NOTA CEII SP #1 [26/01/2017]

A última reunião foi bem produtiva, com discussão de vários tópicos importantes para este ano. Estamos discutindo a escolha de temas para apoiar a nossa leitura. Gostei de todos os temas sugeridos até o momento, pois todos se relacionam com problemas e reflexões que temos que lidar. Greve, democracia, militância são questões que merecem ser analisadas sobre a ótica dos autores que fazem parte do projeto do CEII, por exemplo. Além disso, discutimos possíveis tópicos para nosso planejamento estratégico. Assim, ao final do ano, podemos analisar tudo que fizemos e verificar onde fomos bem e onde podemos melhorar.

Por último, tem algo que anda me incomodando. Pode ser só impressão minha, mas as vezes parece que temos dificuldade em avançar nas nossas discussões e chegarmos a um consenso. Fico com a impressão de que muitas discussões nas reuniões são empurradas para o grupo do Facebook e vice-versa. Assim, parece que ficamos adiando decisões ou evitando-as.

NOTA CEII SP [19/01/2017]

A primeira reunião do ano nos levou a uma reflexão importante, já sintomática, de que o CEII SP não estava bem e podia melhorar. Como sintomas, tínhamos a diminuição do número de membros, a diminuição do engajamento, e o acúmulo de notas atrasadas que levam ao cancelamento de reuniões, as vezes sucessivos. O resultado foi a discussão de novas ideias e sugestões de novas dinâmicas, principalmente depois de uma leitura de certa forma maçante da obra do Badiou. Ao fim, nos pareceu interessante apostar em outra dinâmica de leitura. Ao invés de lermos uma obra de cabo a rabo, sugeriu-se uma leitura temática. A aposta é que a adição de temas, contextualize a leitura e deixe a discussão mais dinâmica, permitindo, quem sabe, uma maior abertura para convidados e interações de acordo com o tema escolhido. Ao final, com um maior engajamento, estamos apostando na produção de um material com o tema discutido que possa ser distribuído de alguma forma, ou pelo menos, que sirva para registro de nossas atividades e esforços.

NOTA CEII SP [19/01/2017]

Para avançarmos na relação com o partido temos de superar a divisão entre trabalho intelectual e trabalho braçal. Tanto no sentido de não nos pensarmos como trabalhadores intelectuais, em contraposição aos trabalhadores braçais, quanto no sentido de não entender o estudo, a leitura e afins como trabalho puramente intelectual.

A máxima que parece ser importante para cada um dos membros do CEII interessados em pensar as tarefas necessárias para o tomada do poder é de que o que temos a oferecer ao partido (seja ele qual for, podendo até mesmo ser o próprio CEII) é prática. Nesse sentido, pensar as tarefas da tomada do poder é se colocar dentro dos movimentos, ao lado das pessoas, que estão pensando isto. Seja numa associação de pós-graduandos, de bairro, num movimento social por moradia, transporte, saúde, educação ou mesmo o braço eleitoral de um partido, a possibilidade de pensar os problemas está condicionada pela posição em que nos colocamos. Ou seja, se estamos fora de uma posição cuja função é achar problemas e soluções para a realização da mudança (ou seria melhor indeterminação, indiferenciação) das relações de poder ficamos presos no imaginário, fantasiando quais são as questões práticas (cotidianas, singulares) da esquerda hoje.

Continuo concordando que ser membro de um partido, movimento social ou similar não deve ser condição para a participação no CEII. Mas se o CEII é um espaço para pensar as tarefas necessárias para a tomada do poder acredito que a participação no CEII deve ter a finalidade de produzir a necessidade desse engajamento, se não para além do CEII, ao menos através do CEII. O que cabe  a nós é nos ajudarmos a criar essa necessidade e (tão importante quanto) as condições de possiblidade para o engajamento de cada um dos participantes.

O CEII é produto das contradições enfrentadas pela esquerda no capitalismo. Existem outras organizações, parte de organizações e pessoas tão enfaticamente preocupadas com os problemas que nos colocamos. Cabe a nós fazermos desses questionamentos difusos,questionamentos coletivos. Tenho convicção que não faremos isso sem estarmos engajados em organizações outras que não somente o CEII. Penso que não é obrigação de nenhum dos participantes fazer isso. Mas se nós podemos, nós devemos.

NOTA #1 (25/01/17) PR

Camaradas, transcrevo um pequeno texto de Rodrigo Petronio sobre a conjuntura global:

Narendra Modi na Índia, Recep Tayyip Erdogan na Turquia, Putin na Rússia, Xi Jinping na China, desintegração da União Europeia, Brexit e agora Trump nos EUA. Desde que me conheço por gente, ouço discursos de crítica ao capitalismo e propostas de alternativas ao capitalismo.

Finalmente, a alternativa ao capitalismo chegou. E essa alternativa ao capitalismo não é uma comunidade autogestionada de hipster de bigode e suspensórios, que andam de bike e coordenam plantações orgânicas sustentáveis. A alternativa ao capitalismo se chama: nacionalismo.

Em 1945, o nacionalismo foi jogado na lata de lixo da história. Sobreviveu como uma espécie de resíduo anacrônico em algumas partes do mundo, sobretudo em países em desenvolvimento. Contudo o conflito decisivo da segunda metade do século XX foi entre duas potências internacionalistas: o liberalismo e o comunismo.

Com a vitória do liberalismo, vivemos entorpecidos uma alegre orgia liberal e os gozos globalizados do capital flutuante. E fazia sentido. O liberalismo de fato empreendeu incríveis progressos em todo mundo. Suspeito que a grande parte dos críticos do liberalismo não tenham a menor ideia do que seria o mundo caso os comunista ou os nazifascistas, ou seja, os internacionalistas de esquerda e os nacionalistas de direita tivessem ganhado a guerra.

Se olharmos deste ponto de vista, a confusão mental da esquerda liberal e dos neoconservadores, no Brasil e no mundo, pode ser compreendida com mais facilidade. Deve-se ao fato óbvio de que a censura ideológica que inaugura o século XXI não é mais entre esquerda e direita. É entre os diversos neonacionalismos e o colapso do internacionalismo liberal.

O sintoma desse colapso é evidente pelo recrudescimento dos discursos de extrema direita e se extrema esquerda. E também fica muito visível pelo silêncio complacente ou com a clara adesão da esquerda à eleição de Trump, por exemplo. O fato do palhaço dos conservadores ter um discurso beirando o fascismo pouco importa. À medida que Trump representa o terremoto nacionalista que está enterrando os liberais, Trump se torna automaticamente interessante para o cinismo da esquerda revolucionária.

Eu, como liberal, tenho ojeriza desse movimento. Entretanto, olhando de modo estratégico e frio, sinto cada vez mais que o nacionalismo tem se tornado a peça-chave do xadrez político do século XXI. Quem conseguir compreendê-lo e usá-lo em seu favor, estará um passo à frente em todos os sentidos.

Os conservadores já deram a largada. Resta saber se esse movimento mundial é apenas um momento negativo na dialética do capitalismo liberal. Se assim for, não vai durar muito. E a queda será um colapso econômico e social monumental. Caso não seja, passaremos por um mudança estrutural da ordem global em poucas décadas.

De qualquer forma, esse movimento não deve arrefecer tão cedo. E o Brasil precisará se alinhar a ele para reverter a crise e voltar a crescer. Resta saber se a esquerda vai continuar surfando na marola cor-de-rosa do bem-estar social e da social-democracia liberal. Ou se terá fôlego para criar a curto prazo uma narrativa forte, nacionalista e convincente.”

NOTA #1 [17/01/2017] (RJ I)

DA GASTAÇÃO AO CONCEITO*

047 – Passeando pela programação da net, me deparo com o programa “A família debaixo da graça”. Não sei vcs, mas eu achei que fosse filme pornô.

041 – Tá vendo muita parada trash, mano

047 – Trash é vida.

047 (again) – (Hegel curtiu essa coincidência de opostos, bem como essa inversão dialética do comum (“A vida é trash”))

041- NET, programa evangélico, filme pornô e Hegel – tudo no mesmo post. Isso é uma pérola.

047 – A dialética ainda se redobra, ou desdobra, pelo menos duas vezes: 1) Tanto assunto (como efeito do dito) em único tuíte: a própria forma espelha a coincidência de opostos do conteúdo. 2) Também espelham o conteúdo em sua oposição a relação entre origem mesma de toda essa coisa de coincidência de opostos (Hegel) e seu lugar de manifestação agora (facebook, twitter), entrr a (pseudo?) profundidade da especulação filosófica (hegeliana) e a (alegada) superficialidade das redes sociais. Onde está o mais alto, o superior, e o mais baixo, o inferior, deixo por sua conta. Seja como for, isso só confirma que não só estou vendo, mas também lendo e escrevendo muita coisa trash, mano.

041 – Camarada

047 jamais me decepciona na gastação filosófica.

047 – E para promover mais um encontro entre opostos, e transformar a gastação a trabalho (de verdade), vou converter essa conversa em nota para o Círculo. *A ser lido tanto como um movimento (que parte da gastação e chega ao conceito) quanto como un título de tratado (“Sobre (fazer um)a gastação com o conceito”)

NOTA #3 [10/01/2017] (RJ I)

Na ultima reunião discutimos a proposta do Badiou que desloca a analise da luta de classes do objeto para analise do sujeitos. Vejo que esse seja mais um argumento para que realizemos projeto de “Introdução à psicanalise para Comunistas”. Entendo que a psicanalise oferece os recursos para a analise do sujeito.

NOTA #2 [10/01/2017] (RJ I)

O LADO FORMAL Duas coisas fundamentais me parecem merecer sempre ser sublinhadas para o Círculo enquanto organização que reflete sobre si seus debates e deliberações sobre organização: 1) a explicitação das regras que livremente decidimos fazer valer para nós mesmos, o lugar onde se dá ao pé da letra da autonomia do coletivo — essa “formalidade m” é essencial; 2) a aposta de que a igualdade se faz pela forma de organização, não necessariamente pelo conteúdo do que é tratado — mas que, por outro lado, esse lado formal, princípio de organização, precisa refletir sobre o conteúdo mesmo, como efetivação que não desmente o princípio formal.