NOTA #6 [13/09/2016] (RJ I)

O idealismo material de Lênin e o romantismo alemão de Hegel

 

Esta é uma série de três notas que buscam complementar umas as outras por meio do encadeamento de suas ideias. Na verdade, poderia dizer que trata se de somente uma nota dividida em três, até para não ficar cansativa a leitura.

 

O que encontramos em trechos dos escritos de Lênin? Filosoficamente podemos identificar uma tentativa materialista de concepção do pensamento que acaba se aproximando de uma espécie de idealismo. Parece que para Lênin, não temos acesso ao absoluto, mas podemos fazer aproximações a ele por meio de conceitos. Ora, para Zizek esta concepção estabelece uma cisão entre o que está fora e o que está dentro do pensamento, como se houvesse algo exterior a ele. Isto decididamente é uma aproximação à uma temática Hegeliana.

NOTA #4 [06/09/2016] (RJ I)

Aqui conseguimos estabelecer uma aproximação com Lacan no entendimento de que para este o ímpeto de conhecimento do real está ligado a símbolos. O real é o mundo das representações simbólicas e desta maneira é possível conceber a forma como se dá entre todos em uma sociedade. Quando nos debruçamos sobre as representações estamos na verdade nos debruçando sobre o real. A partir deste ponto podemos seguir por dois caminhos: ou bem nos ocupamos da tarefa de pensar os limites do real e do simbólico, ou a concepção lacaniana concebe ambas as dimensões como parte de uma.

NOTA #11 [30/08/2016] (RJ I)

De acordo com tal linha de raciocínio, esta cisão, é para Zizek, de certa meneira o que ele chama de teoria do reflexo de Lênin. Zizek nos mostra que há uma ideia de que uma distinção entre idealismo e materialismo que se dá na alegoria judaico-cristã onde cristo na cruz diz: “pai por que me abandonaste “.

Poderíamos dizer que esta frase estabelece uma oposição entre a concepção material do judaísmo-cristão e concepção socrático-gnóstica do idealismo.

De fato podemos perceber esta mudança de ótica sobre o real a partir desta dualidade, e por esta declaração.

Por que se cristo ou o messias é Deus ou (melhor) a encarnação dele para ser mais preciso. É de se concluir que a ideia se fez no real de forma material.

NOTA #1 (22/09/16) PR

A pergunta: o que é? o que é ‘estar sendo’? Bem, apesar das inúmeras interpretações da filosofia hegeliana nesse tópico, uma me agrada bastante. É a resposta que de Beauvoir dá no Segundo Sexo (o uso do devir hegeliano como forma de constatar que o que é, já não é mais; e se não é, não foi.) O existencialismo casou com a Fenomenologia de Hegel,  Foucault reconhece na sua Gênese e estrutura da antropologia em Kant que, o problema do homem começa a ser respondido com Hegel e Marx, portanto, a questão de pensar o Eu tem vários nós e também nós (como pessoas [ Eu e os outros/ vários Eu’s]- não é atoa a dialética do reconhecimento em Hegel  –  aqui, queria ainda lembrar, na relação explicador e incapaz, o realmente incapaz é o explicador! pág. 20 do Mestre ignorante).
Quando falamos de Hegel e o seu Absoluto, acho importante salientar que esse não é algo estático ou imóvel. Como tudo na filosofia de Hegel é um mero momento do devir. Sobre a discussão do tempo(e toda a relação com a existência) aqui e agora, isso me lembra o primeiro capítulo da Fenomenologia. O agora como nesse momento único que, ao referir-me a ele já não é, desvanece.
Toda essa discussão relaciona tanto Hegel, Heidegger, os existencialistas e, também, a psicanálise.

NOTA CEII SP #2 [22/09/2016]

Isso da relação entre povo e partido era uma coisa que eu nem tava pensando. O que me incomoda com o partido é principalmente isso que a gente já experimentou no Rio e São Paulo. As pessoas que tão lá engajadas fazem tal compromisso com a estabilidade das forças internas de (frágil) coesão que chega ao ponto de uma crítica que convida a pensar o partido desde uma perspectiva filosófica seja tratado ou como artimanha para fazer uma oposição travestida de pensamento, que, supostamente, na verdade quer hegemonizar o partido e derrubar a atual hegemonia ou mesmo servir à hegemonia atual em desfavor dos opositores. Tem ainda o tarefismo e a urgência que afirma que o pensamento é um luxo que um partido “de luta” (seja lá o que raios isso quer dizer!) não pode se dar.

Dada a atual conjuntura e a proposta fundamental do CEII, que é ter seu pensamento constrangido pelo engajamento em um partido que pretende tomar o poder, tenho a impressão de que não conseguiremos levar a cabo esta proposta desta forma. O PSOL (e imagino que qualquer outro partido do nosso tempo) é refratário ao pensamento filosófico radical. Não acredito que conseguiremos nos engajar no partido como círculo de estudos ou, ao menos, não conseguiremos tonar indistinto o pensamento e a militância forçando nossa entrada fora da lógica do PSOL.

O pensamento, para um marxista obtusamente ortodoxo, é sempre um pensamento já posicionado. Minha experiência com todas as organizações partidárias de esquerda que participei foi de verem “ou intelectual orgânico da classe trabalhadora ou ideólogo da burguesia”. É como se tomassem a metáfora “esquerda e direita” literalmente e tudo aquilo que essa metáfora não abarca fosse tomado como um tipo ou de diletancia ou de falta de domínio das escrituras sagradas ou libertinagem autonomista/liberal, quando não tudo isso junto.

Tenho cada vez mais a impressão de que o Badiou ta certo: a filosofia é impossível hoje. Quem sabe seja interessante trabalharmos a partir dessa impossibilidade muito mais do que contra ela. Quem sabe, para tomar partido da Ideia Comunista, precisemos assumir que, ao menos em parte, nossa organização se opõe de maneira radical a outras organizações internas ao PSOL. Por mais que entendamos que não existe uma política propriamente comunista e trabalhemos para sustentar uma indistinção interna programática, me parece que para entramos nessa conversa precisamos fazer isso ativamente, respeitando a limitação do partido em assimilar uma organização que pretende pensar internamente ao partido sem tensionar uma disputa por hegemonia.

Se a lei do partido é dizer a sua crença para entrar então podemos responder que nossa crença é qualquer uma. Qualquer uma em relação à qual o partido pode se posicionar e a partir da qual podemos não corresponder a o que se espera dela.

NOTA CEII SP #1 [22/09/2016]

É fato que estamos atravessando um momento delicado quanto ao financiamento de nossa célula. Novamente deixamos a situação chegar ao um ponto quase limite para começarmos a nos movimentar, isso é algo que precisa ser colocado em questão: por que mesmo sabendo que esse momento chegaria não agimos antes e esperamos que ele chegasse para começarmos a agir?

Mediante a questão penso que temos poucas alternativas, e as elenco aqui em ordem de preferência: (a) conseguir um lugar sem custos ou com um custo melhor que o atual que sirva às nossas demandas (silencioso para a gravação, com acesso à internet para os participantes online e etc); (b) aumentar a arrecadação da célula, acho que isso implicaria fazer um post pedindo para que os membros possam refletir se podem contribuir mesmo que com um pouco mais (atualmente nossa déficit é de 20 reais, me parece que um pequeno reforço de alguns membros seria suficiente); (c) por último, e remarco como sendo a menos desejável, pois concordo que pode gerar uma desimplicação, um afrouxamento do compromisso formal para com o CEII, que seria reduzir para reuniões quinzenais.

NOTA CEII SP [05/05/2016]

A uma semana das eleições,  fica visível a força das instituições em resistir mesmo em tempos de crise. É costumeiro que na história brasileira as instituições absorvam anseios populares (de vários matizes ideológicos), canalizando para dentro e de forma atenuada problemas estruturais. Na maioria das grandes cidades, partidos da ordem, como PSDB,  PMDB,  PRB, com chances reais de se elegerem…
A democracia deve ser defendida, mas como romper seu sequestro pela democracia representativa liberal?