Nota CEII SP [21/07/2016]

O tema da minha nota é sobre um assunto que perpassa as diversas reuniões do CEII. Ainda estou recente, mas um formato que tem me incomodado é o ritmo lento da leitura dos textos. Entendo a lógica de utilizarmos a reunião para fazer uma leitura conjunta, mas ela produz alguns sintomas, como por vezes até certo tédio.
Este é um dos temas em que penso que os círculos deveriam ter liberdade para escolher o seu próprio formato.
Penso que podemos problematizar esta questão para pensarmos se para o funcionamento do nosso círculo não existe um formato mais dinâmico. Por exemplo, pode ser que para nosso grupo funcione melhor com uma dinâmica mista, em que uma parte do texto – combinada previamente – será lida individualmente e comentada durante o encontro e também em notas e outra parte do texto será lida conjuntamente.
O que acham desta proposição?

Nota CEII SP [21/07/2016]

Em meio a discussão sobre a (des-)organização do Psol, principalmente em se tratando da dissociação, e até rivalização entre as correntes do partido, surgiu a idéia da criação da corrente Ceii. Achei interessantíssimo pois, apesar de ser um passo ainda pouco refletido, é algo que me parece arrojado e audacioso (o que em si, já me desperta simpatia), e porque me pareceria como se fosse um lugar criado pelo Ceii dentro do partido, que simularia a lógica seguida e aceita por eles de um certo segmentarismo, e logo seria algo aceito pelo partido sem maiores resistências, pois por mais que provoque medo das demais correntes – já que seria, para eles, mais um rival – eles nos compreenderiam pois nos encaixaríamos, ao menos aparentemente, no modo como o partido vem se organizando. Aparentemente, pois não seria uma corrente como as demais, mas como também apareceu na reunião, algo como uma “não- corrente”, pois ela poderia fazer “cadeado”, aplicando a lógica do comum que poderia então ser um ponto de articulação entre as demais.

Nota CEII SP [02/06/2016]

Com a última sessão (“referências posteriores”) do capítulo sobre a revolução cultural do texto, reforçou-se, e penso que tenha respondido um pouco, a minha questão sobre o que pensar sobre a China de hoje. Seus dois últimos pontos dizem que houve um longo período que foi até a morte de Mao, marcado pelo conflito entre Xiaoping e vários quadros inclusive o “bando dos quatro” que encarnavam a memória da revolução cultural. E justamente com a morte de Mao, esses quatro são presos, e Xiaoping toma o poder e, como badiou assevera, implementa métodos capitalistas, ainda que mantendo o partido-estado.

Assim o capítulo termina, e, dessa maneira, isto sugeriria que para o badiou a entrada de deng xioaping encerraria o período revolucionário e proveitoso ao pensamento comunista, e a partir de então (já que Badiou encerra aí), talvez pouco mais interessaria e haveria, então, a consolidação do fracasso, ou, quem sabe, da reabsorção da China à lógica capitalista.

Nota CEII SP [05/05/2016]

Sobre a reflexão trazida pelo camarada leojorge, sobre o problema em se pensar relações horizontais de poder, ou uma ausência de poder, passando pela ausência de lideranças que acarretariam no aparecimento de alguém ou de uma estrutura ainda mais autoritária, penso que o poder além de inevitável, não é exatamente ruim, mas de menos lugar-comum traria que penso às vezes se é possível o ser exercido não por uma ou mais pessoas, mas por determinada estrutura, que pudesse fazer as vezes do poder, assim, como grupos e movimentos se reúnem em torno de um nome, na maioria esmagadora das vezes nome de uma pessoa mesmo como mao, lenin, porém há o caso do grupo matemático Burbaki, onde há um nome que do qual ninguém possui.

NOTA #2 [17/06/2016] (RJ II)

Um ponto importante para entendermos o que é a biopolítica na obra de Agamben está no conceito de Dispositivo apresentado de maneira bem didática na obra “O que é o Contemporâneo e outros ensaios”, logo no segundo item da obra, denominado “O que é um dispositivo”. Para definir o que é dispositivo para ele, ele parte de uma definição que atribui a Foucault, e a partir da qual elenca três pontos que significam o que é um
dispositivo: “a. É um conjunto heterogêneo, linguístico e não-linguístico, que inclui virtualmente qualquer coisa no meio do título: discursos, instituições, edifícios, leis, medidas de polícia, proposições filosóficas, etc. O dispositivo em si mesmo é a rede que se estabelece entre esses elementos. b. O dispositivo tem sempre uma função estratégica concreta e se inscreve sempre numa relação de poder. c. Como tal, resulta do cruzamento de relações de poder e de relações de saber”.
A partir desse excurso, podemos entender que os dispositivos são praticamente qualquer coisa que produza alguma espécie de subjetividade, formas de se viver e de ver a vida. Não é à toa que ele usa uma série de exemplos concretos variados do que é um dispositivo, elencando elementos desde os mais óbvios como a televisão e o celular até alguns outros mais enigmáticos como o cigarro, a escrita e a língua.
O dispositivo é um mecanismo de captura da vida, uma coisa que produz um assujeitamento do ser vivente. Por essa razão é que Agamben descreve mais à frente, na obra em comento, que existem então duas grandes classes: os seres viventes e os dispositivos. E é a partir da relação entre esses dois que surge o sujeito. O sujeito é, então, o resultado da relação entre o vivente e o dispositivo, a forma resultante da captura da substância (ser vivente) pelo dispositivo.
O dispositivo determina o sujeito.  Por consequência, ele determina toda a forma de vida.
A biopolítica se operacionaliza, portanto, através dos dispositivos. E é desvendando o modo de funcionamento e a finalidade dos dispositivos que se torna possível compreender a totalidade em sua concretude.
PS: Acho que poderíamos entender o dispositivo como qualquer elemento presente no mundo (linguisticamente ou não-linguisticamente) que reproduza significados, e que produza e reproduza, portanto, dessubjetivações, subjetivações, visões de mundo, ideologias e formas de vida em geral.

NOTA #1 [10/06/2016] (RJ II)

Será que é mesmo possível conciliar uma posição de imediaticidade fundada na social democracia e, ao mesmo tempo, uma posição pautada numa ideia de comunismo?
Eu fiquei na dúvida quanto a isso, e não sei exatamente qual juízo fazer disso, já que entendo que não há salvação do Capitalismo através de mecanismos peculiares à lógica capitalista. Desenvolvimentismo, renda mínima cidadã, acesso ao mercado de trabalho, etc., acredito que são coisas louváveis, e muito necessárias, já que, até como já disse o Safatle certa vez em uma de suas palestras, é preciso que lidemos com o sofrimento imediato, que amparemos as pessoas que sofrem no agora.
Apesar disso, as formas de garantir esse tamponamento do sofrimento não são capazes de conduzir às frentes de um comum; pelo contrário, reforçam a lógica capitalista e a sua manutenção – até o momento em que seu prolongamento contingencial leve ao seu auto-colapso (o que não deve demorar a acontecer, se pensarmos essa questão sob a ótica da Wertkritik).
É preciso, então, pensar em políticas desenvolvimentistas e de inclusão social que consigam incluir as práticas inseríveis numa ideia de comunismo a por vir. Quero dizer, viabilizar formas de engajamento que busquem a realização dessas tarefas (distribuição de renda, igualdade social, diminuição do desemprego) e que sejam contíguas com uma ideia de comum. Práticas dentro do modo de produção capitalista que não se constituam, necessariamente, como instrumentos que reforcem a sua lógica, mas que escapem dela.