NOTA CEII SP #1 [25/05/2017]

Gostei da discussão a respeito da ideia de convidar os membros do CEII para falar sobre suas experiências de militância. Acho que pode gerar engajamento e atualizar o debate dentro do grupo. Chegamos a discutir se esse papel poderia ser feito pela Mais-um de forma mais regular, mas dada a dificuldade em se achar um novo Mais-um, não chegamos a um consenso ainda. A questão da “mais-unância” passa por um período delicado porque a maioria dos membros não está podendo frequentar às reuniões e quem pode não tem tido como assumir tal função. Uma das opções sugerida foi a divisão da função, principalmente a elaboração das Referências que são mais trabalhosas. Acho que esse momento é uma ótima oportunidade para se discutir o papel do Mais-um no nosso grupo, que é extremamente importante, e analisar se não teria como adaptarmos à realidade da célula SP, pois já faz algum tempo que se comenta, seja nas reuniões, seja em notas, que nunca conseguimos implementar com sucesso a dinâmica do Mais-um por aqui.

NOTA #10 [23/05/2017] (RJ I)

Começo me identificando, para fazer uma observação sobre o caráter anônimo para o meio interno do círculo. Entendo, que como as notas são divulgadas publicamente, o anonimato faz sentido. Mas manter o anonimato para os próprios membros, confesso, acho meio estranho. Pode ser que contribua para pessoas que se sintam acanhadas para se posicionar sobre posições controversas ou colocar opiniões diretamente contrárias às opiniões de outras pessoas; mas não estou convencido de que esse suposto incentivo melhora a qualidade da discussão e a clarificação das divergências. O conflito aberto de ideias e de seus defensores (restrito, mas não por princípio, ao meio interno do grupo) sempre me pareceu a maneira mais eficiente de se esgotar o próprio conflito. Mas, estou receptivo para debater sobre isso e mudar de opinião se for o caso.

Tive outras primeiras impressões sobre a reunião, que pretendo tratar no futuro caso se tornem importantes, para não saturar essa minha primeira nota. Vou me ater então ao texto que foi discutido.

Como peguei somente a última discussão sobre o texto, não me sinto qualificado para fazer uma análise muito crítica sobre os temas do texto. No entanto, acho que posso trazer uma crítica muito comumente feita sobre a psicanálise, da qual compartilho.

Freud foi muito competente em sua tentativa de sistematizar um panorama sobre o qual se constitui a vida psíquica do sujeito. Trazendo para o melhor entendimento do que faz a psiquê do ser humano funcionar do jeito que funciona elementos fundamentais como a sexualidade e a agressividade. Foi um ótimo primeiro passo, colocar o ser humano regido por leis tão amorais, principalmente na saída da era vitoriana.
Filho de seu tempo, no entanto, Freud não conseguiu preparar uma continuidade do seu trabalho ao dar as costas para o contexto social de suas descobertas. Preferiu axiomatizar o inconsciente, o Édipo e outros conceitos como entidades eternas e imutáveis. Conceitos que seriam muito melhor aproveitados se colocados sob paradigma materialista e dialético.
Uma parte do trabalho de Freud é tentar enquadra toda a história da humanidade e a vida cotidiana dentro do seu sistema, o que parece razoável, apesar de feito muitas vezes de maneira forçosa. No entanto, ao fazer isso, não se coloca nenhum debate ou alternativa para que o ser humano consiga se emancipar de suas neuroses e seus sofrimentos. Ao esbarrar num bom modelo da estrutura da psiquê do homem moderno, moldado pelo desejo do prazer destrutivo e pelo medo da repressão da lei, Freud não admite qualquer estrutura social em que o ser humano possa conhecer uma psiquê diferente, mais funcional e que leve a uma vida menos sofrível.
Ao fazer isso, ao entender que a missão, e não somente o primeiro passo, da psicanálise é tirar o indivíduo da miséria neurótica e passá-lo para a infelicidade comum; Freud compactua com uma visão de mundo pessimista e idealista.

Vale ainda ressaltar que isso aparece no texto discutido, na medida que a proposta para o ser humano lidar melhor com a morte, pelo que eu entendi, é dar um passo atrás diante da lenda de que o progresso acabaria com a barbárie. Se o progresso mascara uma sequência de desigualdades e comportamentos destrutivos perpetuada na história da humanidade, devemos nos perguntar o que está faltando ainda para que possamos nos emancipar dessa infelicidade comum e criar uma sociedade em que o medo da morte não seja algo mais tão intratável. Essa discussão se torna importante, principalmente diante da possibilidade (vista ainda somente nos cenários de ficção científica) do próprio progresso conseguir vencer a morte e proporcionar novas maneiras de organização psíquica.

Uma última observação que acho que vale a pena ser feita, é que foi feito um apontamento sobre o caráter materialista da constituição do sujeito que Freud traz. Devo dizer que é um conceito muito amplo de materialismo colocado aqui, dado que a constituição do sujeito, se rejeitarmos qualquer posição mística, só pode vir de algo que é real. No entanto, esse preenchimento dá origem a entidades nada materialistas (inconsciente, superego, libido, etc.); além da dinâmica do processo de preenchimento do sujeito e das leis que regem esse processo não poderem ser verificadas materialmente na Psicologia.

Bom, é isso por ora.
Abraços a todos e todas!

NOTA #9 [23/05/2017] (RJ I)

Teve um nota perguntando se a notas não deixaria espaço para o silêncio. É uma preocupação legal, não havia parado pra pensar nisso antes. Geralmente o silêncio como impotência e a fala como potência. A galera da psicanálise no CEII concordaria que a fala constante que é um sinal de impotência, por isso é interessante uma nota que dá uma potência ao silêncio.

NOTA #7 [23/05/2017] (RJ I)

NOTA #8 [23/05/2017] (RJ I)

A reflexão sobre a morte no ensaio de Freud e o tanto de nosso modo de vida – aquele mesmo, com seus problemas, contradições e limitações – que tem morrido ou se encontra na iminência de morrer me recordaram destes dois versos: “Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.// Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou”. Então deixo o poema de onde foram extraídos como nota porque creio que seja pertinente.

 

 

Autotomia
Wisława Szymborska

Diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

Ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

No centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

Sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
Aqui o desespero, ali a coragem.

Se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
Se há justiça, ei-la aqui.

Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

Nós também sabemos nos dividir, é verdade.
Mas apenas em corpo e sussurros partidos.
Em corpo e poesia.

Aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

Aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.

O abismo não nos divide.
O abismo nos cerca.

NOTA #7 [23/05/2017] (RJ I)

Face as possibilidades e impossibilidades de minha situação, tenho acompanhando atentamente na íntegra todas as reuniões e discussões de minha célula. Em geral, as discussões são produtivas e instrutivas, ocasiões em que tenho aprendido com os camaradas – sobretudo por se tratar de assuntos sobre os quais, por inúmeras razões, não tenho me debruçado. Em alguns casos, tenho questões e comentários a fazer, em outros não.

 

A respeito da nota, o que fazer nesses casos? O que escrever quando não há nada, de fato, relevante a ser escrito? Como pensar o imperativo da nota diante do necessário silêncio reflexivo e contemplativo que algumas ocasiões pedem? Como pensar uma relação ativa e produtiva entre o sistema de entrega de notas e certa necessidade ocasional do silêncio – um elemento fundamental em qualquer processo de aprendizado?

NOTA #9 [09/05/2017] (RJ I)

Na teoria das organizações capitalistas, uma organização precisa seguir mais de um objetivo. Objetivos quantitativos e qualitativos, com atenção à complexidade deles. Na estruturação do planejamento da organização, é essencial a clareza desses objetivos a todos os membros da organização, senão os objetivos não serão atingidos e a organização perdrerá sua razão de ser. Segundo o ex-presidente da HP, John A. Young, “os objetivos de uma organização precisam ser como uma espécie de cola. Ou seja, um senso básico de direção que une todo mundo”.
Sendo assim, faço três perguntas às companheiras e aos companheiros do CEII:
1. O CEII tem objetivos?
2.a. Se sim, quais são?
3.a Todos os membros do CEII tem clareza desses objetivos (se eles existirem)?
2.b Se não, como podemos fazer para os construir nossos objetivos?
3.b E, após a construção dos objetivos, o que devemos fazer para disseminá-los de forma consistente em nossa organização?

NOTA #11 [02/05/2017] (RJ I)

Alguns debates são armadilhas. Não é esquerda classe média OU classe trabalhadora mais pobre, mas E, classe média de esquerda E classe trabalhadora mais pobre.
Portanto, a meu ver, é improdutivo a defensiva da classe média de esquerda de sua distância em relação à classe trabalhadora mais pobre, assim como a mera denúncia dessa situação. É fundamental entendermos o problema e criarmos soluções, entendendo que isso é um problema de todos nós.
A esquerda precisa ter mais espírito de resoluções de problemas, de eficiência organizacional, e deixar para as questões mais estratégicas nosso impeto crítico especulativo.

NOTA #5 [23/05/2017] (RJ I)

 

Pessoal, estive conversando com o Sérgio Wrublewski do conselho editorial da Editora Daimon. Comentei com ele sobre nossa intenção de publicar a tradução do segundo manifesto pela filosofia e ele ficou bastante interessado. Ele me pediu para enviar um e-mail para ver se conseguimos formular uma proposta. Pensei que poderíamos pensar na nossa estratégia de divulgação para eles por meio de uma proposta que poderíamos elaborar, ou se de repente pudéssemos conversar com o pessoal da editora pessoalmente. O que sei é que eles são de Teresópolis, mas dá pra encontrar com eles aqui no Rio mesmo.

NOTA #9 [16/05/2017] (RJ I)

Eu acho que a gente precisa começar a pensar sobre o nosso Congresso interno. Como queremos que ele funcione? Acho que o que falamos anteriormente, sobre fazer algo mais descontraído e divertido, que ajude a criar laços entre os membros e ao mesmo tempo dar uma ideia para todo mundo do que é que os outros estão fazendo, é a melhor proposta. Pensei em algumas ideias que seguem essa direção:

1. Que a gente evite mesas com apresentações de trabalhos chatos, e faça ao invés debates mediados. Por exemplo: um debate, com três ou quatro membros do CEII previamente “voluntariados” mediados por alguém que vai colocar eles pra conversar sobre suas experiências como Secretários Gerais. A conversa pode ser mais espontânea, demandar menos preparação (só do mediador) e ficar mais engraçado.

2. Acho muito legal a ideia de convidarmos pessoas de fora para fazerem uma “auditoria” ou pesquisa sociológica com o CEII, e apresentar os resultados durante o congresso.

3. A gente podia ter um espaço para apresentações teóricas também, mas aí acho que podia ser com uns temas mais adequados à nossa esculhambação habitual: fazer um manual do militante, como foi sugerido, ou o estatuto de um partido imaginário – coisas assim.

4. Sabe aquela coisa de falar mal do amigo? Americano chama de “roast” – acho que a gente podia fazer um treco desse também.