NOTA CEII SP #5 [24/11/2016]

Os ataques do governo Temer e do Congresso continuam sem que a esquerda consiga fazer uma resistência efetiva. Ocorrem atos e ocupações em Brasília,  por conta da PEC 55, mas a esquerda consegue ter pouca unidade nos temas e credibilidade depois dos ajustes do governo Dilma. Quanto aos ataques à Lava Jato, por mais que seja uma operação tendenciosa, querem justamente que ela tenha se limitado ao impeachment.  É uma contradição que a esquerda precisa resolver, posicionar-se para que as investigações avancem

NOTA CEII SP #4 [24/11/2016]

O CEII SP hoje passa pelo o que entendo ser por uma crise grave. E, penso ter relação com o saber operar alguns mecanismos que são importantes. O primeiro, tem a ver com retomar o Projeto do CEII e ver, se realmente estamos cumprindo certos parâmetros mínimos que nos identificam enquanto uma célula. Segundo, cadê o PSOL no CEII SP? Terceiro, auto-crítica, a gente repetidas vezes toma que existem certos problemas de heroísmos, de pessoas que postas em lugares de dita “liderança”, sendo que a ideia é que nós sejamos os líderes de nós mesmos e quando levantamos essa “bola”, tornamos a repetir. Acho que é importante que sejamos mais autênticos na busca por uma solução para este ponto, que possamos criar alguma coisa diferente e que possa ser nossa, do nosso funcionamento. Quarto, o esvaziamento, esfacelamento da célula de SP, ao meu ver, tem a ver diretamente com a falta comentada no primeiro ponto. Acredito que a célula “espanou” não por excesso de base mas sim, por sua falta. É por não tomar o projeto que a célula caiu e não seu oposto. Quinto, ou “1.b”, os papéis de SG e +1 que ninguém parece querer topar – são vitais para fazer o projeto e há clareza SIM, do que é esperado destes. Certa auto-crítica e um maior cuidado, se fazem necessários para que possamos fazer com que as coisas parem de se repetir. Mudaram as pessoas, se repetem os mesmos problemas.

 

NOTA CEII SP [10/11/2016]

Gostaria que o +1 comentasse a seguinte passagem Zizek, “o capitalismo liberal-democrático é tido enquanto melhor cenário social possível; tudo que se pode fazer é torná-lo mais justo, tolerante e daí por diante. Uma simples porém pertinente questão surge aqui: se o capitalismo liberal-democrático é, se não a melhor, então a forma de sociedade menos pior, por que não deveríamos simplesmente nos resignar a ele de uma forma madura, e até aceitá-lo ardentemente? Por que insistir na hipótese comunista, contra todas as possibilidades?” à luz da discussão que tivesse sobre o texto do Badiou.

NOTA CEII SP #3 [24/11/2016]

” Porque não devemos nunca nos esquecer de que aqueles que não são nada só podem manter a aposta das consequências de seu aparecimento no elemento de uma disciplina nova – que é uma disciplina prática do pensamento” (BADIOU, 212, p. 72)

Esse foi um dos trechos que lemos na última reunião e que me chamou atenção. Se possível, gostaria que falássemos um pouco sobre isso na nossa próxima reunião. Penso que de alguma forma esse trecho toca em aspectos importantes que guiam a origem e funcionamento do CEII. Me parece, apesar de pouco presenta nas últimas reuniões, que novamente enfrentamos um momento de baixo investimento por parte dos membros no CEII. Acho que pensar nossa disciplina e nosso engajamento interno se faz necessário.

NOTA CEII SP #2 [24/11/2016]

A eleição do crivella no rio, pode nos ensinar muito, e contribuir ao nosso pensamento sobre Partido, movimentos sociais e o projeto do ceii no referente participação em partidos; pois, crivella não vem de partidos (e, mesmo, à eles me parece indiferente), mas da igreja (seria ela um movimento social ?).

Logo, toda sua base e força política adviria de fora do partido, principalmente de sua enorme base de fiéis. Eis que me vem algumas questões: seria um exemplo de sucesso no quesito “aliar as bases ao partido”? De se estar dentro e fora da política partidária, submetendo o partido a forças exteriores a ele? Quanto a última pergunta, creio que não exatamente, pois no caso desses pastores-políticos, vejo uma submissão do fiéis a interesses de fato não do partido, mas de interesses privados desses políticos.

De toda forma, o que me parece inegável é a proximidade desses líderes com sua base, indo da base ao partido, e não inversamente como é feito nos partidos de esquerda.  O que remete ao comentário de um camarada na ultima reunião, que esses fazem o que a esquerda não tem feito, que é atuar no sentido da organização da vida dessas pessoas. E talvez este seja o viés negligenciado pela esquerda, e a faz cada vez mais longe de sua base, e daqueles que em seu nome fala – os trabalhadores.

NOTA CEII SP #1 [24/11/2016]

Esta nota é algumas reflexões sobre a necessidade de uma organização de novo tipo para o contexto atual. São reflexões a partir da leitura de A hipótese comunista e outros textos. Coloco em tópico alguns princípios e tento imaginar aspectos de uma organização de novo tipo
 – O sentido da política em disciplinar as despesas pública em beneficio dos imperativos econômicos e financeiros se tornaram a regra comum. O esfacelamento do PT com seu apaziguamento e projeto de mudança por dentro da ordem do qual se tornou cumplice  com submissão dos trabalhadores organizados e movimentos sociais precisa ser superado.  
– É preciso criatividade para sair da encalacrada da constante identificação da esquerda com o petismo que acabou por deslegitimar a influência da esquerda nas classes populares. É preciso lutar contra a dependência e a desigualdade em nosso país. Assim como Plínio em 2010 centrou sua campanha para combater o muro da desigualdade. Contra o consenso da gestão petista o confronto político dos movimentos sociais. Contra o mito do crescimento econômico, a superexploração do trabalho e do ambiente a necessidade de direitos para o bem viver. 
 
– Pensando a organização é necessário combinar a criatividade das formas participativas de protesto social surgidas em junho de 2013 e na ocupação das escolas com as formas clássicas de expressão dos trabalhadores, como o partido e o sindicato. 
– Uma organização precisa combinar a luta dentro da ordem com a luta contra a ordem. Como diz o coletivo DAR – é preciso dichavar o poder. 
– É preciso superar a dicotomia entre hierarquia e horizontalidade e propormos uma organização de movimento que combine a dimensão da autonomia com centralismo. Isto parece inconciliável, mas penso que é possível, eficiente na luta social e legítimo.
– Um grande problema dos partidos em relação aos movimentos – e também grande incômodo, sobretudo, dos mais jovens que participam das lutas sociais – é a disposição dos partidos em instrumentalizar a luta do movimento para outros objetivos. Nesta instrumentalização a experiência dos partidários vira controle das ações com discursos baseados em experiências anteriores. Um certo discurso de responsabilidade também se torna presente castrando as ações dos mais jovens.
– É possível a partir de um manifesto claro propor um movimento que tenha duas dinâmicas: uma horizontal, participativa que decide por si mesma a partir dos princípios deste manifesto. E outra que coloca em contato ou em dialogo as iniciativas descentralizadas. O centralismo se dá pela disposição em participar, pelo contato, pela influência e não pela instrumentalização. Qualquer decisão horizontal – de acordo com os princípios – poderá ser assumida pelos demais, assim como uma proposta central poderá ser assumida ou não pelos grupos. Ou seja, a tão esperada unidade de ação depende – como sempre – do convencimento.
– Mas quero dar um passo além na ousadia. Penso ser importantíssimo superarmos a setorialização das diversas lutas sociais. Uma organização que seja da saúde, de juventude, do feminismo, dos trabalhadores. Precisamos da COMUNA!

– Uma ou diversas comunas que vão ser de jovens e de adultos e de velhos, que vão ocupar escolas e lutar pela saúde, que resolveram na prática a superação do machismo. São comunas de confronto político e pré-figurativas de outra sociedade

NOTA CEII SP [10/11/2016]

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Esta imagem, que usamos na publicidade do da USP tem me feito pensar sobre a ideologia e como ela se expressa entre os comunistas. A garota pensando mais na revolução do que no beijo me parece ser exatamente o que a ideologia parece querer de nós hoje, um foco no trabalho mais do que nos laços. Nessa imagem o rapaz me parece muito mais revolucionário do que a guria.
Seguindo a trilha deste pensamento fico pensando sobre o tratamento “camarada”. Esse tratamento me parece propor um tipo de proximidade forçada, como se uma identificação política levasse automaticamente uma cumplicidade.

NOTA #7 [22/11/2016] (RJ I)

“”(…) E pairamos, frigidamente pairamos sobre os negócios e os amores da região. Ruas de brinquedo se desmancham, luzes se abafam; apenas colchão de nuvens, morros se dissolvem, apenas um tubo de frio roça meus ouvidos, um tubo que se obtura: e dentro da caixa iluminada e tépida vivemos em conforto e solidão e calma e nada. Vivo meu instante final e é como se vivesse há muitos anos antes e depois de hoje, uma contínua vida irrefreável, onde não houvesse pausas, síncopes, sonos, tão macia na noite é esta máquina e tão facilmente ela corta blocos cada vez maiores de ar. Sou vinte na máquina que suavemente respira, entre placas estelares e remotos sopros de terra, sinto-me natural a milhares de metros de altura, nem ave nem mito, guardo consciência de meus poderes, e sem mistificação eu voo, sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas, ligado à terra pela memória e pelo costume dos músculos, carne em breve explodindo. Ó brancura, serenidade sob a violência da morte sem aviso prévio, cautelosa, não obstante irreprimível aproximação de um perigo atmosférico, golpe vibrado no ar, lâmina de vento no pescoço, raio choque estrondo fulguração rolamos pulverizados caio verticalmente e me transformo em notícia.” Carlos Drummond de Andrade, “Morte no avião” In: A rosa do povo, 1945.

NOTA #6 [22/11/2016] (RJ I)

Algumas perguntas pro CEII convida: Edemilson Paraná

P: Você poderia começar explicando pra gente um pouco o que é a “financeirização” da economia?

P: Normalmente a gente pensa a especulação financeira como uma coisa dos grandes mercados internacionais: Wall Street, Europa… Mas no seu livro você estudou a fundo como que o mercado financeiro brasileiro também funciona em grande parte da mesma maneira: a automação de transações financeiras, o papel importante das novas tecnologias de informação e computação, também aparecem aqui no nosso quintal. A diferença entre Wall Street e a Bolsa de São Paulo, nesse sentido, é apenas de quantidade ou há uma diferença qualitativa na maneira como esse processo se dá aqui e lá?

P: Continuando nessa questão das similaridades e diferenças: o Brasil é um território extremamente heterogêneo – esse processo de financerização incide de maneiras distintas nas diferentes áreas do país, São Paulo, Pernambuco, Acre?. O que muda de um lugar para outro? Como isso se estrutura em relação às diferenças históricas e de estágios do capitalismo entre as regiões? Pra perguntar de maneira mais direta: existe mercado financeiro nacional mesmo? Ou isso isso só incide em alguns locais precisos e o resto continua como plataforma de acumulação, etc

P: É bem conhecida a tese de que, como o conhecimento não é um produto do trabalho no mesmo sentido que uma mercadoria qualquer é fruto de um processo produtivo, que quanto mais a economia mundial e o lucro dependem do conhecimento, e precisam de cada vez menos trabalhadores, mais se aproximam de solapar as próprias bases dessa economia. Como você vê a relação entre a financerização e o futuro do capitalismo?

P: Outra tese, ligada a essa, diz respeito à centralidade do trabalho na economia contemporânea. Se a especulação financeira é um processo que não depende tanto do setor produtivo, e se é cada vez mais o modo preferencial de circulação de capital, estaríamos observando mesmo o fim do trabalho como forma essencial de criação de valor?

P: Uma novidade dos avanços do mercado financeiro nas últimas décadas, que começa como fim da moeda internacional lastreada, significando uma certa quantidade de riqueza material guardada em algum lugar, é uma espécie de “plasticidade” do dinheiro. O que significa o dinheiro hoje? Quando trocas são feitas em alta velocidade nas bolsas de valores, entre dois computadores, sem nem mesmo ter interação entre as pessoas, o que diabos está sendo trocado?

NOTA #5 [22/11/2016] (RJ I)

Em Louis Althusser a partir de seus “Aparelhos ideológicos de Estado” um de seus pontos sobre a ideologia consiste em considerar que a ideologia interpela os indivíduos enquanto sujeitos.. O que seria esse sujeito? Ele é constituído ideologicamente , existem pressupostos ideológicos que recaem sobre o individuo que asujeita este ao discurso ideológico.

Na situação atual parece que a esquerda assumiu pautas identitárias como o feminismo e o aparato simbólico afro-brasileiro muitas vezes deixando de abordar um projeto de poder, ou um programa de governo.

Estariam então os partidos assumindo a postura de um sujeito ideológico?