NOTA #1 [17/03/2017] (RJ II)

“PERDA DE TEMPO” NA PSICANÁLISE POLÍTICA E FILOSOFIA – CEII convida Gabriel Tupinambá

O TEMPO EM HEGEL

 

Em Hegel, as coisas finitas, em razão de sua finitude, estão no tempo. As coisas, portanto, estão inscritas no tempo por serem finitas, e não o contrário. As coisas são finitas, e é por isso que elas acabam; e elas acabam não por estarem no espaço, mas possuírem um limite temporal; esse limite não é da coisa em si, mas posto por algo externo, um atravessamento pelo tempo que define a duração.

As determinações espaciais dizem o que está dentro e o que está fora do espaço; no tempo, as coisas estão dentro ou fora do instante.

O tempo não é uma medida de potência que devora tudo; ele é uma impotência. As coisas mudam não por sua potencialidade de mudança, mas porque elas são inquietas, não se mantêm paradas no tempo. O tempo é uma fraqueza das coisas, uma degradação intrínseca. Mas é em razão dessa fraqueza que as coisas duram; é a degradação da coisa que define sua duração.

A eternidade é a duração infinita; é a negatividade incorporada na duração de cada coisa por si só.  Ela é a verdade do tempo.

A leitura hegeliana – mediada por uma ótica comunista – nos propõe pensar a mediocridade e o ser heroico como duas posturas diante do tempo; a primeira se sujeita a finitude do tempo e sua degradação e se inscreve apenas em seus limites temporais; a segunda nos permite entrever um sujeito agente de um ato heroico que o transpõe para além do tempo, permitindo que sua obra seja infinita e escape à duração finita.

NOTA #5 [14/03/2017] (RJ I)

CEII-JACAREZINHO/PR

Proposta Temática para Próximas Reuniões

 

 

O presente documento expõe o projeto de leitura temático O PROLETARIADO: CORPO POLÍTICO, CLASSES E MASSAS da Célula de Jacarezinho-PR e dispõe sobre a ementa, os objetivos e as etapas a serem cumpridas neste trabalho de prática teórica.

 

 

O PROLETARIADO: CORPO POLÍTICO, CLASSES E MASSAS

 

 

De acordo com as novas orientações dadas pela nova forma dos textos de leitura apresentada primeiramente pela Célula RJ-I e pela opção de seguir esse formato pela Célula RJ-II, a Célula PR RESOLVEU, na reunião do dia 11/03/2017, optar por também oferecer uma nova proposta de leitura que tentará trazer como eixo temático a questão amplíssima do PROLETARIADO (suas conceituações ontológicas, pragmáticas, estruturais, ideológicas, críticas, contraideológicas).

A decisão tanto dos presentes quanto por meio das respostas da notas foi favorável a mudança pelos seguintes motivos:

  1. A necessidade de não se ficar preso a um só livro (o que, como foi demonstrado, ocorreu de fato e a Célula de certa forma “parou” no livro O Mestre Ignorante do Jacques Rancière);
  2. A facilidade com que os diversos textos pode apresentar facilita tanto a apresentação por parte do Mais-Um e dos presentes como a assimilação do conteúdo e da discussão (“princípio da palpabilidade”);
  3. A promover uma singularização da Célula em busca de algo que a caracterize perante as outras. Além de apresentar um bloco de pensamento em conjunto como forma estrutural da célula.

Sendo assim, a Célula optou por dividir todo o projeto em três etapas norteadoras das discussões. Logo abaixo, segue os objetivos, a divisão das etapas e a ementa fundamental.

 

Objetivos

 

Como expectativa espera-se que o grupo consiga, a partir dos debates e dos textos, construir pontos de vistas comuns e tê-los, como marca da Célula e do Círculo, como axiomas básicos para se refletir sobre a questão da organização. A prática militante e o estudo orientado, dessa perspectiva, devem criar espaços amplos que entendam não só a semântica dos textos, mas a percepção em rede destes, as escolhas tomadas por alguns movimentos em um determinado contexto, a opção por interpretar certas categorias e noções, a constante disputa pelos conceitos dentro do materialismo dialético [por exemplo], etc. A Célula acredita que a partir dos materiais recolhidos e trazidos para as reuniões, pode-se chegar a uma forma de diagnosticar os próprios problemas do Círculo e oferecer opções concretas.

 

Divisão das etapas

 

De acordo com a discussão nas reuniões dos dias 11/03/2017 e 18/03/2017, a Célula resolveu [inspirada nos falidos e interessantes modelos da economia planificada soviética] instaurar o projeto em basicamente três etapas (ou melhor, três eixos):

 

EIXO 1. Começar do começo de novo novamente! – tem como proposta a leitura de alguns dos textos marxianos que trabalham com as questões de classe, de história, de sociedade, de capital, de revolução de um ponto de vista das massas e do proletariado. Os textos, pela ordem seriam: O manifesto do partido comunista [1848]; alguns trechos dos Manuscritos econômico-filosóficos [1843-44]; alguns trechos da A ideologia alemã [1845-46]; alguns trechos de O 18 de brumário de Luis Bonaparte [1852]; e alguns trechos do O capital (vol.1)[1867]; A Célula chegou a conclusão de que esse eixo é a meta para todo o ano de 2017 a contar a partir da reunião de 25/03/2017.

 

EIXO 2. Diagnose dos vários séculos XX’s – tem como proposta de leitura a partir da observação dos amplos fenômenos durante todo o século XX em suas mais variadas vertentes. Na vertente do marxismo, pode-se dizer que a continuação dos textos clássicos (Engels, Kautsky, Luxamburgo, Lenin, Lukács, Stalin, Gramsci, Mao) será indispensável para os efeitos do balanço proposto. Há também uma tradição (ligada também à temática da Célula RJ-I) que seria pela via psicanalítica (Freud, Reich, Lacan). Há também uma linhagem sociológica que tenta identificar os fenômenos das massas (Tarde, Adorno, Canetti, Ortega y Gasset). Há ainda dois atravessamentos paradigmáticos (dois modos de leituras orientadas para analisar os fenômenos do século XX) proposto germinalmente pelo camarada _097, a saber, a Paixão pelo Real e a Razão Cínica. Se a primeira meta for cumprida, uma certa ordem será estipulada conforme a disponibilidade e o engajamento dos participantes. Essa segunda etapa também o objetivo de aproximar as demais células para os debates (ceii-convidas, intervenções por hangouts, etc.) bem como a interlocução externa.

 

EIXO 3. O proletariado, hoje – tem como proposta de leitura as diversas referencias que compõem o início das discussões do novo século. As inúmeras denominações subjetivas (subproletariado, precariado, homo sacer, “homem-massa”, burguesia assalariada, infoproletariado, Multidão, etc.) e partidárias (Hipótese Comunista, Multidão, Comunidade-tempo-homem que vem, comunidade dos iguais, etc.). Pela via marxista, as referências ordinárias do Círculo (Agamben, Badiou, Rancière e Žižek), além de autores como Postone, Kurz, Negri, Hardt, Laval, etc… As contribuições críticas de Foucault e Sloterdijk, etc… Talvez o eixo 3 ainda não se apresente como uma proposta concreta devido à longa trajetória que se deve percorrer até chegar aqui. Portanto, a idéia é esperar e consolidar.

 

Ementa fundamental

 

– MARX, K. ENGELS, F.

A ideologia alemã – http://www.pet.eco.ufrj.br/images/PDF/ideologia-alema.pdf

Manuscritos econômico-filosóficos – http://petdireito.ufsc.br/wp-content/uploads/2013/05/manuscritos-economicos-e-filos%C3%B3ficos-_-marx.pdf

O 18 de brumário de Luis Bonaparte – https://neppec.fe.ufg.br/up/4/o/brumario.pdf

O capital – https://coletivocontracorrente.files.wordpress.com/2013/10/tmpsq7jbv.pdf

O manifesto do partido comunista – http://www.ifibe.edu.br/arq/201507151648311870285950.pdf

– LUKÁCS, G.

História e consciência de classe – https://pt.scribd.com/document/323896221/Livro-Historia-e-consciencia-de-classe-pdf

Tática e ética – http://132.248.9.34/hevila/HerramientaBuenosAires/2014/no55/17.pdf

– LENIN, V.

Escritos online – https://www.marxists.org/portugues/lenin/index.htm [Que fazer? –

O Estado e a revolução]

-STALIN, J.

Escritos onlinehttps://www.marxists.org/portugues/stalin/index.htm

– GRAMSCI, A.

Escritos onlinehttps://www.marxists.org/portugues/gramsci/index.htm

– LUXEMBURGO, R.

[Reforma ou revolução?]

Escritos onlinehttps://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/index.htm

MAO TSÉ-TUNG.

Obras escolhidas em 4 tomoshttps://www.marxists.org/portugues/mao/index.htm

FREUD, S.

Psicologia das massas e análise do eu – https://professorsauloalmeida.files.wordpress.com/2015/08/grupos-e-massa-freud.pdf

– REICH, W.

Psicologia de massas do fascismo – https://www.academia.edu/9151256/Wilhelm_Reich_-_PSICOLOGIA_DE_MASSAS_DO_FASCISMO

Materialismo dialético e psicanálise – https://www.academia.edu/27110439/Materialismo_Dialetico_e_Psicanalalise.pdf

– LACAN, J.

Seminário 7 – http://staferla.free.fr/S7/S7.htm

Seminário 17 – http://staferla.free.fr/S17/S17.htm

– TARDE, G.

A opinião e as massas – https://pt.scribd.com/doc/251478406/Gabriel-Tarde-A-Opiniao-e-as-Massas-pdf

– LE BON, G.

Psicologia das multidões – https://pt.scribd.com/document/128891145/GUSTAVE-LE-BON-Psicologia-das-multidoes

– ADORNO, T.

Dialética do esclarcimento – https://nupese.fe.ufg.br/up/208/o/fil_dialetica_esclarec.pdf

– CANETTI, E.

Massa e poder – http://imap.latertuliadelagranja.com/sites/default/files/Canetti,%20Elias%20-%20Masa%20y%20Poder.pdf

– ORTEGA Y GASSET, J.

A rebelião das massas – https://pt.scribd.com/document/32237873/La-rebelion-de-las-masas-Jose-Ortega-y-Gasset

NOTA #6 [07/03/2017] (RJ I)

Sobre a nota do Instituto da reunião ou “Bem-vindo ao marxismo”

A intenção de enviar os breves comentários nada amigáveis sobre as proposições marxistas que o InstitutoVM era justamente de por em xeque nossas próprias formas de organizações no nível do debate científico contra os nossos verdadeiros inimigos. Com uma frase sugerida pelo camarada G.T. “Se você está com dúvidas a respeito das incongruências do Marx, bem-vindo ao marxismo”, entramos de cabeça no debate franco e aberto entre formas de leituras e formas de vida… Talvez esteja na hora de aprendermos com os erros e as formas torpes dos inimigos para justamente nos fortalecermos enquanto bloco comum.

NOTA #4 [14/03/2017] (RJ I)

Vou ter um texto do Deleuze na faculdade começando semana que vem e eu teve primeiro um video dele falando sobre filosofia. 3 coisas me chamaram a atenção: a suposta ideia criativa que seria a base da ciência, da arte, da filosofia que depende de uma “necessidade”, o aparente status de coisa em si que essas obras tem e uma frase do Deleuze “jamais fica preso no sonho do outro”. Todas essas coisa são aparentemente boas, mas pra mim essas ideias me fazem pensar num deserto cheio de gente construindo castelos de areia.

NOTA #3 [14/03/2017] (RJ I)

Gostei do que caminho que o texto sobre a guerra levou na ultima reunião. Pelo que eu entendi o começo do séc. XX foi marcado por certa forma de melancolia, ou o que o Freud chama de mal-estar. No meu primeiro ano de CEII eu tentei dividir a esquerda (numa nota) em melancólica (a esquerda presa a politica do séc. XX, desde a social democrata até a dos velhos partidos comunistas), niilista (ou pós-moderna, totalmente descrente de qualquer forma de instituição, tenta constantemente criar uma politica “realmente popular e plural” mas constantemente se autodestrói) e nova (as novas tentativas de organizar o pensamento e a organização da esquerda porém ainda são muito pequenas e desconhecidas). A gente falou da melancolia na ultima reunião um pouco, mas e a esquerda niilista? O Zizek já falou da esquerda que jogou fora o bebe com a água suja, isso ainda é parte da melancolia ou uma outra coisa?

NOTA #2 [14/03/2017] (RJ I)

“Quem não tem nada só tem a sua disciplina” tenho meditado nessa frase, essa frase já poderia ser a minha própria nota.

Quem falou essa porra? Qual o contexto?

O que tem me vindo à cabeça é que é uma merda confluir disciplina com desejo. Penso nas organizações leninistas, que exige uma puta abnegação da vida comum em pró de uma vida dedicada a revolução. È muita castração. só trepando muito com os irmãos do partido para aguentar, mais até isso é visto como um ato pequeno burguês. Por outro lado vejo a disciplina como pura potencia. Sem disciplina não ser realiza as coisas. VEJA MANUEL DE BARROS, o cara que TINHA PROFUNDIDADES EM NADA. O cara tinha uma puta disciplina para escrever aquelas poesias lindas. Sentava o rabo na cadeira e ficava horas por dia até sair a obra. Acabou a minha disciplina para pensar vou parar por aqui.

NOTA #4 (01/02/17) PR

Um novo mundo é utopia?

As poucas conquistas que tivemos ao longo da história não eram desde o princípio utópicas? E não poupo preciosismo ao usar a palavra utopia num sentido bastante preciso: a ausência de lugar ou o não-lugar de alguma coisa. Mas onde há esta correlação, há tanto uma negação quanto uma afirmação: a ausência é um lugar; o lugar do sem-lugar. Ela é portanto um lugar, que aparece em seu sinal invertido, como aquilo que está enquanto não inscrito em seu lugar. A operação de dar lugar a uma ausência não é nada impossível; aliás, a política hoje é justamente isso; a divisão dos lugares e dos não-lugares, um regime de visibilidade dos modos de ser e de fazer e, portanto, de não-ser e de não-fazer. Toda negação é uma determinação, nos revelou Espinoza. Para toda ausência de lugar, há uma possibilidade infinita de inscrição. A utopia é, antes, um horizonte de infinitas possibilidade, onde a necessidade da contingência reina absoluta. É preciso que façamos disso uma dialética, reconhecendo o que foi inscrito e o que deixou de se inscrever, o que pode se inscrever e o que pode deixar de ser inscrito. A utopia é esse horizonte de expectativas onde tudo e nada é possível. Nesse não-lugar da utopia, no reino da contingência absoluta, o amanhã é incapturável por definição, e cada dia que nasce abre a possibilidade de inscrição desse não-lugar num lugar. E o amanhã não é a continuação de hoje, mas de todos os “ontem” que lhe precederam; não se criam mundos de um dia para o outro. Sem luta e luto, sem um pouco de desesperança esperançosa, sem a assunção de uma postura catastrófica de que “o pior já aconteceu”, o que vai restar é inconformação, alienação do mundo e de si e medo. Se temos só isso, então a vida é já a própria morte que não se sabe enquanto tal.
É difícil, sim, pensar e esperar um lugar onde a utopia deixe de ser apenas ausência e possa se tornar presença (e, por definição, deixe de ser utopia). Mas, afinal, quais grandes feitos da história não foram sofridos e difíceis?

NOTA #1 11/03/17 PR

Reunião transcorreu normal.
Fico instigado com a preocupação que o CEII tem com a sua própria estrutura, parecendo as vezes que é essa a questão mais urgente, encurtando o horizonte de ação para dentro dos próprios problemas do círculo.

Referências 14/03/2017 (RJ I)

Sobre auto-determinação na política moderna:

ROUSSEAU, J.J. 1762 Do Contrato Social – disponível aqui

Sobre divisão do sujeito no indivíduo:

FREUD, S. “Clivagem do Eu e Mecanismos de Defesa” – disponível aqui

Sobre o paradoxo da soberania:

AGAMBEN, G. Bataille e o paradoxo da soberaniadisponível aqui

Sobre as diferenças entre estado, comunidade e capital:

Karatani, Kojin The Structure of World History – disponível aqui

___________ Transcritique – disponível aqui

Nascimento, Joelton DIREITO E INTERCÂMBIO SOCIAL – disponível aqui

Sobre a temporalização da história:

Koselleck, R. Futuro Passado – disponível aqui

Sobre a era das expectativas decrescentes:

Arantes, P. O novo tempo do mundo (Boitempo, 2014)

Lasch, C. A Cultura do Narcisismo: A vida americana numa era de expectativas em declínio – disponível aqui
Sobre a massa anônima e o desejo na modernidade:

BRETON, A. 1928 Nadja – disponivel aqui
POE, E. A. O homem da multidão disponível aqui

Sobre a relação entre lei e transgressão:

LACAN, J. 2008 “Da Lei Moral” em Seminário VII: A Ética da Psicanálise – disponível aqui
ZIZEK, Slavoj 2010 Como Ler Lacan – disponível aqui