NOTA CEII SP #5 [22/06/2017]

As atividades propostas para o colóquio do CEII tem me preocupado um pouco. Acho bastante interessante a ideia de chamarmos pesquisadores externos para falar sobre nós para nós, não sei porque eles se interessariam em fazer isso, mas se se interessarem, legal!

Agora a outra proposta, de uma célula analisar a outra, não sei se acho tão interessante, mais que isso, acho que pode prejudicar a dinâmica interna de cada célula. Algo semelhante ao que aconteceu à época do evento Hipótese Comunista que todo o funcionamento da célula se voltou para isso, o que provocou certo esvaziamento das reuniões.

Imaginem, imaginem mesmo, que tenhamos que ficar durante as reuniões ouvindo os áudios e lendo as notas de outras células do CEII – não sei pra vocês, mas pra mim soa entediante. Por isso, uma saída que pensei seria de pegar um período que acompanha uma leitura específica da célula a ser analisada e, conforme vamos acompanhando as reuniões deles, podemos também fazer nossa própria leitura, que acham?

NOTA CEII SP #4 [22/06/2017]

Muito interessante como o texto fez a discussão caminhar para pensar sobre as formas de organização da vida (para além da questão econômica) e também pensar sobre a auto -organização dos trabalhadores.

Conversando com o Movimento Parque Augusta eles contaram um pouco que a proposição deles para a prefeitura é transformar a gestão do parque em um laboratório de uma gestão autônoma do espaço público. Ou dizendo de outra forma – gestão auto organizada pelas pessoas.

Eu como trabalhador da saúde e participante do movimento social Fórum Popular de Saúde já fizemos greve por salário, protestos por melhores condições de trabalho, para não fechar ou privatizar um serviço de saúde – mas nunca demos este passo tão importante que o movimento Parque Augusta está se dispondo a dar – defender uma gestão efetivamente sob controle dos usuários.

Ora não é hora de uma proposição política que enfrente tanto o estatismo hierárquico quanto a privatização alienante? São também estes desafios para o próprio CEII que é uma laboratório de experimentalismo organizativo!!

NOTA CEII SP #3 [22/06/2017]

Fiquei feliz por termos voltado às nossas leituras. Fiquei pensando nisso durante a semana que passou e que por alguns momentos esqueço. Como o próprio nome diz, somos um Grupo de Estudos. Parece óbvio, mas realmente às vezes esqueço disso. Acho que da minha parte, falta um envolvimento maior na questão dos estudos do grupo. Acredito que é justamente esse aspecto que pode manter o grupo em funcionamento, mesmo que com dois membros. São as leituras, as discussões e os aprendizados. Então, vamos aos estudos!

NOTA CEII SP #2 [22/06/2017]

Acredito que um bom aprendizado, tem a ver com a medida. O ‘CEII convida interno’ não me parece um insight ruim, mas acredito que a gente precisa não deixar a reunião perder-se completamente nisto e saber que, fundamentalmente, ainda é uma reunião do CEII. Acho que se trata de um fino ajuste, saber quais são as medidas para não perdermos a mão.

NOTA CEII SP [09/06/2017]

O texto que estamos lendo é particularmente bom, e acho que devemos nos atentar para a dimensão do reconhecimento que ele traz sobre o problema da classe. Uma classe não existe em si mesma, é a dialética de seu reconhecimento “como classe” que determina suas ações e pensamentos, ainda que tal determinação se dê muitas vezes de forma inconsciente.

NOTA CEII SP #1 [22/06/2017]

Pessoalmente, fui um dos entusiastas do chamado “escuta luta interno”, muito mais pela oportunidade de ouvir as atividades dos demais camaradas da célula, como também por tirar disto uma lição sobre o nosso comportamento geral no passado, onde aparentemente nosso apego excessivo à letra do projeto nos impediu de ouvir melhor algumas das pessoas que passaram pela célula.

Agora, me parece que a proposta feita na última reunião sobre buscarmos ouvir sobre a vida “no trabalho” dos participantes foi um pouco longe demais. Afora outras considerações que teria, acho principalmente que isso faz parte de uma tentativa, já um pouco manifesta no “escuta luta interno”, de fugir de nossa aparente “inoperatividade”, como se olhando para outros lugares onde as coisas supostamente “acontecem” nos livrassemos do peso de nossa própria falta de expectativas.

NOTA #6 [13/06/2017] (RJ I)

Post de um dos alunos no curso EAD sobre o Zizek do CEII

“Re: Sala de aula

por *********************** – sexta, 16 Jun 2017, 15:34

Video excelente, tanto a forma quanto o conteúdo. Foi muito legal essa linha de evolução do pensamento freud-marxista, principalmente em razão dos autores escolhidos. A questão é sobre o que foi dito do Badiou em relação a organizações sem identidade, quer dizer outra coisa além da identidade cria a unidade do grupo. A pergunta é, sobre disciplina e identidade, tipo assim, sempre associei a questão da disciplina com a identidade, na medida que a disciplina exclui a diferença. Então, seguindo esse raciocínio, seria possível uma organização com disciplina mas sem identidade?…É mais ou menos isso! Grato!!!”

NOTA #13 [06/06/2017] (RJ I)

Post do Tutor 097 tirado do curso EAD sobre o Zizek do CEII.

“Obrigado Márcio por participar do Fórum de debate. Suas perguntas são sensacionais! Há inúmeras pontuações sobre os temas levantados por você.

O SUJEITO INCÔMODO é um ótimo livro para se começar a “mapear” os adversários, as fontes e os temas que Žižek quer trabalhar. O livro basicamente quer resgatar o debate tão desgastado nos anos 70, 80 sobre o Sujeito. Na Introdução ao livro isso fica bem claro com a sua “paródia” às primeiras linhas do Manifesto Comunista. Em seguida, o livro divide-se em três partes (que de certo modo tenta dialogar com os adversários suas fontes, etc): o primeiro deles gira em torno de Kant, Heidegger e Hegel (uma das leituras que Žižek faz dos livros de Hegel – eu recomendaria fortemente esse trecho); a segunda parte trata do embate com os “pós-althusserianos” – Balibar, Rancière, Badiou e Laclau (nessa parte algumas de suas indagações podem ser respondidas); e a terceira parte Foucault e Butler.

Quanto às suas perguntas, vou tentar respondê-las o mais simples possíveis na ordem e assim poderíamos continuar com os debates, tudo bem? Vamos lá!

(1) Sobre o “nó borromeano”, colo aqui as mesmas considerações que apresentei ao companheiro Felipe: “Realmente há várias formas de amarrar borromeanamente as cordas, que inclusive é tema de várias das aulas de Lacan em seus últimos seminários. Bom, quando a gente pensa naqueles três círculos amarrados, o que deveria vir a mente é que aquela forma trinária de amarrar as cordas é o modo mais simples, de grau mais baixo (apenas como ilustração, no Wikipédia há um breve resumo da complexidade pelas quais os nós borromeanos podem chegar – https://en.wikipedia.org/wiki/Borromean_rings). O mais importante de tudo é que todo “nó borromeano” tem de ter um enlace, senão não é nó (talvez as imagens dos círculos sobrepostos deva ser apenas uma referência remota ao nó). A forma de Žižek é esta. Se você estiver mais interessado sobre essa temática do nó eu sugeriria ler a Introdução do livro O sublime objeto da ideologia (trata-se do primeiro livro do Žižek em inglês, de 1989), e a Introdução do meu livro Para uma filosofia do espírito objetivo materialista disponível aqui: https://www.academia.edu/32488510/Para_uma_Filosofia_do_Esp%C3%ADrito_Objetivo_Materialista_do_Direito_Cr%C3%ADtico_%C3%A0_Cr%C3%ADtica_do_Direito” Reitero que vamos abordar essa questão nos próximos vídeos…

(2) De certa forma Žižek tenta reconstruir o conceito de ideologia com aparelhos da psicanálise e de Hegel. É uma tentativa de superar o conceito até então proposto de ideologia por Althusser por uma via diferente. Basicamente, na tradição marxista, há ao menos três sentidos para a ideologia: 1) a ideologia como falsa consciência da realidade, uma representação que tentaria enganar e obstruir a potência proletária; 2) ideologia como um conjunto de ideias e opiniões – sentido vulgar de ideologia; 3) a ideologia como luta de classes, ou seja, a ideologia burguesa, a ideologia proletária. Althusser tenta propor o conceito de Ideologia como uma visão de mundo que constitui um sujeito, que transforma um indivíduo em um sujeito (chamada interpelação). Sobre isso eu sugeriria ler os APARELHOS IDEOLÓGICOS DE ESTADO. Žižek por sua vez apresenta duas críticas básicas à Althusser: a primeira seria que a montagem althusseriana não permite que a experiência seja efetivada (não teria lugar a experiência proletária, por exemplo) e que a interpelação transformava um indivíduo que já “esperava ser sujeito” em sujeito, uma espécie de antecipação. Então, se em Althusser temos um sujeito que não sabe o que o transformou em sujeito mas que agora sabe que é um, em Žižek temos um sujeito que sabe muito bem que foi transformado e por isso agora é um sujeito (como Žižek inverte o mote marxista “eles não sabem o que fazem e por isso o fazem” em “eles sabem muito bem o que fazem e por isso mesmo o fazem”). Sendo assim, é possível afirmar que Žižek tem uma inspiração de Althusser na sua leitura de Marx, assim como seus adversários “pós-althusserianos” também.

(3) É muito curiosa essa pergunta porque parece apresentar uma forma brasileira de ler Marx, Márcio. Aqui há dois deslocamentos fundamentais que, por exemplo, para Žižek não há: 1) uma (pseudo)tensão entre o pensamento de Althusser e o de Lukács; 2) e como derivação disso, ou uma “virada ontológica” de Marx ou uma “virada historicista” de Marx. Isso não é óbvio para Žižek. Assim, acho que é um pouco “nenhum dos dois”. Para Žižek o marxismo é uma corrente mais ou menos homogênea em que estão reunidas duas formas de operações teóricas – a investigação do modo de produção capitalista (materialismo histórico) e a filosofia marxista sobre outras questões, atualizações de categorias, de articulações, etc (materialismo dialético). Portanto, o marxismo ainda continua sendo uma crítica à economia política. O que serve para Žižek especificamente do marxismo seria: a) sua tradição prática e partidária, composição coletiva, organizacional (crítica ao partido, crítica à organização, etc.); b) algumas categorias fundamentais em conjunto com a psicanálise e com Hegel (ideologia, fetichismo da mercadoria, mais-valor, burguesia, proletariado, etc.).

Seria mais ou menos isso, Márcio?

Agradeço desde já e aguardo um retorno, companheiro.

J.”

NOTA #10 [30/05/2017] (RJ I)

Post do Tutor 097 tirado do curso EAD sobre o Zizek do CEII.

“Olá Lucas,

Bom, nós já nos conhecemos e então poderíamos deixar as formalidades um pouco de lado, Luquita. O nosso supervisor técnico parece ter resolvido o problema da postagem de lá (inclusive já temos um novo comentário). Como seu amigo, fico muito feliz de você ter gostado do primeiro vídeo. É sinal de que há algo ali de “aprendível”, não?

Quanto as suas duas questões, começo pela última: vou levar essa questão ao Professor Gabriel para que a resposta seja mais satisfatória (provavelmente antes do início da segunda aula).

Quanto à primeira: realmente para aqueles que não são psicanalistas e não estão de alguma forma envolvidos com a prática clínica, com a graduação ou a formação, ou até mesmo com o jargão, o estudo de Freud é muito complicado e, diria até, confuso. Mas, particularmente, acho que a coisa funciona mais ou menos como o estudo de Marx – aquela ideia de que não se sabe muito bem, em que ordem cronológica se está e de repente parece que vamos pegando o fio da meada…

De qualquer forma, acho que há basicamente cinco estratégias:

(1) uma forma mais tradicional cronológica – por exemplo, começar da coleção standard um por um (pode ser um pouco cansativo – lembre-se da advertência da seção 1 do Capital feita pelo Althusser, mesma situação);

(2) uma temática – por exemplo, seu interesse é sobre o “Inconsciente”, ou “trauma”, ou “histeria”, ou “casos clínicos” (há certos textos que “combinam” mais entre si e não estão cronologicamente alinhados);

(3) uma forma aleatória – por exemplo, abrir qualquer livro e começar desde já (é importante para não ficar preso a certos pressupostos, mas talvez não seja tão produtivo);

(4) começar pelos comentadores e depois voltar a Freud. É uma boa estratégia, principalmente para ver de forma mais resumida a dificuldade e os desafios dos escritos de Freud. Os comentadores podem ser desde os pós-freudianos (Jung, Lacan, Ferenczi, Klein) até comentadores brasileiros mesmo, teses de doutorado, livros mais simples;

(5) trabalhar com comparações – talvez seja uma estratégia mais avançada essa. Ou seja, comparar os vários textos do Freud, de diversas edições ou até mesmos de diversas línguas e tomar os parâmetros com os comentadores. Aqui no Brasil há três grandes projetos do Freud – o standard da IMAGO, as obras da editora COMPANHIA DAS LETRAS, e as obras incompletas da editora AUTÊNTICA.

Era mais ou menos isso de que você gostaria de saber?

Aguardo um retorno e espero sua postagem, companheiro.

Um forte abraço,

Atenciosamente,

J.”