e eu não e o que é preciso fazer para que este problema, ao menos, ganhe existência dentro do grupo.

 

 

NOTA #7 [07/10/2016] (RJ II)

Vale lembrar o que Badiou propõe como Sujeito:
“O sujeito de que aqui se trata é efetivamente uma nova categoria filosófica, que é preciso delimitar, distinguindo-a de várias outras.
O sujeito não é uma substância, um ser, uma alma, uma coisa pensante, como diz Descartes. Ele depende de um processo; começa e termina.
O sujeito não é um nada, um vazio, um intervalo. Ele tem consistência; seus componentes podem ser determinados.
O sujeito não é uma consciência, uma experiência. Não é a fonte do sentido. Na realidade, ele é constituído por uma verdade, e não fonte de uma verdade.
O sujeito não é invariante nem necessário. Não há sempre sujeito, ou sujeitos. Precisa-se para isso de condições complexas, e, particularmente, de eventos entregues ao acaso.
O sujeito não é uma origem. Particularmente, não é porque há sujeito que há verdade, mas pelo contrário, porque há verdade que há sujeito”.

NOTA #6 [07/10/2016] (RJ II)

O CEII se pretende ou já pretendeu ser popular?

Acho que a questão do alcance das ideias de esquerda nos setores populares sempre foi considerada importante por esse bloco – tão importante que às vezes se torna uma tara, talvez algo até um pouco fetichizado por alguns militantes (fazendo uma autocrítica penso se a minha insistência nesse ponto não pode caracterizar uma certa fixação minha com o conceito de popular).
Reconheço que o CEII não é academicista: os assuntos tratados nas reuniões e o método utilizado se afastam da prática acadêmica. Como um camarada disse, o Círculo permanece na “periferia da Academia” ao conseguir realizar colóquios e outros tipo de diálogos com o meio universitário que propõem debates fora lugar-comum da faculdade. E essa posição é extremamente interessante, muito boa – uma conquista para o CEII.
Minha questão, porém, é com a situação do CEII para além dessa posição hoje ocupada por ele. Penso em levantar essa questão outras vezes durante as próximas reuniões para saber mais a fundo a opinião dos camaradas a respeito de alguns pontos referentes ao alcance do Círculo. Por exemplo, ser popular é um objetivo para o CEII? Como o grupo enxerga isso? Isso acarretaria alguma mudança na metodogia utilizada?

Nota #5 [07/10/2016] (RJ II)

O ideal grego de imortalidade é aquele que Aquiles representa: a imortalidade do nome, ou, sobretudo, da glória. Dois requisitos eram necessários para se ser um deus na Grécia Antiga: ser um ser vivo e ser imortal. Aqui, os deuses do Olimpo são imediatamente os únicos capazes de preencher tais critérios, de forma absoluta: são seres vivos e são imortais. Mas a saga de Aquiles prova um outro tipo de imortalidade: a imortalidade não da carne, mas do nome. Perseguir esse tipo de imortalidade era o telos do herói grego.

Aristóteles repensará a questão: a imortalidade não é do nome, nem da carne, mas da espécie. O homem é imortal enquanto espécie – a espécie humana não morreria, se cumprindo seu determinado fim, de manutenção da vida específica. Este ser genérico (porque se refere a um tipo de gênero, o da espécie) é o que faz do homem imortal, não enquanto ente particular, determinado, mas enquanto forma específica: o homem é imortal porque a humanidade é imortal.

Se Badiou propõe a ruptura com a definição de homem a partir de uma diferença específica (homem como animal racional), que tipo de imortalidade se nos advem aqui? Aqui, Badiou assemelha-se a Heidegger, tendo em vista sua ruptura com o projeto aristotélico-ocidental de definição do homem pelo ente-razão: o que diferencia o ser humano do resto dos animais é, de fato, sua racionalidade? (Sobre isso, cf. “Carta sobre o humanismo”, de Heidegger e “O aberto”, de Agamben – ambos discutirão ferrenhamente esta questão.)

Badiou proporá uma imortalidade da Ideia – ou: da verdade. Em que consiste isso? Sobretudo, em não fazer do homem um animal humano: diferenciar especificamente o homem não cumpre mais as novas exigências, gentilmente trazidas por Heidegger, da Abertura – o ser humano deve ser pensado pelo Aberto. Aprendemos com Heidegger que entre o ente e o Ser há sempre uma diferença ontológica e que mesmo a apreensão do ente não resolve a diferença: a relação entre Ser e ente permanece sempre diferenciada – é por isso que apreender o ente fundamental e constitutivo do humano (o “Ser-aí”, o Dasein) não é apreender o Ser em sua totalidade, mas compreendê-lo a partir de sua rachadura: o Ser que se nos apresenta é sempre-já rachado, vazado, ou melhor, aberto.

O projeto badiouiano se encaixará nestas lições de Heidegger. O homem é imortal pela Abertura do Evento, da verdade que acomete o humano não enquanto humano, mas enquanto partícipe (como a participação em Platão) do Sujeito: encontrar o humano apenas onde ele já não está, porque aí há algo mais que somente o humano, onde já nos deparamos com o acontecimento evental, este excedente à animalidade – apenas aí há de ser encontrada uma ética. (Não por acaso, ethos significa morada.)

NOTA #3 [07/10/2016] (RJ II)

O voluntarismo é uma forma de engajamento típica da pequena burguesia.

Nossa forma de organização é voluntarista em quase tudo, exceto pela nota de trabalho.

Acredito que centrar o compromisso essencial dos membros apenas no trabalho intelectual  e deixar o engajamento com as questões objetivas do coletivo ao bel prazer de cada qual é um desvio idealista muito grave. Vale uma revisão do projeto inclusive.

Cria assimetrias e sobrecargas assustadoras.

NOTA #2 [07/10/2014] (RJ II)

Ando sentindo muita necessidade de estudar Marx. Acho que o Plínio tava certo quando apontou pra essa falta.

Eu venho pensando que a gente repete esse erro não centralizando nossos esforços de estudo em Marx.

Quando um problema se manifesta em nosso coletivo, a solução que buscamos é sempre pela psicanálise.

A resposta (ou a falta de uma) que estamos dando para nossos problemas materiais e financeiros é uma resposta individualizante.

Que espécie de comunismo pode sair daí?

 

NOTA #1 [07/10/2016] (RJ II)

Não é possível levar a sério qualquer proposta que envolva gasto financeiro enquanto pagar o aluguel permanece sendo uma saga onde nunca sabemos se a tarefa mais elementar deste coletivo virá a se cumprir.

Em um contexto como este, falar em colóquio interno, Bitrix e AssociaCEII é apenas uma fantasia de criança.

Neste momento, nada que não seja – saber como vamos fazer para honrar nossos compromissos financeiros – me interessa.