Nota CEII SP [12/05/2016]

Com a saída da camarada na célula de São Paulo, fiquei pensando que talvez seja interessante todos nós refletirmos sobre como o coletivo está lidando com algumas questões. Minha sugestão seria, cada um de nós escrever o que nos incomoda de alguma forma dentro do coletivo e também o que achamos que deveria mudar. Bem acho que seria o primeiro passo, para algumas transformações que o coletivo possa ter e proveitoso para nós e para os futuros participantes.

NOTA #2 [24/05/2016] (RJ I)

Sobre a NOTA #1 [24/05/2016] (RJ I):

Gostei da questão dessa nota, é uma pergunta muito boa. Sobre essa ideia do “ser popular”, não parece muita vezes que esse “adjetivo” nos movimentos políticos e tratado como uma espécie de “espaço que precisa se preenchido numa lista de nomes que te dirá se vc é legitimo ou não”?

NOTA #4 [05/04/2016] (RJ I)

Como diz o Zizek, o fascismo traz elementos da luta de classes deslocados. Bolsonaro traz ética e segurança, os evangélicos a família, Moro contra os corruptos etc. Nesse sentido, o traço fundamental de uma militância de esquerda não é negar esses traços de classe, mas deslocá-lo novamente.

Outro ponto. A esquerda ao aceitar essa embate direto com os fascistas alimenta não somente eles, mas também sua condição de ignorar os problemas concretos da classe trabalhadora.

NOTA #7 [22/03/2016] (RJ I)

Para um Banco da Igreja de Deus – BID

Um dos grandes imbróglios do movimento evangélico de direção progressista é como manter as diferentes fontes de financiamento (por exemplo, dinheiro proveniente de dízimo, de venda de revista, artigos religiosos, eventos etc) sem cair na armadilha do acúmulo de capital por parte de poucos (notadamente, pela alta casta dirigente). Essa saída pode ser dada pela criação de um banco específico para isso – o Banco da Igreja de Deus (BID). O BID teria um potencialmente enorme de crescimento na medida que ele teria um aumenta de capital estrondoso. Podemos pensar que o dízimo é uma espécie de “investimento a fundo perdido”, um investimento cujo retorno não é diretamente individual, mas para a organização. Quanto mais os fieis dão o dízimo, mais a organização da igreja se fortalece. E, mesmo assim, ainda pode retornar como ganho individual, na medida que o banco pode oferecer crédito aos fiéis com juros mais baixos que o mercado (na medida que tem como regra fiduciária a fidelidade do dízimo). Seríamos tão forte que podemos gerar um meio de pagamento próprio, criando uma espécie de meta-economica evangélica socialista. O dízimo passaria a ser realmente aquilo que as igrejas prometem que ele seja: uma representação de sua fidelidade religiosa.

Este lema deve estar inscrito na porta de todos os bancos: “Se Deus é dinheiro, o Banco é sua Igreja”

NOTA #1 [24/05/2016] (RJ I)

Por mais que a gente tenha tentado diversificar, o CEII desde sua origem só conseguiu atrair membros com formação universitária. Mesmo os membros mais jovens, secundaristas, já tinham uma perspectiva de trajetória acadêmica. No entanto, o CEII sempre se esforçou de receber membros de outras estratos da população, mas nunca conseguimos de fato tê-los. Me pergunto se essa nossa dificuldade de ter membros de outros estratos sociais é uma mera dificuldade de propaganda ou é um indicativo de um modo de ser do Círculo que de fato é orientado para universitários. Nossos debates teóricos são universitários. Nossa linguagem é universitária. Com a dificuldade recente que tivemos com a célula de SP, me pergunto se não seria melhor assumirmos logo essa nossa imagem “meio-universitária” e trabalharmos aí uma espécie de contra-propaganda específica.

Mais: será que o CEII de fato pode ser popular? Ou será que devemos nos acostumar a sermos essa espécie de aristocracia comunista? E se assim for, isso muda nossa missão atual?

NOTA #6 [22/03/2016] (RJ I)

Sobre a ideia do 023 de vídeos criados pelo CEII no Youtube. (Primeira parte)
Sobre como seria:
Primeiro ponto é qual poderá ser a estrutura do vídeo, a forma mais básica é uma pessoa(ou mais, geralmente mais de 3 é muito coisa, mas tem um diferença grande entre um só apresentador e uma dinâmica entre dois apresentadores) na frente de uma câmera, como alguns cortes e edição, como alguns imagens ou pedaços de outros vídeos. O fato de ter alguém na câmera pode parecer meio pop mas parece que realmente tende a chamar mais a atenção (o próprio Zizek faz isso).

 

Conteúdo sugeridos na ultima reunião (24/05/2016):

Noticias e comentários: O método mais comum usando nesses tipos de vídeo é o de apresentação, alguém na frente de uma câmera, sem grande edição, e um roteiro mais informal. Exatamente por causa da simplicidade que vem todo o trabalho por causa de dois problemas. Primeiro, teríamos que apresentar algo que se diferencia-se no mínimo um pouco do que “todo mundo fala” (o que eu acho que a gente tem material para) e segundo essa apresentação teria que ser bem formulada, não só para tentar fundamentar as nossa maluquices, mas para manter um tom informal.

 

[…]

 

 

 

 

 

 

NOTA #3 [20/05/2016] RJ II

Eu bem que queria escrever uma nota bacana sobre a nossa última reunião, falar sobre o tanto de reflexão que ela proporcionou, prolongar os debates que o camarada 283 levantou, dizer que é sempre muito bom quando a nossa reunião de fato acontece, falar sobre esse tal de Badiou que eu conheço tão pouco mas já considero pacas… mas não dá.

Então eu vou seguir na linha do camarada 293 e fazer uma nota de compartilhamento de angústia, pq não tá dando pra viver com essa notícia do estupro coletivo de ontem. Simplesmente não consigo pensar em outra coisa. E eu queria falar disso com vocês, pq vcs são meus camaradas, pq o CEII é o meu coletivo. Eu sei que o movimento feminista é cheio de problema, cheio de contradição. Acreditem, eu sei. Mas é que, no fundo, eu esperava que vocês demonstrassem para com os movimentos de mulheres a mesma paciência, compreensão e curiosidade que tem para entender os nós e contradições dos movimentos dos trabalhadores e da classe em si.

As mulheres são uma classe dentro da classe. Entender a questão feminina através desta lógica das “identidades de gênero”, no meu entender, é um erro. Mulheres são exploradas, primeiramente (e primordialmente), pela sua capacidade reprodutiva. A mulher é alienada de seu próprio corpo, é ele quem serve ao sistema. Daí se segue a divisão sexual do trabalho como desdobramento necessário do confinamento à esfera privada da vida. Então, criticar a forma de organização pela identidade é uma crítica que eu aceito como válida, criticar até mesmo essa defesa mais intransigente dos tais espaços exclusivos é outra coisa que eu também posso compreender, mas fazer apenas estas críticas e deixar de se dedicar a entender a condição das mulheres no capitalismo (e muito antes dele!) é corroborar o argumento daquelas que dizem que os homens levantam essas críticas ao movimento apenas por má fé, simplesmente para que estes debates não ocorram, pelo mal estar que ocasionam em espaços mistos.

Uma vez o camarada 023 disse que Badiou defendia que todos deveriam participar dos debates sobre negros, mulheres, lgbt e etc, que não deveria ser algo segmentado. Refleti muito sobre isso e concordei, afinal são problemas de todas as pessoas. Então, eu ficaria feliz se a gente pudesse falar mais sobre mulheres, sobre patriarcado e sobre como os efeitos dessa situação concreta se manifestam em um coletivo que, nesse momento, praticamente não possui mulheres frequentando presencialmente no Rio. Uma pergunta que eu sempre me faço é se existe algo em matéria de forma de organização que pudesse dar conta disso, mas sempre que penso nisso só me ocorrem respostas “pós modernas”… enfim, seria interessante ouvir dos camaradas com mais tempo de CEII que eu.

 

 

NOTA #2 [20/05/2016] RJ II

Eu gostaria de abordar nessa nota algo que tem me gerado um certo desconforto.
É sobre o luto. Mas diferentemente do que estamos habituados a discutir, gostaria de levantar não o luto da esquerda (que alguns já estão elaboraram, outros já fizeram, e alguns ainda parecem estar recalcando), mas sim do luto – ou ausência dele – da direita.
Sim, me parece que há também um “não luto”  da direita, ou pelo menos de algumas dessas pessoas.
Não com pouca frequência tenho visto alguns conhecidos de direita compartilharem notícias ainda sobre a Dilma, ou sobre o Lula, ou sobre o PT…cheguei a ver até um cara preocupado com a Venezuela e as ações do Nicolás Maduro, mas que até agora não se manifestou sobre qualquer retrocesso do novo governo… É sempre algo nessa linha, como se eles ainda não tivessem perdido esse objeto de investimento, esse objeto de ódio.
Quero dizer: a Dilma e o PT já foram, a rigor, tocados para fora do governo. Quem está dando as cartas agora é o PMDB. E diante desse crescente desmonte do tímido Estado Social que se iniciou eu não vejo várias dessas pessoas elaborando críticas. O governo era reprovável quando era sob a presidência da Dilma, mas agora que mudaram a “cara do governo”, tudo parece ser suportável. Não há desmonte do tímido Estado Social que se construiu, há reconstrução e readaptação do novo governo…essa parece ser a desculpa que eles usam na cabeça pra justificar a própria impossibilidade de reconhecer que a situação apenas se agravou.
É um estado de negação? Orgulho? Desonestidade?
Eu gostaria de laborar essa questão com o Círculo, de saber o que vocês pensam e o que sentem sobre  essa aparente cegueira ideológica.
Post-scriptum com os recentes acontecimentos da História: Agora com o vazamento do áudio do Romero Jucá e do Sérgio Machado confirmando que era golpe, parece que há um silêncio ainda maior por parte daqueles que apoiaram ativamente o impeachment, enquanto outros estão tentando fazer um malabarismo argumentativo pra não dar o braço à torcer.

NOTA #1 [20/05/2016] RJ II

Problema teórico: Zizek constitui sua filosofia a partir da recusa da ideia do Saber Absoluto hegeliano tal como esta é interpretada por mais de dois séculos de filosofia, de Kierkegaard e Heidegger passando por Marx e Kojéve. De fato, seria difícil pensar, assim, que toda a filosofia pré-Zizek haveria “errado”. Neste sentido, embora o retorno a Hegel elaborado por Zizek seja de fato fundamental, esta própria recusa da ideia “errada” de Hegel não deveria, hegelianamente, ser inscrita na filosofia de Hegel? Este problema relaciona-se àquele do estatuto do sujeito, e até mesmo da filosofia, em Hegel: Hegel parece oscilar entre duas leituras do movimento dialético; em uma, trata-se de recair naquilo que Melliaseauxchama de “correlacionismo”, em que, mesmo que a relação entre sujeito e ontologia seja afirmada como contradição, antagonismo, o sujeito ainda seria identificado a um sujeito humano. A filosofia de Hegel seria, neste sentido, “antropomórfica”: mesmo que tendo levado o humanismo ao limite da “negatividade Absoluta” ( limite ao qual, para Zizek, a psicanálise também o levaria), ainda seria o homem—e, dentro da humanidade, a própria filosofia de Hegel—que representaria o reconhecimento, em si para si, do Espírito Absoluto.

Em outra leitura, entretanto, a cisão entre sujeito e objeto poderia ser afirmada integralmente da parte do objeto, sem qualquer “correlacionismo” implícito. Isto é, ela não dependeria de qualquer reconhecimento subjetivo, aproximando Hegel, de forma estranha, à filosofia de Badiou, e até mesmo ao “realismo especulativo” atual. De fato, o Evento em Badiou, é totalmente descentrado (radicalmente descentrado) a respeito do sujeito. Ele não pode ser pensado, justamente, como esta contradição em si e para si que Hegel relaciona ao Espírito Absoluto? A fórmula do Evento, neste sentido, é idêntica àquela da auto-pertença, da auto inclusão reflexiva de um conjunto como parte de si mesmo, que encontramos na universalidade concreta hegeliana.