NOTA CEII SP #3 [16/02/3017]

O CEII mudou de lugar. Bem, uma pergunta para ser feita aqui poderia ser: Qual lugar o CEII ocupa? Acho que seria interessante conseguirmos investigar isto. Porque, na economia libidinal dos sujeitos a gente vê que uma “militância fit” – que caiba para você, nos levou ao esvaziamento dos encontros e a uma verdadeira fuga dos participantes. Por outro lado, agora vemos que temos um novo desafio, o que poderia justamente promover a aposta inquietante de que talvez devemos focar em quem está na reunião e não naqueles que deixam de ir? Bem, um princípio matemático, a saber, da contagem de notas nos impede de ignorarmos o ponto dos ausentes. Então, penso justamente na resistência à nota – único vínculo com o CEII. E mesmo ciente de que o sujeito sempre resiste e encontra maneiras de ludibriar seu convite à cumprir com a exigência… me questiono: será que estamos colocando em questão as consequências desta negligência? Como estamos operando com isto? E sendo assim, ir ou não ir, não é simples assim, não se trata de um modo binário. Há aquele que vai, há aquele que não vai. Mas existem aqueles que se fazem presentes, existem aqueles que simplesmente, estão confortáveis em se esvair, pouco a pouco dentro desta invenção. Os modos de participação e as modalidades econômicas variam, não tem regra ou cálculo preciso para isto. Há um tanto de situacionismo, também um bom tanto de cuidado.

Porém, uma coisa é certa: o CEII SP é uma célula assombrada. Quando não se tratam dos fantasmas do passado e dos antigos sintomas que tornam a se repetir, são os fantasmas do presente, os membros que estão se distanciando mais e mais,…, sempre nos colocando (mesmo que silenciosamente) essas questões.

Logo, me parece com mais e mais clareza que, mudamos de lugar – mas não mudamos de posição, ainda ocupamos os mesmos lugares. Há um saber-fazer que ainda não foi devidamente colocado à prova, há uma repetição que ainda não aprendemos a superar e que, seguimos nos chocando contra, sem acharmos uma boa saída. Que lugar é esse que ainda ocupamos que provoca tais reações e o que ainda não estamos conseguindo ouvir, disto que está silenciosamente, nos sendo dito?

NOTA CEII SP #2 [16/02/2017]

Acho q nós esquerda deveríamos discutir/definir/elaborar melhor o conceito de capital… Não só para nós mesmos, mas para tornarmos nosso discurso mais acessível e mesmo convincente; pois em público, ou em qualquer lugar q seja, ao falarmos com alguém que não é de esquerda ou apolitizado, a palavra “capital” soa vazia, intelectualizada, até elitista, ou no mínimo não diz nada… creio que falar em outros termos (e para isso é necessário ter uma boa compreensão, de modo que a torne simples) é imprescindível para atingir a maioria da população.

NOTA CEII SP [26/01/2017]

Relação ceei x sociedade.

Creio que poderíamos sim pensar em problemas da sociedade, mas aproveitando o caráter de laboratório social ou de coletividade que o ceei – também – é, e assim analisarmos primeiramente ou principalmente, nossa micro-sociedade ou organização que é o ceii, e  dessa forma extrapolando as conclusões (até porque, os nossos próprios e pequenos problemas são difíceis de resolver). Talvez como nos estudos de caso da psicanálise, nos quais aparecem algo de universal através de casos particulares.

NOTA CEII SP #1 [16/02/2017]

Não obstante, uma crítica ao CEII. [PARTE 4/4]

Precisamos entender que: “O “trabalho” abstrato […] constitui um princípio masculino fundamental que anda de mãos dadas com relações sexuais assimétricas, ou melhor, com a dominação masculina” (Roswitha Scholz). Entender isso é muito importante porque a dominação patriarcal, a despeito de nossas escolhas, incide em todos os espaços nos quais historicamente as mulheres foram alijadas. No Valor é o homem a grande teórica alemã mostra como as atividades, inclusive teóricas e políticas, são masculinizadas e campos marcadamente dominados pela lógica patriarcal inerente a forma de dominação capitalista. Nesse sentido, não se ater a tais questões e inclusive problematizá-las no interior do círculo é deveras problemático. Isso quer dizer que as forças irresistíveis que atuam sobre nossas costas moldam uma formação que se não for problematizada em sua masculinização é muito problemática. É preciso que olhemos para essa questão com cautela e sem incidir no identitarismo, tentando compreendê-la a partir de seu germe que é reforçado pela dominação do valor e da mercadoria.

NOTA CEII SP [02/02/2017]

A época do eu-empresa [PARTE 3/4]

Como sabemos algo muito sério ocorreu com a guinada e mudança histórica no que se convencionou chamar de reestruturação do processo produtivo a partir de finais dos anos 1970. Comumente conhecido como processo de neoliberalização. A competição intra-classe foi levada como medida econômica substancial para moldar as novas formas de disputas no mercado de trabalho. A “nova” subjetividade no espírito do toyotismo formou um Eu “universal” que acaba sendo a nova medida de todas as coisas. Grosso modo, se antes para adentrar as indústrias, ou os postos de trabalho, o currículo era irrelevante, após está reestruturação toda sociabilidade irá se reduzir a busca de “formação” para o mercado. Aí se reduziria toda a subjetividade também: estando uma vez preparado para o mercado se está preparado para tudo. Deixando de lado aquela máxima de Sócrates de que o pior erro é acreditar que porque se sabe de uma coisa, se sabe de todas as demais; todos os indivíduos agora sabem tudo. Com o advento da internet esse estigma se espalharia como um rastilho de pólvora no tonel da ignorância e anti-intelectualismo. Tal problema se coloca na ânsia de resposta antes de formulada a pergunta. E por mais que achemos que estamos distantes dessa máxima, na verdade ela está entranhada na nossa medula e só há muito custo conseguimos nos livrar. Isso tudo é traduzido na tentativa sempre gritante de saltar-se a formação antes mesmo de iniciá-la. Por exemplo, é muito comum atualmente, recém-ingressantes, de esquerda ou de direita, subestimarem os longos anos de formação de um professor e chegarem na academia já antiacadêmicos. Isso quando o antiacademicismo não é sinônimo do fascista anti-intelectualismo. As degenerescências provocadas por tais atitudes são visíveis em todos os lugares: 1) todo pressuposto teórico deve ser negado (descartado porque meu gosto aponta que isso não fará diferença na minha vida; 2) não negado o pressuposto teórico, esse é um curso que não me convém, portanto, ele nega a mim. Logo se vê que na época do eu-empresa toda formação é de saída castrada. A competição toma o reino e a solidariedade, paciência e perspicácia numa ideia é coisa de neurótico.

NOTA CEII SP [26/01/2017]

Um sintoma de época irritante. [PARTE 2/4]

Em grande parte das reuniões do CEII uma macula fica presente: O que diabos este grupo quer de fato? E aqui preciso responder com um trecho do belo poema de Antonio Machado: “Caminhante, são tuas pegadas o caminho e nada mais; caminhante, não há caminho se faz caminho ao caminhar”. Melhor que, talvez, a resposta seja a problematização do porque precisamos de definição “imediata” do círculo que não existe? A meu ver, toda a questão está posta em dois pressupostos: de um lado, o saldo histórico de organizações de esquerda do passado que como um fantasma pesa sobre nossas costas; de outro lado, a tentativa de definição dos termos para uma atuação mais segura num mundo em ebulição. Se aferrar a ambas, contudo, é reincidir em imobilidade e saudosismo. Em saudosismo posto que a esquerda como projeto de emancipação está com data vencida (quando penso na esquerda aqui, penso como Badiou: revolucionários são os comunistas e anarquistas, a despeito de se definirem enquanto tais), e imobilidade posto que a autodefinição se torna facilmente sedimentada e ortodoxa. A questão é posta para ser superada. Nós não enterramos nossos mortos (a esquerda e seus partidos) e, portanto, ainda não fizemos o trabalho de luto. Então, a questão feita por seus membros não é frívola, no entanto, marca-nos com um sintoma que é recorrente em toda organização de esquerda. É preciso superá-la, talvez, a questão: não é o que queremos, mas, o que necessitamos? Querer aqui pressupõe que a formação esteja concluída, necessitar é buscar pela formação (Buildung). E num mundo em que todos têm resposta, talvez, se manter na dúvida e refletir com nossos teóricos, pressupostos desde o início do círculo em potência, seja mais saudável do que pregar para convertidos!

 

Ainda sobre The OA

No The OA há apenas duas formas de sair da prisão: 1) o membro da prisão morre (e a morte aí não é um final, mas um começo de uma vida pós-túmulo); 2) ou, se luta coletivamente para sair da prisão. Essa metáfora pode ser adaptável para o círculo, fora de nossa prisão há centenas de outras, apesar de que para vivê-las é preciso morrer para o grupo que compõe o círculo. A questão é muito simples: não se foge da prisão individualmente, com o peso de cair em outra, é preciso destruir as cadeias coletivamente.

NOTA CEII SP [19/01/2017]

The OA e The CEII: uma reflexão sobre a saída da camarada Priscila. [PARTE 1/4]

 

No novo seriado da NETFLIX há uma estranha interação entre pessoas que passaram pelo mesmo trauma. Todas de algum modo sobreviveram a morte, foram raptadas e presas numa interessante “cela” de vidro na qual se veem, mas não podem se tocar. Compartilham suas experiências oralmente, mas não podem sentir nada. E apesar de se apaixonarem não podem realizar a experiência do amor. Cada um dos Membros da “prisão” detém alguma característica peculiar e especial. A única coisa que dividem é a mesma água (não seria o mesmo interesse, ou livro, como nós?). Fatalmente há aqueles que não querem dar ouvidos aos outros e preferem se manter no bloco do eu-sozinho contra o disparate do forçoso coletivo “da prisão”. A lição da série, em sua primeira temporada, é a seguinte: o milagre só pode ocorrer coletivamente! O CEII tal como The OA é a realização potencial de um coletivo que, todavia, não chegou ao ato. Mas, minha comparação aqui entre nosso querido círculo e o The OA não diz respeito ao fato de sermos um grupo especial, podemos até ser anjos em alguma medida, no entanto, é a condição histórica de nossa existência enquanto grupo que institui nossa condição (e não o contrário, apesar de que só é possível, como no seriado, mudar nossa condição histórica rompendo o invólucro da individualidade, essa monada que nos ata ao ego).

 

Uma crítica adulta é o que precisamos.

Todos sabem que sou um membro, recém-chegado, do que jocosamente chamo de “seita”. E o que posso dizer, como turista aprendiz, é que: o círculo não se formou, mas, está em constante processo de formação. É um vir-a-ser constante que depende da disposição dos membros para nele atuarem (aliás, pressuposto do próprio projeto do círculo). Ou seja, o círculo não é um partido (graças a Deus!) como no The OA é preciso que descubramos os movimentos juntos e em processo de aprendizado. Embora, já tenha sido rotulado como grupo maoísta; como membros de uma esquerda pós-moderna para qual todo problema do mundo se reduz a gestão; como grupo da Chinesa de Godard (tudo isso eu escutei a respeito do CEII na USP). O CEII é só, como disse a camarada Priscila, um “grupo de estudos” com pressupostos postos e prontos para serem negados, desde que coletivamente e não a depender do gosto de cada um! Precisamos de uma crítica adulta no sentido de que até agora toda a discussão posta teve como pressuposição a crítica ao grupo como uma particularidade destacada do todo histórico.

NOTA #5 [14/02/2017] (RJ I)

Alguns aspectos da Revolução Chinesa (parte I)

 

1 – A RC de 1949 é um dos mais importantes desenvolvimentos do século XX. Foi um dos fatores que levaram o capitalismo à beira do precipício. Seu impacto, minimizado pela ideologia imperialista, foi gigantesco. Ela revelou a insuficiência do capitalismo.

2 – Com 25% da população mundial, a China esteve na base da ofensiva neoliberal do final dos anos 80, quando forma incorporados ao mercado de trabalho mundial (juntamente com o leste europeu), por efeito da privatização das empresas, cerca de 2 bilhões de trabalhadores.

3- Esse contingente amplo e barato de mão de obra promoveu uma hipertrofia do mercado de trabalho, deixando os sindicatos na defensiva, uma vez ameaçado o valor de barganha do emprego, deflacionado. No Brasil, foi o que permitiu na era Collor, FHC e mesmo Lula, o desmonte das indústrias nacionais .

4 – Também nos EUA, Inglaterra, França e Itália, houve uma depressão da mão de obra graças à China. Um componente eletrônico importado de lá, por exemplo, saía bem mais barato do que o mesmo produto feito aqui. do mesmo modo, os brinquedos chineses tomaram conta do mercado mundial.

5 – Em 1989 houve uma queda global da inflação devido à China, o que nos permite avaliar sua importância para o capitalismo.

6 – A Revolução chinesa: é um lugar comum se dizer que a revolução é um ato que ocorre num curto espaço de tempo. Mas isso não é verdade, é uma visão anhistórica do evento. As revoluções são o culminamento de um longo processo de desagregação do velho regime, com a tomada de poder por uma nova classe.

7 – Qual a origem da revolução chinesa? Ela é um sintoma da desagregação do capitalismo em 1949, secundado pela revolução cultural de 1968 e o momento posterior da privatização, sem atingir um nível de estabilidade definitivo.

8 – A china é uma das civilizações mais antigas do mundo. Ela já existia há 1500 anos quando o Brasil foi “descoberto”.  Do ponto de vista econômico, ela apresenta uma situação peculiar.

9 – Enquanto na Europa a propriedade comum se tornou privada (época do escravismo), na china a exploração na se fundou na propriedade da terra. No modo de produção asiático, a elite (de guerreiros) tinha antes por função viabilizar a produção.

10 – Criou-se, antes de Cristo, um Estado burocrático que dominava os meios técnicos para a agricultura, constituindo uma elite concursada. ela detinha um saber, era portadora de progresso. Como na Grécia, tratava-se de uma minoria  escravocrata e progressista.

11 – Contudo, esses detentores do saber terminaram por se converter numa casta reacionária de proprietários de terra. O saber tornou-se formalista e vazio de conteúdo, um ritual sem eficácia prática.

12 – Em 4 A.C., Confucionismo: uma ética do funcionamento chinês que serve para manter as aparências, o que mostra o esgotamento da estrutura social. O desenvolvimento chinês é lento, através de várias “dinastias”, que são substituídas quando atingem um ponto de saturação.

13 – A dinastia Ming, por exemplo, se inicia com um camponês intelectual. De todo modo, há apenas estabilidade sem desenvolvimento. A China é um regime estacionário, em que a revolta camponesa não fazia senão recolocar as coisas no mesmo rumo principal, sem modificar o modo de produção.

14 –  Foi necessário que o capitalismo europeu introduzisse um elemento de fora, o comércio inglês, que abriu o mercado chinês para os produtos importados.

15 – Esse capitalismo introduzido de fora, de forma não isenta de violência – pensemos na Guerra do ópio, promovida pelo governo da “moralista” Rainha Vitória  – gerou duas classes embrionárias, lá onde havia tão somente latifundiários e camponeses: a burguesia e o proletariado.

16 – Daí, o processo de amadurecimento das condições da revolução durou 100 anos, destituindo por fim a antiga ordem.

17 – A tradição rezava que cabia ao Imperador manter a harmonia entre a natureza e a sociedade, segundo uma ordem “cósmica”. Quando a perturbação era grave, uma dinastia era substituída por outra. A invasão estrangeira os fez pensar que o pacto celeste havia sido quebrado.

18 – Houve duas crises revolucionárias importantes, a de Tal-Ping, que se considerava um segundo Jesus Cristo; e a dos boxers (Boxeadores), uma seita de fanáticos nacionalistas que pregavam a destruição violenta dos estrangeiros, mais ou menos como ocorre hoje com os árabes. ( A religião, como se vê, é a sucedânea de uma ideologia revolucionária, numa reação cuja base é econômica ). Ambas essas crises foram no fim esmagadas pela ação dupla do Imperador e do Imperialismo.

19 – Como é mostrado no filme de Bertolucci, “O último imperador”, em 1911 a dinastia cai e se estabelece a modernização republicana da China com Sun Yat Sen, que é substituída por uma ditadura composta pela burguesia e pelos latifundiários.

20 – Nesse quadro novo, novas forças se formam, o Kuomintang burguês e o PC chinês, que se unem para combater os senhores da guerra, sendo vitoriosos.

21 – Em 1927, Xiang kai chek, líder do Kuomintang, rompe com o Partido comunista e o lança na ilegalidade.

NOTA #3 [14/02/2017] (RJ I)

“Que fazer?”

Esta foi a pergunta central que Lênin se fez após os eventos ocorridos na Revolução de Outubro, não a toa, é também essa pergunta que intitula talvez seu mais famoso livro. Recordo-me de uma referência de Toni Negri denominado “Adeus senhor socialismo” onde o socialismo é considerado o verdadeiro inimigo do comunismo ao mesmo tempo em que me recordo da chamada doença infantil do comunismo denominada esquerdismo.

De acordo com as discussões ocorridas em nossa última reunião e diante da espreita do conservadorismo e do ativismo reacionário que aquece os corações de grande parcela da população, não só do Brasil mas no mundo, e da fragmentação do bloco de esquerda, fico pensando em como devemos proceder no sentido de organizar os partidos de esquerda. Confesso que nunca deixei de acreditar na luta de classes, por mais que muitos me dissessem com seus discursos babosos embebidos de antimarxismo  que este conceito já estava superado e demasiadamente antiquado. Penso que hoje talvez fosse necessário forjar um novo conceito de luta de classes para compreender o que se passa diante de nossos olhos. Como proceder na luta em um momento como este? Devemos trabalhar para unir a esquerda ou seguir no cada um por si? Ou devemos abandonar a pecha esquerdista do igualitarismo e dar voz a um comunismo verdadeiro não induzido por forças totalitárias mas de uma forma orgânica e coletiva? No caso do Brasil, devemos reatar os laços com o PT ou permanecer cada um em seu canto?

São muitas perguntas que surgem na instabilidade deste turbilhão onde o grande desafio é encontrar respostas para elas agora, mas quanto mais buscamos, mais elas parecem distantes. Em tempos de hoje, até fornecer uma opinião parece devaneio ou mero capricho. Portanto permito me humildemente a não traçar nada no sentido do vislumbre de uma resposta a não ser uma pergunta que invoca um silêncio que ainda insiste em repousar sob nossos lábios: Que fazer com a esquerda, que fazer para ser comunista, que fazer?

“Que fazer?”

Esta foi a pergunta central que Lênin se fez após os eventos ocorridos na Revolução de Outubro, não a toa, é também essa pergunta que intitula talvez seu mais famoso livro. Recordo-me de uma referência de Toni Negri denominado “Adeus senhor socialismo” onde o socialismo é considerado o verdadeiro inimigo do comunismo ao mesmo tempo em que me recordo da chamada doença infantil do comunismo denominada esquerdismo.

De acordo com as discussões ocorridas em nossa última reunião e diante da espreita do conservadorismo e do ativismo reacionário que aquece os corações de grande parcela da população, não só do Brasil mas no mundo, e da fragmentação do bloco de esquerda, fico pensando em como devemos proceder no sentido de organizar os partidos de esquerda. Confesso que nunca deixei de acreditar na luta de classes, por mais que muitos me dissessem com seus discursos babosos embebidos de antimarxismo  que este conceito já estava superado e demasiadamente antiquado. Penso que hoje talvez fosse necessário forjar um novo conceito de luta de classes para compreender o que se passa diante de nossos olhos. Como proceder na luta em um momento como este? Devemos trabalhar para unir a esquerda ou seguir no cada um por si? Ou devemos abandonar a pecha esquerdista do igualitarismo e dar voz a um comunismo verdadeiro não induzido por forças totalitárias mas de uma forma orgânica e coletiva? No caso do Brasil, devemos reatar os laços com o PT ou permanecer cada um em seu canto?

São muitas perguntas que surgem na instabilidade deste turbilhão onde o grande desafio é encontrar respostas para elas agora, mas quanto mais buscamos, mais elas parecem distantes. Em tempos de hoje, até fornecer uma opinião parece devaneio ou mero capricho. Portanto permito me humildemente a não traçar nada no sentido do vislumbre de uma resposta a não ser uma pergunta que invoca um silêncio que ainda insiste em repousar sob nossos lábios: Que fazer com a esquerda, que fazer para ser comunista, que fazer?