NOTA #2 (25/04/17) PR

É com muita alegria que o Círculo de Estudos da Ideia e da Ideologia, em parceria com o colegiado de Filosofia da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) convida todas e todos a participarem de mais um curso realizado pelo CEII:

HEGEL: NOÇÕES INTRODUTÓRIAS

A obra de Hegel permanece em boa parte obscura e mal compreendida. Na verdade, apesar da grandiosidade do autor, seus estudos no Brasil são esparsos e pouco conhecidos no âmbito acadêmico. Contudo, entendemos que o pensamento hegeliano continua mais atual do que nunca e que é preciso retornarmos a ele. Nesse sentido, o curso de extensão tem como escopo oferecer algumas noções introdutórias ao filósofo alemão Georg Wilheim Friedrich Hegel a partir da leitura de textos do autor e de seus comentadores e de aulas expositivas. Não pretendemos assumir a hercúlea tarefa de “iluminar” as “obscuridades” que surgem com a leitura das obras de Hegel, mas apresentar elucidações e pontos iniciais a partir dos quais a leitura do autor pode fazer-se mais palatável. 
O curso, presencial e totalmente gratuito, terá início no dia 04/05/17, às 17 horas e será realizado no Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade Estadual do Norte do Paraná, compreendendo uma carga horária total de 40 horas, das quais 20 horas integram aulas expositivas e debates.

A concepção do curso foi idealizada pelo Prof. José Mauro Garboza Júnior, (graduado em Direito pela UENP, graduado em Ciências Sociais pela UNIMES, mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Jurídicas da UENP, militante do CEII e autor do livro recentemente lançado “Para uma Filosofia do Espírito Objetivo Materialista: do direito crítico à crítica do direito”) e pelo Prof. Diogo Mariano Carvalho de Oliveira (graduado em Direito pela UENP, graduando em Filosofia pela UENP, mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Jurídicas da UENP e militante do CEII) através da parceria e coordenadoria com o Prof. José Carlos da Silva (Pós-Dr. pela UEPG e coordenador do curso de Filosofia da UENP).

NOTA #2 (08/04/17) PR

Bom, essa é minha primeira nota aqui no CEII, tenho a dizer que estou muito contente em estar em um lugar que ainda não existe com vocês, a reunião foi muito interessante, poder pensar um pouco sobre alguns temas que de certo modo já havia percebido no meu dia-a-dia, mas sem uma perspectiva crítica como foi discutido na reunião.
Eu ainda tenho algumas dificuldades ainda, minha tradição filosófica é um tanto quanto diferente, mas estou aprendendo muito com os diálogos informais com os companheiros, com as indicações de leitura e com os encontros (reuniões), aos poucos estou me aproximando das referencias que “circulam” o CEII.
É isso, nas próximas notas buscarei trazer reflexões e as dúvidas que me surgirem, de forma que estas notas possam ser também uma forma de aprendizado. Abraços a todos!!

NOTA #1 (08/04/17) PR

Na reunião, deu-se continuidade à leitura do Manifesto do Partido Comunista. Debateu-se política e estrutura, buscando-se analisar os problemas enfrentados atualmente. Leu-se a nota de um colega, e por meio dela foi possível compreender vários aspectos que afligem a sociedade (política) atualmente. Questionou-se sobre os métodos utilizados pela esquerda em discurso, chegando-se a conclusão da necessidade de abertura ao outro, não o excluindo ou impondo uma posição, mas buscando sua integração, entendendo suas perspectivas e concepções, mostrando possibilidades e contraposições. A abertura para o diálogo pode se mostrar muito mais eficaz do que a guerra declarada e a exaltação de espectros. O discurso de ódio ganha cada vez mais força com a notoriedade que a ele se dá. Talvez devêssemos olhar para outros caminhos, encontrar outras formas de combatê-lo.

Nas palavras de Alan Badiou¹ (Votar, ou reinventar a política?),

“O desenvolvimento do capitalismo pode trazer algumas incertezas quanto ao valor do consenso parlamentar, e à confiança atribuída – durante o ritual eleitoral – aos ‘grandes’ partidos conservadores ou reformistas. Isso é especialmente verdadeiro no caso da pequena-burguesia que tem seu status social ameaçado, ou em regiões de classe trabalhadora devastadas pela desindustrialização. Vemos isso no Ocidente, onde podemos observar uma espécie de decadência em face do poder ascendente dos países asiáticos. Essa crise subjetiva atual favorece sem dúvida orientações pró-fascistas, nacionalistas, religiosas, islamofóbicas, e beligerantes, porque o medo é uma mau conselheiro, e essas subjetividades marcadas pela crise são tentadas a se apegar a mitos identitários. Sobretudo, porque a hipótese comunista emergiu terrivelmente enfraquecida do fracasso histórico de todas as suas versões primeiras, estatizantes, especialmente a URSS e a República Popular da China.
A consequência dessa falha é auto-evidente: uma boa parte da juventude, dos desprivilegiados, dos trabalhadores abandonados, e do proletariado nômade de nossos subúrbios estão convencidos de que a única alternativa a nosso consenso parlamentar é a política fascista de identidades ressentidas, racismo e nacionalismo.

Se quisermos nos opor a essa terrível situação, somente um caminho se abre a nossa frente: reinventar o comunismo.”

1 Disponível em: https://lavrapalavra.com/2017/04/24/votar-ou-reinventar-a-politica/ Traduzido por Aukai Leisner.

NOTA #3 (11/03/17) PR

“Peter Sloterdijk não é um pensador do século XXI. É um pensador para o terceiro milênio. Seu ceticismo é tão acentuado que desperta em nós a alegria afirmativa e a liberdade criadora daqueles que, não acreditando em nada, sorriem rumo ao horizonte vazio de qualquer ilusão. Por isso, seu pensamento, mais do que uma reconstrução do passado, é uma arqueologia que vem do futuro mais longínquo para iluminar as camadas mais profundas do que um dia pudéramos vir a ser. Afinal, apenas um pensamento extemporâneo pode compreender futuro e passado como reversos luminosos e como a coincidentia oppositorum da mesma precária condição humana. Para mim, Platão e Nietzsche são os maiores pensadores de toda a filosofia e estão entre os maiores escritores da humanidade. Enquanto aquele foi o maior imunólogo da civilização, que conseguiu blindar o real por meio da criação da mais poderosa tecnologia eidética de que se tem notícia, este foi o primeiro a perceber que a verdade apenas se revela com a devastação sumária e a marteladas dos castelos conceituais imunológicos. Ambos representam os pontos mais elevados das esferas e das antiesferas no pensamento ocidental. Nada mais gratificante do que descobrir um pensador contemporâneo, mestre imbatível na arte do ensaio, que conseguiu propor uma temerosa e absolutamente inaudita síntese destes dois antípodas, colocando-os para dançar. Com isso, entre diversos outros achados iluminados e luminosos, Sloterdijk demonstrou que as oposições só existem para aqueles que não conseguem ouvir a música das esferas.” PETRONIO, Rodrigo. UMA ANTROPOLOGIA PARA ALÉM DO HOMEM: RELIGIÃO E HOMINIZAÇÃO NA OBRA ESFERAS DE PETER SLOTERDIJK. [dissertação de mestrado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP – 2013], p. 25.

NOTA #2 (11/03/17) PR

Ao que tudo indica, caminhamos lentamente para a destruição. A nossa destruição, e logo, de tudo o que existe, pois não há nada que exista fora do pensamento. O que está para além disso é menos que nada.
Ora, mas não estamos na era do progresso? Não disseram que o desenvolvimento tecnológico e econômico era a coroação do progresso humanitário? Essa é uma promessa velha que ressoa desde o séc. XVIII. As Revoluções Burguesas (Industrial, Francesa) impulsionaram toda uma lógica de desenvolvimentismo acumulacionista que supostamente engatilharia uma ética humanitarista e solidária absoluta. E de certa forma até conseguiram o resultado pretendido, mas o custo foi esvaziar toda essa cadeia de significantes e perverter todos os seus significados.
O desenvolvimento tecnológico, das relações de produção, dos meios de produção existe, de fato. O problema é que desenvolvimento não tem nada a ver com uma conceituação positiva, a não ser num sentido daquilo que desloca-se como aparecimento. Desenvolvimento é evolução, o que também nada a ver tem com um sentido positivo – num sentido de algo que é bom, benéfico ou melhor – mas apenas representa o movimento de um ser que transpõe a forma e conteúdo daquilo que era. Isso quer dizer apenas que uma coisa que era uma coisa se tornou outra coisa. Melhor, pior, bom, ruim…essas são categorias de um juízo moral de valor que nada tem a ver com a questão. Aliás, apenas mistifica o fenômeno e atrapalha sua devida reflexão como conceito.
Meus caros, o único desenvolvimento que podemos assistir agora é o desenvolvimento para a morte. Para a uma destruição cataclismática. Essa é uma certeza histórica, um evento que se tornou inevitável, pois há tempos passamos do ponto-limite de retorno. O desenvolvimento tecnológico, a lógica de acumulação, o agravamento das desigualdades sociais, as crises econômicas e políticas, a iminência de uma catástrofe ambiental: estes fenômenos estão todos interligados como causas e efeitos entre si e enfileiram-se uns aos outros como encadeamentos de uma necessidade ontológica.
Mas então é isso? Não podemos fazer mais nada?
Sim e não.
Há uma sobredeterminação – num sentido althusseriano – que, em última instância, parece sempre direcionar o movimento histórico para um certo deslocamento-tendência. A ausência do futuro é, pois, uma certeza história “muito provável”. Mas a História sempre comporta um interseccionamento das contingências, acontecimentos “imprevisíveis”, inesperados, que podem descontinuar essa certeza histórica.
Acredito que nos momentos mais críticos a contingência pode imprimir uma ruptura violenta com as tendências histórias e atualmente vivemos esses tempos críticos. Se há medo, é porque há esperança. E se há ou pode haver um futuro, ele só poderá ser comum. A contingência da sobrevinda de uma Ideia do comum é uma certeza histórica necessária.
É no comum que pode haver futuro, ou não haverá futuro de forma alguma.

NOTA #3 (18/02/17) PR

“Bolsonaro é uma aberração? Bom. Faço uma autobiografia. Sou anarquista desde a barriga da minha mãe. Cresci no movimento punk se SP. Desde os 15 anos, minha formação foi basicamente: poetas malditos do século XIX, Rimbaud, os beats, os surrealistas, Bakunin, Kropotkin, Baudelaire, Sade, Lautréamont, Doors, Hendrix, psicodelia, contracultura, pancadaria. Não me interessava pela esquerda e nem por Marx. O meu gosto por Marx é tardio. Pareciam-me muito organizados. Muito racionais. Racionais demais para serem verdadeiros. Custei a comprar a narrativa de uma emancipação coletiva. Ainda hoje ainda não me desce bem.

Entre os 25 e os 30 anos, tive um colapso. Muitas portadas. Puxadas de tapete, separações, golpes, humilhações, vigarices, perversões. Traições de todos os lados. Um verdadeiro corredor polonês. Sim. Também fui mau e escroto em alguns casos. Sofri e fiz sofrer. Qual o resultado? O discurso da esquerda progressista, terceira-via, cabeça, racional, cult, Vila Madalena, equilibrada e bacana me parecia extremamente superficial diante dos problemas existenciais que eu estava passando. Onde eu fui buscar insumo? No radicalismo da estrema-direita.

Li, muito e intensamente, coisas que vcs nem acreditam. Autores e obras cujos nomes hoje chego a ter vergonha de citar em público. Por quê? Porque essa crise me demonstrou a platitude e a mentira da democracia ocidental. Comecei a perceber a inoperância dos termos médios, sejam eles o liberalismo aguado dos liberais ou a democracia aguada das esquerdas liberais. Quase me converti ao Islã. Embora nunca tenha sequer cogitado qualquer ato de violência, comecei a perceber uma estranha e sombria racionalidade no terrorismo. Quase como uma fatalidade indesejada do sistema.

Felizmente, a vida resolveu em mim as contradições. O ódio se dissolveu em compreensão. As más experiências foram transformadas por experiências boas. Voltei a ter bons encontros e paixões felizes, como diria Espinosa. Ou seja: voltei a ver a vida como potência. Hoje, para mim, aquela alma ressentida, sombria e beligerante, conservadora e combativa, parece a alma de outra pessoa. É uma imagem na qual, embora seja minha, não mais me reconheço. Não me pertence mais.

Contudo, continuo pensando na quantidade de almas penadas que vagam por aí. Tenho pena. Preocupo-me. E me reconheço nelas. São zumbis de ressentimento, ódio e desamor, ou seja, apoiam-se como náufragos nos destroços subjetivos que dão sentido a todo fundamentalismo. São os fantasmas daquilo que eu fora outrora. Fantasmas que eu felizmente consegui superar e transcender.

O que trago como ensinamento? Talvez nesses fantasmas não haja apenas ódio. Talvez haja neles algum impulso vital. Uma energia política que o puritanismo não consegue captar. A ortodoxia das ideologias nos impede de ver camadas psicopolíticas valiosas. Verdadeiras transvalorações que nossa moral puritana nega e demoniza. E, assim, puritana, negadora e denegadora, a esquerda infelizmente não consegue reverter essa potência libidinal revolucionária em seu benefício. Não consegue se valer das armas de seu inimigo.”

Por Rodrigo Petronio.

NOTA #4 (01/02/17) PR

Um novo mundo é utopia?

As poucas conquistas que tivemos ao longo da história não eram desde o princípio utópicas? E não poupo preciosismo ao usar a palavra utopia num sentido bastante preciso: a ausência de lugar ou o não-lugar de alguma coisa. Mas onde há esta correlação, há tanto uma negação quanto uma afirmação: a ausência é um lugar; o lugar do sem-lugar. Ela é portanto um lugar, que aparece em seu sinal invertido, como aquilo que está enquanto não inscrito em seu lugar. A operação de dar lugar a uma ausência não é nada impossível; aliás, a política hoje é justamente isso; a divisão dos lugares e dos não-lugares, um regime de visibilidade dos modos de ser e de fazer e, portanto, de não-ser e de não-fazer. Toda negação é uma determinação, nos revelou Espinoza. Para toda ausência de lugar, há uma possibilidade infinita de inscrição. A utopia é, antes, um horizonte de infinitas possibilidade, onde a necessidade da contingência reina absoluta. É preciso que façamos disso uma dialética, reconhecendo o que foi inscrito e o que deixou de se inscrever, o que pode se inscrever e o que pode deixar de ser inscrito. A utopia é esse horizonte de expectativas onde tudo e nada é possível. Nesse não-lugar da utopia, no reino da contingência absoluta, o amanhã é incapturável por definição, e cada dia que nasce abre a possibilidade de inscrição desse não-lugar num lugar. E o amanhã não é a continuação de hoje, mas de todos os “ontem” que lhe precederam; não se criam mundos de um dia para o outro. Sem luta e luto, sem um pouco de desesperança esperançosa, sem a assunção de uma postura catastrófica de que “o pior já aconteceu”, o que vai restar é inconformação, alienação do mundo e de si e medo. Se temos só isso, então a vida é já a própria morte que não se sabe enquanto tal.
É difícil, sim, pensar e esperar um lugar onde a utopia deixe de ser apenas ausência e possa se tornar presença (e, por definição, deixe de ser utopia). Mas, afinal, quais grandes feitos da história não foram sofridos e difíceis?

NOTA #1 11/03/17 PR

Reunião transcorreu normal.
Fico instigado com a preocupação que o CEII tem com a sua própria estrutura, parecendo as vezes que é essa a questão mais urgente, encurtando o horizonte de ação para dentro dos próprios problemas do círculo.

NOTA #5 (25/01/17) PR

Sobre a reunião que participei pelo hangout, percebi a diferença de acompanhar a reunião em tempo real, mesmo tendo falado pouco e sobre assuntos mais administrativos da célula. Sinto que ouvir os áudios e enviar as notas não suplanta o contato imediato das reuniões, e parece que a participação à distância se torna pouco relevante.