REFERÊNCIAS 16/12/2014 SP

 

 

CEII 09 12 2014 SP I

CEII 16 12 2014 SP I

 

Aparelhos Ideológicos do Estado

ALTHUSSER, L. P. Aparelhos Ideológicos de Estado. 7ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998.

Conceitos de Evento e Mundo 

BADIOU, A. Being and Event. New York. Continuum, 2012.  

Tiquê e Autômaton / Real e Repetição: 

LACAN, J. Seminário XI – Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar, 2008.  

Os Quatro (+ 1) Discursos de Lacan: 

LACAN, J. Seminário XVII – O Avesso da Psicanálise. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar, 2005.

Autômato e Mente:

PASCAL, A. Pensees. Penguin Classics; Revised edition , 1995.

Ideologia e Cinismo:

ZIZEK, S. Alguém disse totalitarismo? São Paulo, Ed. Boitempo, 2013.  

Áudio da reunião: https://soundcloud.com/ideiaeideologia/ceii-sp-16-12-2014

 

Nota #2 [09/12/2014] (RJ I)

Segundo a crítica pós-moderna do cristianismo ( e da psicanálise ) Jesus teria iniciado um movimento de subjetivação da lei. “Não há que praticar o adultério, mas basta pensar nisso para incorrer em pecado”. Mas em que consiste, justamente, tal incitação à “subjetivação” do mandamento? De que forma essa premissa pode ser interpretada como algo de outro e diferente do que a consolidação do supereu e da “hermenêutica de si”? Enfim, como considerar a condenação do adultério, o sexismo e homofobia presentes na doutrina que prega o amor universal, independente de pertencimentos comunitários ou gênero ou cor da pele? É possível oferecer uma leitura não dogmática das passagens bíblicas apegadas a certos particularismos culturais? Gostaria de ver retomada essa questão.

Nota #1 [09/12/2014] (RJ I)

A última reunião foi importante para fazer circular nosso impasse político. Nesse particular, o momento é privilegiado porque a associação do Círculo com o PSOL foi enriquecida nos últimos meses. A reunião motivou avaliações mais pessoais de membros em relação à questão. Parece haver consenso de que o grupo não “respondeu” aos últimos acontecimentos. O que tem sido desconcertante é nosso silêncio, menos que qualquer falta de “resposta prática”. Por isso, entendo que o mais importante é termos força para encará-lo. Mais essencial que “arregaçar as mangas”, na minha opinião, é pensar sobre ele.

NOTA #2 [09/12/2014] (SP)

Por que Lacan?

Nas últimas reuniões do CEII São Paulo, uma parte considerável das reuniões vem sendo destinada ao debate de conceitos lacanianos, a reunião de terça foi um exemplo disto. É certo que em diversos momentos do texto Zizek faz referência, direta ou indireta, à Lacan, mas o interesse do grupo por sua teoria, ao que parece, extrapola os conceitos que apresentados no texto; existe um interesse em Lacan que está para além de compreender o Lacan de Zizek, é preciso estudar Lacan pelo próprio Lacan.

É sabido que a psicanálise ronda os debates travados no círculo, dos quatro autores que nos circundam, pelo menos dois – Zizek e Badiou – tem um diálogo explicito e direto com a psicanálise francesa. Também não é nova a demanda por um Grupo de Estudo de Lacan no CEII – o qual foi iniciado de maneira provisória, quase como uma bengala durante o recesso da célula paulistana, com tempo determinado de início e fim e assim se deu e se encerrou.

Ainda assim, sabendo que Lacan é um autor presente no imaginário do Círculo, a questão permanece: por que Lacan? Diversos autores aprecem no texto que estamos trabalhando, alguns foram alvos de debates e discussões mais prolongadas, tais como: Althusser e Marx – ao qual dedicamos alguns encontros ao estudo do Capital. Mas em nenhum deles tivemos um interesse tão contínuo e prolongado e que estivesse para além dos conceitos apresentados no texto ou que surgiram esporadicamente nas reuniões.

Em conversa prévia com um dos participantes este me disse “tentei fazer meu dever de casa, estudei um pouco de Lacan esta semana” eu, quase de maneira automática, respondi “fique tranquilo, o enfoque da reunião não é discutir Lacan, é algo esporádico”. Quase como um capricho do “destino”, a reunião praticamente inteira se deu na discussão da psicanálise – psicanálise pura e simplesmente, não pensamos como esta nos serve para entender fenômenos sociais, ficamos na psicanálise pela psicanálise. E o mais intrigante foi que ninguém na reunião esboçou qualquer resistência a isto, todos pareciam satisfeitos com o rumo que a discussão levou.

Desde o fim da reunião esse questionamento ficou em minha cabeça – quase como depois de uma sessão de análise – por que dessa digressão rumo à Lacan, ou devo dizer, por que desse desejo dos membros de SP de utilizar o espaço da reunião para discutir psicanálise? Será que um grupo de estudos “daria conta” desta demanda? Não sei, tenho minhas dúvidas, a questão – e é de fato um questionamento – é que a pergunta perdura: por que Lacan?

NOTA #2 [30/08/2014] (RJ II)

Para Zizek a ideologia absorve qualquer tentativa de transgredir a ideologia, tornando a transgressão parte dela. Apesar disso o Evento de Badiou cria uma transgressão da ordem do Devir, ou seja, do não Ser para o Ser e do Ser para o que deveria Ser, Logo a ideologia que é da ordem do ser sofre uma reformulação. Essa reformulação ocorre por que os novos elementos não são partes da situação tentando sair dela, mas elementos que não apareciam na situação anteriormente aos quais a ideologia não conseguir absorver.

NOTA #1 [05/12/2014] (RJ II)

Nossa Mais-Um nos orientou um panorama do que seria a obra de Foucault:

1) Fase arqueológica (análise de discurso);

2) Fase genealógica (análise das práticas) e

3) Fase “ética”.

Foucault, assim como Althusser, seria um anti-humanista, pois não partilha das proposições modernas de homem abstrato. 

NOTA #5 [02/12/2014] (SP)

Para Zizek, a crença está materializada em nossa vida, nosso convívio social. É ela que dá sustentação a esta realidade.  Fazendo analogia, arbitrariamente, ao universo kafkiano, Zizek argumenta que Kafka fornecia uma “expressão “fantasiosa” e “subjetivamente distorcida” da burocracia moderna e do destino do individuo dentro dela”. Na verdade, o universo kafkiano não representa uma  simples “imagem fantasiosa da realidade social”,  mas sim a fantasia que está atuando frente à essa própria realidade (social).

Segundo o autor, o que chamamos de “realidade social”, nada mais é que um “construto (pseudo) ético” que sustenta-se num certo “como se” , em outras palavras, nós “agimos como se acreditássemos na onipotência da burocracia, como se o Presidente encarnasse a Vontade do Povo, como se o Partido expressasse o interesse objetivo da classe trabalhadora etc)”, tanto que, conclui Zizek, “Tao logo se perde a crença […], o próprio tecido do campo social se desintegra”.

Isso já foi, de certa maneira, diz Zizek, articulado por Pascal. Em um recorte, feito por ele mesmo, e atribuído a Althusser, Zizek diz que “em sua tentativa de elaborar o conceito de Aparelhos Ideológicos de Estado”: para Pascal, nós não devemos nos enganar quanto a nós mesmos, pois somos “tanto autômato quanto mente”. Enquanto as “provas” convencem apenas a mente; o habito nos fornece provas mais solidas a respeito de alguma coisa: “Segundo Pascal, a interioridade de nosso raciocínio é determinada pela absurda maquina externa – o automatismo do significante, da rede simbólica em que os sujeitos são apanhados”.

NOTA #1 [09/12/2014] (SP)

“A histérica demanda um mestre, mas um mestre que possa controlar, secretamente manipular” – Zizek, não literalmente.

 “This, for Nietzsche, is “slave morality” at its purest: we want a God/Master, but a competent one! We want a Master, but a Master who will be dependent upon us, a Master whom we can approve of, and eventually replace with another one. In other words, we want mastery without the Master. Just as, according to Nietzsche, Christianity perpetuates itself without God, mastery comes to perpetuate itself without masters. It perpetuates itself through knowledge that poses as objective, as absolutely foreign to the “irrational” and tautological dimension of mastery (“it is so, because I say it is so”). But this is stilla form of mastery (“the new tyranny of knowledge”), and a very powerful one at that” – Alenka Zupancic, The shortest shadow

 Penso que estas passagens são fundamentais para entender como movimentos tais como “junho de 2013”. Primeiramente, movimentos como esse, ao contrário do que pensam os entusiastas não são novos. Desde o inicio da guerra fria os “movimentos populares” (entre eles maio de 68) tem ocorrido com alguma frequencia (diretas já, os próprios movimentos que antecederam a ditadura, e outros mais)

 Neste sentido, temos que ter em conta que o que esta posição não leva em conta é a “irracionalidade” do mestre, pois o importante sobre o mestre não é seu saber, mas sua posição de enunciação (ou talvez sua legitimidade para enunciar). Em nossa sociedade, espera-se que o mestre seja portador do saber (próximo daquilo que Lacan chamou de sujeito-suposto-saber), ao mesmo tempo que tal posição permite ao sujeito elidir sua propria posição subjetiva (de submissão ao mestre).

 Como tal constelação do mestre se relaciona com a burocracia? Não seria próprio da burocracia um pensamento do tipo (seja lá qual for a decisão, teremos uma decisão)? Desta forma, a contingencia do mestre é elevada a necessidade, e a própria irracionalidade de qualquer decisão é legitimada (pensemos nos rituais antigos, em que decidia-se a sorte de algum prisioneiro conforme algum presságio “místico”. Ou seja, não seria a burocracia a própria contingência da decisão elevada a mais alta necessidade, uma crença objetificada? (A dialética do esclarecimento de Adorno e Horkheimer já viu algo neste sentido)