Nota 5# (17/09/2015) SP

Acho que se perguntar se tal ou qual fato da vida é um “evento” ou não é uma das piores maneiras de lidar com a teoria do evento em Badiou. Não por acaso seu livro é justamente uma tentativa de disjunção entre Ser E Evento.

O que podemos nomear no mais das vezes é o sitio, mas não o evento em si que tem algo do indiscernível, como diz Badiou.

Por isso que suas teses sobre a materialidade da matemática são tão fascinantes e a importância do sujeito para o evento.

NOTA #1 [25/09/2015] (RJ II)

Algo que talvez me incomode nas páginas iniciais do Ranciére é a necessidade de precisar o que ele entende por igualdade. Me parece, na verdade, que a desigualdade é que é algo “natural”, ou ao menos estrutural. Esperar que uma sociedade seja absolutamente “igual” me parece um pouco ingênuo, mesmo que seja uma igualdade de condições, pois ainda que as condições objetivas sejam igualmente distribuídas não há como se esperar que as condições subjetivas de um indivíduo possam ser iguais a de todos os outros.
Não se pode afirmar a igualdade como pressuposto inicial, ou seja, partir dela como dado ontológico transhistórico, mas segundo Ranciére também não se pode postá-la objetivo, ou seja, partir da desigualdade como ponto de partida e alçar a igualdade como condição à ser alcançada.
O que fazer então? Conciliar as desigualdade? Escamoteá-las como se tenta fazer através dos discursos jurídico-ideológico e moral?
Me indago se não é necessário reconhecer e aceitar a desigualdade; operar com o que se tem e buscar a conciliação entre os sujeitos desiguais. Não sei, sinceramente.
A igualdade me soa como um valor totalmente burguês, na linha daquilo que Marx, Paschukanis, eno Brasil, Márcio Bilharinho Naves, já disseram, onde seu único objetivo é equiparar todos os sujeitos enquanto sujeitos de direito, ou seja, sujeitos que representam mercadorias. Os reais contornos da igualdade somente podem ser vistos como fetichismo?
Essas colocações na verdade não expressam exatamente uma opinião, mas talvez vacilantes dúvidas retóricas.

Nota #12 [22/09/2015] (RJ I)

Elaborações sobre o comunismo em Freud.

Tomando como referência passagens do Mal Estar na Civilização, bem como da conferência sobre a Weltanschaung, concluímos que para Freud o comunismo é uma espécie de religião nos tempos modernos, uma religião sem Deus que ainda prega profeticamente o “fim dos tempos”  e uma verdade “científica” tomada no entanto como dogma absoluto. Fica a pergunta: o crítica de Freud ao comunismo implicaria um aceitação das democracias ocidentais como um “mal menor”, isto é, uma forma política que “aceitou a castração” do Grande Outro?

Nota #16 [04/08/2015] (RJ I)

É difícil traduzir para a lógica coletiva a prática analítica de que “a resistência está do lado do analista”, ou seja, de que o problema não é o que o paciente não consegue dizer, mas o que o analista não consegue ouvir, por se confundir com o interlocutor do analisando e não discernir portanto quem é o outro a quem o paciente se dirige. Isso significa distinguir o outro dos participantes – o grupo enquanto tal – do outro do participante – o outro a quem ele se dirige – e essa distinção é mais sutil do que a entre o analista e o interlocutor abstrato do analisando.

Nota #15 [23/06/2015] (RJ I)

Com o capitalismo de crise, tanto o capitalismo chega ao seu conceito – todo laço sólido se desmancha no ar – como o marxismo finalmente encontra a psicanálise – pois precisamos partir do fato de que não há relação, não há laço simbólico consistente. Nessa situação, em que o Estado se mostra compatível com a total flexibilização da vida, o modelo do partido deixa de ser o estado e poderia passar a ser a escola analítica – uma instituição que se pretende fundada sobre a não-relação.