Nota CEII SP #10 {24/03/2016]

Sobre a “união” da esquerda em face do “fascismo”:

Me lembra uma afirmação do Zizek de que um sinal de cegueira dialética seria tomar o que é na verdade uma condição de possibilidade (no caso, o fascismo que nos mobiliza) como uma condição de impossibilidade (o fascismo é que “bloqueia” nossos avanços).

NOTA #1 [18/03/2016] RJ II

Quem vem hoje? Uma pergunta absurda

e por que?

  1. Temos uma reunião semanal.
  2. Para que esta reunião exista, é preciso que os membros do CEII compareçam.
  3. Esta reunião é um compromisso assumido do membro para com o CEII.
  4. Quando um membro não pode estar presente na reunião, é simples: ele se encarrega de avisar ao grupo tão logo ele saiba que não poderá estar presente.
  5. Não é prerrogativa do SG (ou de ninguém) perguntar – quem vem hoje? – por medo de perder seu tempo saindo de casa para uma reunião que não irá acontecer. Isso é uma inversão que eu considero grave e uma espécie de acolhimento e normalização do afrouxamento do compromisso ao qual o próprio membro se propôs.
  6. Em suma, quem não virá, deve se responsabilizar por notificar ao grupo e quem não se sente em condições de estar acompanhando o trabalho, pede licenCEII.

É uma questão de disciplina não dá pra contemporizar com isso…

Nota CEII SP #9 [24/03/2016]

Eu tenho uma pergunta para nos mesmo: por que todo outro ponto de discussão (evento, votação, financeiro, estatuto jurídico do CEII e etc) acabam tendo prioridade sobre a leitura?

Já faz muito tempo, acho que já quase um ano, que não conseguimos ter uma sequência de leituras nas reuniões, e eu entendo, junto de nosso projeto, que não temo pressa para ler, mas acho que isso não significa nem de perto que a leitura é questão secundária.

Penso que do mesmo modo que não temos pressa pra ler, não devemos ter pressa para resolver a maioria dessas questões acima mencionadas, exceto o evento que temos prazos a ser cumpridos.

A questão é que é extremamente angustiante barrarmos um debate no meio dele sem o pretexto do fim da reunião – como foi semana passada no caso da discussão sobre a problemática envolvendo as decisões por votação, que eu acho extremamente importante. Mas acredito que precisamos suportar a angustia ao invés de querer resolvê-la em uma única reunião, assim como não temos pressa para finalizar o texto, não vamos ter pressa para finalizar esses debates.

Acredito que os mesmos precisam ter tempo estimado para começo e fim e que isso também seja feito para as leituras, não podemos guiar a reunião pautada na angústia dos participantes, é preciso também suportá-la frete as regras do projeto que escolhemos seguir. Obviamente o projeto e sua alteração é um importante ponto de discussão, mas não pode ser o único.

Nota CEII SP #8 [24/03/2016]

Escrevo essa nota sobre inibição. Vejo muitos camaradas falando sobre inibição dentro do coletivo e por vezes, sinto exatamente a mesma coisa. Justamente por experimentar a diferença e ver que muito pouco é feito para diminuí-la, o que vejo são esforços para aumentá-la (o que tem deixado a participação no CEII extremamente exaustiva e desgastante). Eu tenho interesse pelas discussões, não se trata de uma falta de vontade de compreender os temas, mas por vezes vejo camaradas se valendo de termos, de palavras difíceis num discurso extremamente acadêmico que não permite uma conversa para quem não é de uma orientação filo-psico afim. Parece ao meu ver uma vontade de competir quem tem o maior diploma, quem faz parte da panela y, x ou z, da USP e muito pouco sobre quem hoje está dentro do CEII. Estou expressando aqui a minha dificuldade em participar hoje no CEII – algo que por certo, apareceria na minha carta de saída do CEII – ao invés de sair, estou me endereçando ao coletivo em nome disto. Agora, posta a situação, gostaria de saber se algo realmente será feito ou se novamente será jogado para baixo do sofa. O que para mim, se evidencia como uma prova de uma paixão academicista secreta dentro do CEII ou uma vontade por pares por identificação.

NOTA CEII SP [10/03/2016]

Eventos

Sei que o tema ‘evento USP’ já está bastante exaustivo nas reuniões e que talvez este seja um pouco o motivo da falta de fôlego que parece nos acometer. Apesar de muitos dos membros terem se disponibilizado a ajudar de alguma forma (e isso tem sido muito legal!), às vezes tenho impressão que no momento de ‘ação’ a gente acaba centralizando mais, mesmo compreendendo que cada um está num momento e num pique particular e, com isso, que um e outro estejam mais disponíveis ou se sintam mais a vontade para ajudar e, ainda, que estas coisas vão e vem, então é um apontamento e não tem a menor intenção de ser uma provocação. Trata-se de um evento pequeno, de certa forma ‘simples e que já (felizmente) temos bastante caminho andado, mas isso tem me feito pensar sobre o evento maior – embora, insisto, nem sei se poderia estar colocando um assim ao lado do outro. Mas, como vez ou outra me pego deslizando de um para o outro, achei que a nota seria um lugar para compartilhar com os outros membros. Quando surgiu a possibilidade ou ideia da célula SP se comprometer a ‘sediar’ o evento IC aqui, me questionei se teremos fôlego para seguir até o fim. O trabalho é cansativo, os detalhes são muitos e há uma grande diferença entre topar sediar o evento e agir para que ele de fato ocorra. Digo isso pelo receio de que para poucos sobre muito trabalho; para que a gente não se perca na imaginação de que será um grande evento e de ‘como seria legal se viável’ e nos esqueçamos que para que isso se dê é preciso um trabalho coletivo exaustivo – de mais de um ano – e que é importante que não percamos o horizonte da coletividade.

*com a possibilidade de o evento tomar outra escala ainda insisto na nota, pelos mesmos motivos.

NOTA CEII SP [10/03/2016]

Efetividade do cancelamento das reuniões pelo excesso de notas atrasadas

 

O último cancelamento de reunião por excesso de notas atrasadas me deixou pensamento se de fato estamos fazendo de forma consistente a passagem do cancelamento da reunião para colocar essa questão de volta no coletivo. Por exemplo, a última reunião foi cancelada pela falta de comunicação. Um dos participantes não sabia que existia a regra de que após quatro notas atrasadas a reunião fosse cancelada. Talvez, nesse momento, a questão do kit para novos participantes se faça ainda mais viável. Explicar essas pequenas normas da reunião e de funcionamento da célula parece bastante relevante agora, pois sabemos da dificuldade de explicar tudo do fundamento do CEIIem pouco tempo. Então, autocrítica para o coletivo. Mas também me recordo de algumas outras situações em que essa questão não existiu (falta de comunicação) e a reunião foi cancelada por atrasos. Me parece que, em geral, quando um participante deixa a reunião ser cancelada pelo acúmulo de notas já há um certo distanciamento por parte do membro no que se refere à frequências nas reuniões do CEII. Isso, como sabemos, não é nenhum problema. Sabemos, também, que o modo de experienciação coletiva do CEII se dá de formas distintas. E um coletivo tem que ter a capacidade de lidar com isso, e se organizar a partir disso também. Afinal, nem todo mundo se implica da mesma forma. No entanto, me parece que o problema não está na regra, mas como estamos efetuando a regra. Ou seja, depois da disciplina, o que vem? Como podemos lidar com mecanismos institucionais que não dão conta do engajamento? Afinal, não me parece que o cancelamento de fato provoque engajamento no participante, e muito menos está redimensionamento posições do coletivo. Não sei que tipo de encaminhamento podemos dar a essa questão.

 

NOTA CEII SP #7 [24/03/2016]

Achei algo notável que durante a última reunião nos tenhamos nos ocupado bastante das discussões afetas ao CEII, quando parte da minha expectativa era de que os camaradas do círculo procurassem levar o debate para as questões atuais da “realpolitik”. E o ponto é que para mim  isso não é de forma alguma ruim, muito menos “alienado”.

Acha que isso se deve muito ao fato de que as sequências quase ininterruptas de reviravoltas judiciais e parlamentares torna praticamente impossível ter uma visão mais ou menos coerente das coisas nesse nível da política. A velocidade da informação, proporcional somente às múltiplas fontes e pontos de vista, ajuda muito mais a confundir do que qualquer outra coisa. Um dos pontos que acho que dá o que pensar nessa situação é o tão disputado controle midiático. Sem querer entrar no assunto complexo, acho que a esquerda não está fazendo a melhor abordagem desse problema.

Cito Zizek para apontar a importância e o potencial emancipatório do coletivo “desacoplado” da ordem social:

“Isso nos leva de volta ao nosso ponto de partida: a terceira modalidade dos fantasmas é o próprio Espírito Santo, a comunidade de fiéis enquanto proscritos “desacoplados” da ordem social – tendo idealmente, como suas duas formas principais, os coletivos políticos revolucionários e os psicanalíticos autênticos.”

 

NOTA CEII SP #6 [24/03/2016]

Democracia e Comunismo

 

A última reunião levantou um ponto que, ao que me parece, funciona como um dos pilares fundamentais do CEII: a decisão de não abandonar o funcionamento democrático dessa instituição, ou mesmo como horizonte de emancipação. No entanto, é necessário pontuar que a forma de utilização do espaço democrático não quer dizer que este compactua com modos liberais e representativos de organização, pois afinal, a tentativa e uma das questões dirigentes do CEII é: como podemos formar um coletivo sem sistema hierárquico? Ademais, me parece que uma das questões basilares não é tanto o objeto da votação em questão, mas que coletivamente possamos garantir uma certa igualdade a todos os participantes quanto à condição de votar. Sabemos que o voto é facultativo, e que o sujeito pode muito bem se abster de votar, mas isso não quer dizer que temos que nos resguardar a essa questão que me parece importante. Afinal, não é a escolha feita pela votação que nos torna um coletivo, mas justamente essa condição anterior: garantir que todos os participantes tenham condições de votar. Assim como esse debate sobre o sistema democrático, o problema maior não está na eleição direta apenas, mas as condições materiais de divisão de condições da população. Afinal, não podemos dizer que as pessoas votam usando os mesmos critérios, mas dependendo do dimensionamento social que essa votação trás, alguns elementos influenciam mais que outros. Mas, outra questão interessante surge nesse problema: em geral, quando fazemos votação, a maior parte das vezes se refere a algum aspecto externo ao CEII. Questões como estruturação da reunião, como o lugar de secretário-geral e mais-um, são realizadas por outros meios, dizendo muito mais do desejo da pessoa ou do momento do coletivo do que qualquer outra coisa. De qualquer forma continuo insistindo que, para além de qualquer atividade que o CEII realize, é necessário sempre e constantemente garantirmos o laço entre nós.

 

NOTA CEII SP #5 [24/03/2016]

Entendi que a questão mais emergente nesse encontro foi o evento na Usp e a discussão sobre o processo de escolha dos convidados.
Contudo, creio que uma das pautas que não tocamos foi sobre a análise de conjuntura atual no país, sendo que a questão envolvia o próprio acontecimento ou cancelamento da reunião.

NOTA CEII SP #4 [24/03/2016]

Como efeito do evento na USP tivemos na última reunião uma discussão sobre a organização que levantou três pontos para o coletivo que parecem relevantes retomarmos. Entre eles destaco: a estratégia de escolha (por votação) dos convidados para o evento – que parece um questionamento que se estende para-além do evento e volta-se para a forma que se encaminham decisões coletivas no Círculo; o voto como um elemento que consta no projeto e, portanto, que pode ser considerado como modo de execução; e, por fim, o acolhimento do coletivo de saber-fazer junto os trabalhos.

Embora estejamos em uma discussão ainda recente sobre o critério de votação como uma maneira de ‘escolha’, fico pensando em qual seria a possibilidade de saída para este ‘problema’. Se o voto não representa o encaminhamento do ‘todo’, como poderíamos fazer uma escolha dentro de um coletivo e que, ao mesmo tempo, não se tornasse uma discussão sem fim? Digo isso pois me parece que a ideia da possibilidade de que em um coletivo se tenha uma escolha que contemple a todos não é exatamente uma possibilidade, uma vez que lidamos com o impossível da unidade. Entretanto, a discussão me parece interessante justamente por colocar a questão: como é que o coletivo pode se sentir contemplado se não por uma votação na qual a maioria fez uma escolha?

É aí que acredito que o retorno ao projeto se faz interessante, pois – embora é sabido que está em reelaboração – há uma reflexão sobre voto que traça uma distinção entre “o voto simples e o voto investigativo, ou voto depensamento”. Seria interessante voltarmos a isso? O voto é um modo de executar o que consta no projeto? Qual é então o ‘tipo’ de votação que estamos elencando para tomarmos nossas decisões coletivas? Tomo o projeto como ponto de partida e não como fim, mas será que diante do que foi evocado por um de nossos camaradas podemos pensar que nossas decisões se vinculam mais a um tipo de voto do que a outro? Se sim, qual é o modo de voto que estamos efetivamente colocando em prática? Será que o modo como elegemos para decidirmos as ações se encontram com aquilo que ‘está previsto’? Ou será que é importante voltarmos a este ponto de discutirmos isso de maneira mais clara para que em outras ‘votações’ a escolha pelo voto esteja ‘melhor’ apreendida?

Por último, ressalto que na nossa última reunião, depois de toda a discussão um de nossos membros destacou a importância de sabermos fazer um trabalho coletivo para o evento. Foi bastante interessante o fato de que embora só um ou outro tivesse se prontificado a apresentar trabalhos, com a discussão quase todos – ou todos os presentes (não sei dizer ao certo pois a discussão se estendeu fora da reunião) – se mostraram interessados em compartilhar alguma ideia. Como dito, um de nossos membros enfatizou a consideração de acolhermos isso, isto é, de factualmente conseguirmos receber a todos os nossos membros e produzirmos coletivamente para que as ideias que surgiram possam vir a ser material e se apresentar. Isso é muito relevante! E, de algum modo, se as discussões exaustivas sobre a organização do evento tem um ‘saldo’, conseguir fazer algo com isso que apareceu este seria dos mais interessantes.