NOTA CEII SP #4 [08/12/2016]

Nesta nota gostaria de colocar um ponto sobre a escolha do texto para leitura. Penso que seria interessante um processo de escolha argumentativo no qual colocaríamos em debate o conteúdo do livro e o contexto atual ou um processo do grupo. Entendo a prática do sorteio, mas penso que numa próxima vez poderíamos pensar em um processo mais elaborado de escolha.

NOTA CEII SP #3 [08/12/2016]

Nessa nota trago alguns temas que de certa forma estão relacionados e, ainda vejo como algum tipo de tabu, talvez na cultura em geral, mas que com toda certeza o são na esquerda; são eles: “liderança” e “narcisismo”.

Quanto ao primeiro, vejo que muito comumente a liderança é entendida, de saída, como algo nocivo ou necessariamente ruim, e tida como algo a ser combatido e negado a todo custo sem maiores reflexões; ao passo que na maioria das vezes em que se profere esse discurso, na verdade, negligencia-se, ou mesmo, se invisibiliza as lideranças que ali estão, e que agora, às escondidas, se instalam com muito mais força e assim muito mais inclinadas ao autoritarismo.  O que me remete a não tão velha questão “horizontalidade x verticalidade”, onde os adeptos da primeira parecem-me aderir, de pronto, à um igualitarismo cego, onde toda estrutura de poder juntamente com as lideranças devem ser negadas, mesmo que “aqueles com o megafone” sejam sempre os mesmos. Sou da posição de que a liderança não é intrinsicamente ruim, assim como nem todo líder é um líder autoritário, por mais que provoque ressentimento naqueles que desejam ocupar tal lugar; lugar esse que, advém de fatores quaisqueres como identificação pessoal, nível de dedicação do camarada, percurso pessoal, simpatia etc… o que me remete ao segundo tema, o “narcisismo” que é bastante usado mas creio que as vezes de uma maneira um tanto rasa, e mais alinhada a um senso comum, como sinônimo de egoísmo, ou heroísmo; de toda forma (bem como a “liderança”) é tido como algo possível e, mesmo, que deve ser eliminado; mas que ao ser negado, (novamente, como na liderança), aparece com mais força, e é reconhecido sempre no outro, e nunca no acusador, que ao acusar se investe de um altruísmo, portanto, invariavelmente narcísico, já que  narcisismo também é investir-se a si mesmo.   

NOTA CEII SP #2 [08/12/2016]

“Essa subordinação latente das verdades ao seu sentido histórico implica que podemos falar “em verdade” de políticas comunistas, partidos comunistas e militantes comunistas. Mas vemos que, hoje, é preciso evitar essa adjetivação. Para combatê-la, tive de afirmar inúmeras vezes que a História não existe, o que concorda com minha concepção das verdades, ou seja, que elas não têm nenhum sentido, sobretudo no sentido de uma História. Mas hoje devo precisar esse veredito. Não há dúvida de que não existe nenhum real da História, portanto é verdade, transcendentalmente verdade, que ela não pode existir. O descontínuo dos mundos é a lei do aparecer e, portanto, da existência. Contudo, o que existe, sob a condição real da ação política organizada, é a Ideia comunista, operação que está ligada à subjetivação intelectual e que integra, no nível individual, o real, o simbólico e o ideológico” (p.79 do PDF)

Esse me parece um ponto bastante interessante pelo qual passamos na última reunião sem muita discussão – a não ser pelo comentários de que os marxistas mais ortodoxos dariam cambalhotas frente a afirmação de que a história não existe. Penso que essa “substituição” da sequência histórica, por uma sequência de verdades vale ser discutida, Me parece que há nesse trecho uma alusão clara ao Lógica dos Mundos que valeria um discussão maior.

NOTA CEII SP #1 [08/12/2016]

A leitura do livro do Badiou está chegando ao fim. Neste momento estamos lendo o último capítulo, chamado “A Ideia do Comunismo”, que tem sido muito interessante justamente por entrar no cerne do que nosso círculo se dedica a estudar, haja visto que estudamos a ideia e a ideologia. Na última leitura, Badiou fala, entre outros conceitos, sobre subjetivação, que é um conceito novo para mim. De forma sucinta, subjetivação é o processo de tornar-se sujeito. Lendo a respeito, esse processo refere-se a forma como o indivíduo enxerga e se relaciona com o mundo ao seu redor. Daí, não pude deixar de pensar que diante de tudo o que temos passado na política do nosso país, se justamente eu e outros indivíduos não estamos passando por esse processo de subjetivação, onde nos questionamos se, o quanto e como devemos nos envolver na crise e disputa política atuais.