NOTA #3 (20/10/16) PR

Em alguns estudos sobre educação infantil encontrei uma escola modelo chamada Reggio Emília na Itália que trabalha a criança como positiva capaz produtora de cultura. Expressões que se manifestam de várias formas de linguagem. O livro que fala desse modelo inicia com o seguinte poema.
AO CONTRÁRIO, AS CEM EXISTEM

A criança é feita de cem.
A criança tem cem mãos
Cem pensamentos
Cem modos de pensar
de jogar e de falar.
Cem sempre cem modos de escutar
as maravilhas de amar.
Cem alegrias para cantar e compreender.
Cem mundos para descobrir.
Cem mundos para inventar.
Cem mundos para sonhar.
A criança tem cem linguagens
(e depois cem cem cem)
mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura
lhe separaram a cabeça do corpo.
Dizem-lhe:
de pensar sem as mãos
de fazer sem a cabeça
de escutar e não falar
de compreender sem alegrias
de amar e maravilhar-se
só na páscoa e no Natal.
Dizem-lhe:
de descobrir o mundo que já existe
d de cem
roubaram-lhe noventa e nove.
Dizem-lhe:
que o jogo e o trabalho
a realidade e a fantasia
a ciência e a imaginação
o céu e a terra
a razão e o sonho
são coisas que não estão juntas.
Dizem-lhe
que as cem não existem
A criança diz:
ao contrario, as cem existem.

NOTA #1 [21/10/2016] (RJ II)

Nota para a formalização do meu LicenCEII:

  • Período: De hoje (27/10//2016) até fevereiro de 2017
  • Motivos: (1) Quero dispor de meu tempo e energia para estudar Marx. Acho que o Plínio tava certo quando indicou essa necessidade e colocou essa tarefa ao partido e acho que a gente erra quando não consegue assumir essa tarefa dessa forma. Acho muito bom e muito necessário tudo o que a gente estuda mas estou convencida de que estudar esses autores sem Marx dá ensejo a distorções que nos levam à vícios e impotências inerentes à nossa própria condição de classe. (2) A forma como tratamos nossa dimensão objetiva aqui no RJ. Acho que tem muita sujeira sendo jogada pra debaixo do tapete em nome de algo que eu não consigo entender muito bem o que seja. Existe muito auto-engano nesse ponto. (3) Não consigo levar a sério nenhum projeto que envolva comprometimento constante e gastos constantes (AssociaCEII, Bitrix e etc…) pq não acredito que conseguiremos resolver em uma escala aumentada os problemas que aparecem em menor proporção em nossas células. Acho inclusive que podemos arranjar grandes problemas. Mais uma vez, em nome de coisas que eu sinceramente não considero tão importantes.
  • Por fim, queria deixar um singelo conselho (se é que isso serve de qq coisa) para os meus camaradas de célula:  acho que os membros que ainda não completaram a sua graduação e muito menos uma pós-graduação (e a nossa célula concentra muitos desses) devem se atentar para o fato de que muitas vezes quando ouvimos coisas como –  “o CEII fez isso”, “o CEII tá sendo cogitado pra fazer aquilo” e etc… – na realidade, ao menos para mim, está claro hoje que não é bem o CEII mas o prestígio que alguns membros dispõem no meio acadêmico e/ou político (diga-se de passagem, muito justificadamente, pois são pessoas por quem eu tenho uma profunda admiração e respeito pela produção intelectual ou pela ação política!) e que esses camaradas levam o CEII para esses lugares. Então, cuidem dos seus estudos, façam a carreira de vocês, assim como muitos dos nossos camaradas tem uma bela carreira e uma produção realmente admirável. Não pensem que “o CEII” vai desempatar tudo pra vocês… pq não vai. “O CEII” não consegue sequer dar uma remuneração minimamente justa ao nosso SG – que tem uma dedicação ímpar ao coletivo – e infelizmente (salvo raríssimas e honrosas exceções) não está lá muito preocupado com isso. Temos outros vôos mais importantes, né?
  • Nossa última reunião foi ótima! Eu ficaria muito feliz se o coletivo pudesse funcionar daquela maneira.
  • No mais, eu espero estar errada nessa minha avaliação, pq se eu estiver poderei continuar desfrutando da convivência de todos vocês após esta licença. O que é meu desejo.

NOTA CEII SP #9 [13/10/2016]

A PEC 241 é um dos maiores ataques aos direitos sociais, humanos, civis, desde a proclamação da constituição de 1988. Os partidos e movimentos da esquerda, mesmo a moderada com o PT, se posicionam contra essa medida do governo Temer. Uma questão importante seria pensar qual a alternativa a ser apresentada pela esquerda. O governo Dilma. , ainda que em um grau menor, também vinha enfrentando a crise com ajuste fiscal. Como colocar em pauta alternativas como tributação de fortunas, auditoria da dívida pública, dentre outras? A esquerda consegue, no plano da economia,  livrar se de forma efetiva dos ditames do neoliberalismo? Que alternativas autores contemporâneos como Pikety podem oferecer pra nós?

NOTA CEII SP #8 [13/10/2016]

Muitos críticos afirmam que não há espaço para a política na teoria de Pachukanis. 
 
Porém o próprio Pachukanis esteve preocupado em destacar a importância de não fetichizar a política, o conteúdo do direito, como a fonte da desigualdade entre as classes, mas de compreendê-lo como uma forma correlata à forma mercadoria e suas necessidades estruturantes.
 
“As categorias jurídicas fundamentais não dependem do conteúdo concreto das normas jurídicas, isto é, elas conservam a sua significação, mesmo quando o conteúdo material concreto se altera de uma ou outra maneira.”

NOTA CEII SP #7 [13/10/2016]

Ao falar da declaração do Comitê Central de 10 de maio de 1871, Badiou desenvolve, mesmo que de forma resumida, um conceito sobre consequência. Para isso, lança mão da linguagem matemática, algo bastante comum em sua obra. Ele coloca que o conceito de consequência é importante para uma teoria sobre o aparecimento de uma política. Assim, Badiou fixa um valor de relação de consequência entre dois termos em uma situação pela mediação de seus graus de existência. Ele afirma que se um elemento a tem um valor p e se um outro elemento b na mesma situação existe em grau qb será consequência de a na mesma medida de dependência entre qp. Ou seja, uma consequência é uma relação forte ou fraca entre existências.

NOTA CEII SP #6 [13/10/2016]

A busca por um novo espaço tem se mostrado um grande desafio. Isso reflete bastante a realidade de nossa sociedade. Praticamente não existem espaços públicos. Toda e qualquer atividade é feita dentro de um ambiente privado e portanto tem um custo. Dia desses vi um filme, chamado “Nós Somos as Melhores” ou “Vi är bäst!”, no título original. O filme conta a história de três garotas que estão na adolescência e decidem montar uma banda de punk quando o estilo já estava em decadência. Lembrei do filme, por que na hora que elas decidem montar a banda, elas simplesmente vão ao centro comunitário próximo a casa delas, onde tem um estúdio de ensaio, e fazem uma reserva para o primeiro ensaio da banda delas. Sem custo, sem precisar comprar um instrumento, sem saber sequer tocar uma música. Pensando na nossa realidade, é um pouco frustrante perceber como é difícil conseguir um espaço que possa nos receber, como nossa sociedade parece viver a portas fechadas.