NOTA #3 [19/11/2015] (SP)

A última reunião teve como tema central a dialética de lugares, a discussão entre os lados da cristalizam e suas (des)implicações. 
Apenas me chamou a atenção na demora da discussão de temas tão prementes quanto o financeiro. Por que algo do cerne do funcionamento de instituições demorou tanto para ter sido posto em debate? Bem, falar de dinheiro tende a ser um tema embaraçoso, mas podermos endereçar sobre estes embaraços é também, ver alguma chance possível de dissolve-los.

NOTA #2 [19/11/2015] (SP)

Quando a questão da cristalização dos lugares posta a célula de SP foi posta, mesmo que ao surgir tenha vindo com tom de denúncia, logo em seguida o próprio movimento honesto da célula de trabalhar a auto-crítica, já impôs à contra-mão vexatória um certo embaraço. Logo, as questões secundárias oriundas desse ponto, trouxeram maiores contribuições do que até a objetividade do que se traz em questão. Há sim uma implicação subjetiva, há sim muitas relações que precisam ser trabalhadas dessa cristalização. Gostaria de pensar no que haveria, enquanto hipótese, da ordem da própria alienação que surge ao pensarmos nesse ponto, pois é mister que há uma comodidade em tomar o status como dado e sustentá-lo, não necessariamente se permitindo pensar na sustentabilidade dessa situação. Nesse sentido, há um embaraço tanto de quem promove o lugar, pois constrange outros participantes de tomar partido e da mesma maneira, há o risco do outro extremo, o de certo comodismo, por também, não precisar tomar partido.
Curiosa relação esta: a de se tomar partido – pois esse partido (“que se partiu”) faz parte do que? O que se afirma ao tomar partido? O que se afirma ao não tomar? O que é se implicar? O que há de subjetivação neste cálculo? Dunker, parafraseando Freud nos diz:

“A aprendizagem é um processo paradoxal, pois, mesmo se quiséssemos parar de aprender, ainda assim não conseguiríamos. Toda nova experiência convoca o trabalho de articular o novo ao já antes sabido. Freud observou este fenômeno ao dizer que o “eu” não pode tomar algo que lhe aconteceu como algo não acontecido. Por mais dolorosa e insuportável que seja uma experiência, ela sempre deixa uma marca. Um traço que se junta com outros traços formando o que chamamos de um saber. Aprendemos tanto com nossos modelos quanto com nossos antimodelos, tanto com o que nos alegra quanto o que nos desagrada. Aprender é de certa forma ocupar, no sentido de apropriar” (DUNKER, 2015).

Acrescentaria que há também uma angústia, há algo desse afeto que não nos engana, como aponta Lacan em seu décimo seminário (LACAN, 1963), que articula a possibilidade deste traço que deixa, uma relação que alcança para além de si em suas consequências um ato verdadeiro de coragem, que pode colher para além de toda a sua estranheza, seu próprio potencial emancipatório. Pois mesmo que as coisas não acabem bem, a idéia de que elas possam, é de vital importância (ADORNO; HORKHEIMER, 2013).
Não por menos, a noção de podermos trabalhar as finanças, de poder se pagar por isso, tem sim uma implicação subjetiva importantissima – que por certo – ultrapassa de longe a situação objetiva que se está colocando. Como quando se conclamou, em reuniões passadas que “não é só o cafézinho”, a mesma lógica precisa se aplicar ao restando do mecanismo e que desse mal-estar denunciado, encontremos a coragem de seguirmos em frente em nome do propósito do coletivo e pensarmos no que é poder dissolver tal dificuldade, promovendo assim uma real, consistente, sustentável, possibilidade.

NOTA #1 [19/11/2015] (SP)

O colóquio de São João del Rey foi muito importante para o grupo.
Avalio que a presença e o contato com as diversas pessoas que de uma forma ou de outra terminaram entrando nesse projeto foi muito proveitoso para a coesão e a coerência do grupo.
Não é atoa que muitas vezes durante o coloquio pareciamos estar conversando entre nós mesmos, a despeito da platéia. Encaro isso como uma necessidade do grupo, por conhecer, intercambiar…
Creio que possamos construir “replicas” do congresso de são joão del rey, possibilitando novas participações, e novas experiências ao grupo

NOTA #9 [03/11/2015] (RJ I)

Nota sobre a necessidade de voltar  a Mallarmè e o “Lance de dados” e em Deleuze. Já tem um tempo que ando incomodado com este texto o Irreconciliado, presente do livro O Século de Alain Badiou. Ainda não sei se é só uma impressão ou implicância minha, ou mesmo falta de sensibilidade mas me incomoda um pouco o fato de simplesmente não conseguir entender nem visualizar a relação que badiou estabelece no começo do texto entre, o Mau Infinito de Hegel, o número como tapa-buraco, e o Número que não pode ser outro por ser resultante do acaso em um lance de dados. (Página 50)

 

O segundo ponto é fato de sentir necessidade de olhar com mais calma o que é esse conceito de síntese disjuntiva na concepção de vitalidade do ser em Deleuze quando Badiou Fala da passagem de uma concepção do século como promessa a um século marcado por violência.

NOTA #7 [27/10/2015] (RJ I)

Como começar uma nota?

Apesar do pouco tempo em que estamos tendo nas reuniões para a leitura do texto do Alain Badiou, é possível perceber que depois de um longo trabalho em conjunto, primeiro com o texto da Hipótese Comunista e depois com o texto do São Paulo, o Século se apresenta como um texto mais mastigável e mais maleável do que os anteriores. Talvez pela certa intimidade conquistada com a escrito do filósofo ou pela facilidade de se expressar diferente dos outros dois textos – vale lembrar que os dois primeiros documentos são livros ou artigos articulados como tais, enquanto que o segundo parece ser uma série de conferências nas quais o caráter oral deve prevalecer.
Acredito muito que a sistematização e a feitura de quadros sinópticos e articulativos ajudam e muito a nossa compreensão fazendo que cada um não fique tão perdido de início e que começa a pensar a partir de modelos também – uma boa visualização permite começar uma boa construção teórica.
Nessa reunião do dia 27/10 foi discutido o poema do século que parece que está em um dos escritos do Agamben, se eu não me engano no O QUE É CONTEMPORÂNEO? (talvez valha a pena postar os versos aqui a título de fim de nota):
Meu século, minha fera, quem poderá
olhar-te dentro dos olhos
e soldar com o seu sangue
as vértebras de dois séculos?
Enquanto vive a criatura
deve levar as próprias vértebras
os vagalhões brincam
com a invisível coluna vertebral.
Com delicada, infantil cartilagem
é o século neonato da terra.
Para liberar o século em cadeias
para dar início ao novo mundo
é preciso com a flauta reunir
os joelhos nodosos dos dias.
Mas está fraturado o teu dorso
meu estupendo e pobre século.
Com um sorriso insensato
como uma fera um tempo graciosa
tu te voltas para trás, fraca e cruel,
para contemplar as tuas pegadas.

NOTA #6 [29/10/2015] (SP)

Introdução Design/Arquitetura

Fiquei pensando em uma maneira de introduzir o meu cotidiano e conhecimento dentro do CEII e pensei em algumas formas e projetos:

  • Comunidade Sustentável

Gostaria de fazer uma pesquisa e introduzi-la no CEII para talvez usar este veículo e conscientizar as pessoas que com alguns recursos viáveis podemos ter água, alimento e moradia “morável” para todos.

  • Esqueletos a céu aberto

Estava um dia pensando, poxa existem tantos prédios inacabados e tantas famílias sem um lar, por que não podemos juntar o útil ao agradável? Obvio que são questões muito mais difíceis de resolver, mas vale a pena pesquisar e tentar fazer alguma coisa sobre elas.

  • Ongs existentes

Gostaria de fazer um levantamento de ongs existentes aqui no Brasil sobre estas questões de moradia e sustentabilidade.

  • Design para todos

Minha formação é design de interiores, então gostaria muito de ter projetos envolvendo o design e o bonito para todas as classes sociais

NOTA #5 [29/10/2015] (SP)

A impossibilidade de atingir um saber em sua totalidade é bastante relevante para a Psicanálise, e para o que entendemos por transmissão de um saber que é inconsciente. Lacan (1966) se referia à incompletude humana como fundamental e constitutiva. Ele acreditava que só nos constituímos humanos por essa falta, ou ainda, que não há ser humano completo ou que não seja castrado. Para refletir a respeito desse tema, Lacan trabalhou com o seu famoso aforismo “Não há relação sexual”. Com esta frase emblemática, Lacan (1966) queria apontar para a falta que marca o sujeito e, ao mesmo tempo, o faz desejante. Essa falta faz cada sujeito único e, por isso, impossibilita, não só a relação “igualitária” entre homem e mulher (relação sexual), mas, também, qualquer relação entre seres humanos que seja ausente de equívocos. Dito de outra forma, esse aforismo quer dizer que a comunicação plena inexiste. Quando somos introduzidos na sociedade humana, estamos mergulhados e atravessados pela linguagem e, assim, nada está garantido. Acho que nossas discussões sobre o funcionamento do CEII, mais especificamente, sobre novas formas de poder funcionar passam, também por estes pontos: nossa própria castração, os modos como nos constituímos e um saber que é inconsciente.

NOTA #4 [29/10/2015] (SP)

As questões que envolvem os problemas estruturais e administrativos da célula de SP devem ser resolvidas de modo mais direto, respeitando questões de relevância que certamente aparecem no caminho. Tenho a sensação de estarmos sendo levados em uma espécie de “mau infinito”.
As principais são o financeiro e a situação dos participantes que precisam se desligar/licenciar.
A rotatividade das posições tem de ser pensadas com mais calma. Acho que o SG em especial é uma posição delicada, que exige um trabalho maior. Penso que deveria ser ocupado por um período mais longo.

NOTA #3 [29/10/2015] (SP)

Chakaruna

Na reunião passada, discutimos a respeito da “divisão do trabalho”, ou funções, dentro da célula. Nunca é fácil delegar funções, principalmente quando se está entre pares. Mesmo dentro de um “coletivo” alguns integrantes exercem funções diferentes. São atribuições que possibilitam manter a organização necessária das pautas para que ocorrem as reuniões, por exemplo. Essas atribuições são conferidas, geralmente, aos indivíduos que atuam desde a fundação do grupo.

Ao pensar nisso, comecei a divagar, lembrar do tempo em que estive na faculdade, nas aulas de sociologia, e costumava ler e debater sobre o tema. São muitas as concepções sobre a organização do trabalho, tayloristas, fordistas, fayolistas, marxistas, tribais, etc. Apelando às definições mais genéricas, à la Wikipedia, pode-se dizer que o termo aparece em diversas áreas do conhecimento. Só para citar algumas, podemos encontrá-las na economia, sociologia, antropologia e história. Em resumo, referem-se à divisão do trabalho como “diferentes formas que os seres humanos, ao viverem em sociedades históricas, produzem e reproduzem a vida”. Como havia dito, é uma definição bastante genérica, que pressupõe uma interpretação da história como cenário da vida do homem, que representa, por sua vez, toda a humanidade.

Nos chamados “sistemas domésticos de manufatura”, o trabalhador conhecia as etapas de produção em sua totalidade, ou quase. Para Marx, com a introdução do “sistema fabril” isso deixou de ser possível, pois a “complexidade”, que resulta da divisão do trabalho, tornou inviável o conhecimento dessas etapas por “todos”. Ela envolve apenas um grupo seleto de pessoas que possuem condições de conhecer essas etapas de produção (criação, planejamento e execução).

É a divisão do trabalho que condiciona a cooperação entre os indivíduos, mesmo em sociedades que possuem organização tribal. No entanto, O “desenvolvimento tecnológico” (se é que podemos chamá-lo assim) entre os índios não decaiu, necessariamente, nessa “especialização” do trabalho, ou seja, em uma comunidade indígena não há especialistas, existe apenas uma divisão de tarefas entre os sexos. O que um indivíduo faz, todos os outros do mesmo sexo também fazem.

Como se pode ver, a divisão social do trabalho permeia toda a história da humanidade, mas de maneiras diferentes. Algumas formas são hierarquizadas, outras cooperativas, outras ainda obedecem a um tipo de “rodízio”, mas sempre dividas e organizadas entre si. Qual das formas apresentadas pode ser aplicada ao coletivo? Algumas? Nenhuma? Todas? Podemos criar formas alternativas mesclando as conhecidas ou devemos pensar em formas novas de organização e divisão do trabalho?