REFERÊNCIAS 18/12/15 (RJ II)

CEII logo

 

Ainda sobre os locais de verdade, ou procedimentos genéricos:
BADIOU, A. Elogio do amor versão em espanhol disponível aqui
_________. Verdade e sujeito disponível aqui
_________. Manifesto pela filosofia disponível aqui

Sobre política em Badiou e sua relação com o Estado (da situação):
LIMA, F. J. G. Filosofia, verdade e política em Alain Badiouartigo disponível aqui

Sobre política e ontologia em Badiou:
SAFATLE, V. De que filosofia do acontecimento a esquerda precisa?disponível aqui

Pequeno e pedagógico vídeo sobre Cantor e a Teoria dos Conjuntos na matemática:
Os infinitos de Cantor – https://www.youtube.com/watch?v=f1Ak-6vMVpg

Sobre Herman Dooyeweerd, sua tentativa de pôr a Reforma Protestante na filosofia e as esferas de soberania

DOOYEWEERD, H. No crepúsculo do pensamento. Editora Hagnos, 2010.
CARVALHO, G. Herman Dooyeweerd, reformador da razão disponível aqui

Áudio da reunião disponível aqui

 

NOTA #6 [15/12/2015] (RJ I)

Assistam “A batalha do Chile – A luta de um povo sem armas”
É um ótimo documentário sobre o golpe no Chile, e mostra muito sobre a forma de organização do poder popular. O documentário é dividido em 3 partes
1 – A insurreição da burguesia
2 – O golpe
3 – O poder popular
To indicando esse documentário porque gosto muito do que conheço sobre a experiência chilena de socialismo e também porque eu tinha que fazer uma nota e não to com muito tempo pra pensar em uma.

NOTA #4 [15/12/2015] (RJ I)

Uma das principais  questões do CEII foi sobre sua existência.  No entanto, 2015 revelou para o CEII uma consistência maior de sua existência permitindo a gente se debruçar sobre  outros problemas mais concretos, de médio e longo prazo. Por exemplo, nós sempre nos preocupamos muito com os motivos de membros do CEII saírem do coletivo.  Mas hoje em dia, com consistência maior de existência e um número maior de membros, nossa atenção diminuiu com as saídas dos membros, porque temos uma circulação muito maior. Hoje acho que colocaria outros problemas: quais são os efeitos que o CEII produz nos sujeitos que passam pelo círculo? Quais são os efeitos do círculo no mundo a partir de seus ex membros?

NOTA #2 [15/12/2015] (RJ I)

467. A alteridade entre a antropologia e a ontologia. O materialismo (de Lacan e, talvez, de Marx, ou de um Marx reloaded) está não em partir dos indivíduos reais e de suas relações materiais de produção, mas sim daquele obstáculo “prévio”, objetivo a partir do qual algo como um indivíduo se constitui – ou, antes, de modo em certo sentido mais amplo, o objeto a partir do qual o sujeito vem a ser. “Mais amplo”, pois pode-se entender por “sujeito” algo que pode ter lugar em um indivíduo, mas também em outros campos e latitudes: a obra é, por exemplo, o sujeito da arte, para Badiou; o sujeito político pode ser uma multidão em luta ou uma classe, etc. “Em certo sentido”, porque há quem possa argumentar que todos esses outros sujeitos envolvem indivíduos ou, ao menos, alguma dimensão do animal humano que somos.

 

Seja como for, esse modelo que parte não dá interioridade subjetiva ou das ideias, mas de um algo que objeta e a partir do qual se constrói esse curto-circuito para lidar com isso que é o sujeito lembra o começo de A visão em paralaxe, de Zizek. Aí, o sujeito não aparece como o “polo ativo” que faz seja o que for, mas como o tema (subject), o que está em causa, o que se sujeita – e se sujeita justo ao que de costume aparece como o “polo passivo”, o objeto. Para isso, este último aparece como o que originariamente se contrapõe, objeta. Nesse sentido, enunciado (onto-antropo-lógico) originário seria: “No princípio é a objeção…” Isso significa que antes mesmo da tese, da “posição” (subjetiva) vem a “antítese”, a contraposição. O originário seria o negativo, o obstáculo, a alteridade (Real, objeto a?), para lidar com a qual se constitui não só o sujeito, mas outro outro, o grande Outro (simbólico).

 

Dentre as muitas coisas curiosas que podem saltar aos olhos nesse cenário, a primeira talvez seja a ideia de um outro (dois, na verdade) que aparecem “antes” da subjetividade – precisamente a instância que condiciona a experiência de algo como outro, o “um” desde o qual este último poderia ser experimentado como tal. A interpretação mais imediata deste antes talvez seja aquela em que pensamos em uma linha do tempo, na qual a objeção viria primeiro e depois a tese. E seria simples solucionar a contradição dizendo que se a objeção é o real, tudo isso quer dizer apenas que o real está aí antes do sujeito – e que é experimentado como alteridade já aí depois do surgimento do sujeito. Teríamos, pois, uma espécie de realismo (ingênuo) em jogo aqui.

 

Mas esse não é o caso. Pois a proposição em questão não é apenas “a objeção é real”, mas também “o real é objeção”. Não se trata de uma predicação, mas de um juízo de identidade, se podemos formular assim. Levando esse aspecto em consideração, é possível tornar compreensível a proposição a partir da ideia de que a subjetividade “põe” seus próprios pressupostos – ou, antes (!), o ato mesmo, o evento mesmo em que subjetividade vem à existência é o evento, o ato de algo como pressuposto surgir. “Põe”, entre aspas, porque a subjetividade é ela mesma posta pelo que ela põe – o “antes” e o “depois” são um só instante, um só evento, um só ato. Em outros termos, talvez pudéssemos dizer – com Heidegger – que ser e tempo se dão onde há subjetividade, e esta não é senão o dar-se daqueles como pressupostos a todo e qualquer sujeito. Por sinal, a expressão “sempre já” (immer schon), recorrente em Ser e Tempo, talvez seja uma boa expressão para pensar a subitaneidade ativo-passiva do (surgimento do) sujeito.

 

Isso posto (!), é possível enxergar a objeção que é o real de duas maneiras, segundo a formulação lapidar da camarada JB. Do ponto de vista antropológico (ou, como eu gostaria de dizer: político), o real é um efeito da estrutura, um depois. Do ponto de vista ontológico, um antes. Não poderíamos conjugar esses dois pontos de vistas a partir da noção de “paralaxe”, dizendo de modo mais justo que o real é o intervalo entre o antes (ontológico) e o depois (antropológico) de si mesmo? Não estaria aí um caminho para pensar de modo radical uma a dialética (antropologia) materialista (ontologia)?

NOTA #1 [15/12/2015] (RJ I)

Poderíamos passar um tempo lendo Marx – O Capital ou Grundrissen – ao invés dos autores normalmente lidos. Com o diagnóstico dado na última reunião de que há a cada dia menos e menos pensadores marxistas no Brasil tal ação seria importante.

Aqui na França é incrível como os historiadores, com quem tenho tido mais contato, são anti-marxistas e fazem questão de enfatizar isso.

 

Voltei a escutar mais o companheiro 031 do que os outros participantes. Por favor, decentralizar o gravador…