Nota #11 [04/02/2014] (Rj-I)

Existem dois grandes eixos de articulação entre política e filosofia: ou bem a filosofia tem algo a dizer sobre a política (“dá um norte”, por exemplo) ou bem não tem nada a dizer. O primeiro caso é o da filosofia política, o segundo é o da “filosofia pura”. O Badiou propõe um terceiro, onde a filosofia vem DEPOIS da política – a questão passa a ser: o que a política ENSINA pra filosofia? De que maneira ela informa o que a filosofia vai considerar como parte do possível?

Mas para propor essa terceira opção, o Badiou precisa de uma ontologia que não restrinja de saída *aquilo* de que fala, de modo que possa ser tarefa, nem da ontologia, nem da filosofia, mas dos tais “procedimentos genéricos” extrair novas determinações não só sobre o que há, mas sobre o que pode ser. A ontologia matemática do “múltiplo puro” dá um tratamento consistente e racional para essa tarefa: a ontologia do Badiou é rica, estruturada, mas não pressupõe nada além de que aquilo de que fala é absolutamente múltiplo. Esse é o primeiro requisito – não pressupor ou prescrever nada que vá de saída dizer o que a política é capaz. O segundo requisito é que, mesmo sem dizer nada desse múltiplo, a ontologia tem que incluir o espaço do que “não é o ser enquanto ser” – isso é, o espaço para eventos. Assim, a filosofia é capaz de manter, ao mesmo tempo, que só fala da multiplicidade pura (apolítica, asubjetiva, a-tudo) e que, no entanto, situações múltiplas podem produzir eventos, rupturas, etc. De modo que, a partir dessas rupturas (no campo da política, do amor, da ciência, etc) aparecem novas formas pensáveis (ainda dentro desses campos) – formas que a filosofia pode, a posteriori, aprender a pensar também. Então a filosofia – como para o Hegel – vem depois dos eventos extra-políticos e o melhor que ela pode fazer é uma *separação produtiva* dos campos de pensamento em que esses eventos acontecem. Para o Badiou, o que atravanca a pergunta “Que fazer?” não é a falta de filosofia, é a existência da filosofia política, que fica no caminho do pensamento político imanente à situação – e que, só depois, dá “estofo” para o pensamento filosófico de uma época.

Pra resumir: não tem compatibilidade entre a perspectiva ontológica e a política – e ESSE é o ponto do Badiou: a ontologia tem que ser subtrativa, buscar os recursos para não “cagar regra” para os outros campos. Ele leva muito a sério uma famosa frase do Lacan: “a metafísica é o que tapa o buraco da política”. Ele quer uma ontologia que não só não tape esse buraco (a capacidade da política de pensar coisas que não sabemos ainda) mas que, seja estruturalmente compossível com esse poder criativo extra-filosófico e, vindo depois dos eventos políticos, aprenda com eles.

Referências 27/06/2014 (RJ-II)

QUADROS.001 QUADROS.002 QUADROS.003

 

Sobre a teoria Freudiana das massas:

FREUD, S. Psicologia das Massas e Análise do Eu – disponível aqui

Sobre identificação imaginária e simbólica:

LACAN, J. Estádio do Espelho em Escritos (Jorge Zahar, 1998)

________ Subversão do Sujeito e Dialética do Desejo no Inconsciente em Escritos(Jorge Zahar, 1998)

ZIZEK, S. O Grafo do Desejo: Uma leitura política em Eles não Sabem O que Fazem –disponível aqui

 

Sobre a teoria Badiouiana do “animal humano”:

BADIOU, A. Éticaum ensaio sobre a consciência do Mal – disponível aqui

Sobre a teoria da coragem e da justiça em Badiou:

BADIOU, A. Teoria del Sujeto (Prometeo Libros)

-> ver “Teoria del sujeto según Sofocles, teoria del sujeto segun Esquilo”

Citação de Lacan, do seminário 1: “Onde deve parar esse reenvio? Será que deveríamos levar a intervenção analítica até diálogos fundamentais sobre a justiça e a coragem, na grande tradição dialética? É uma questão. Não é fácil de resolver, porque, na verdade, o homem contemporâneo se tornou singularmente inávbil para abordar esses grandes temas. Prefere resolver as coisas em termos de conduta, de adaptação, de moral de grupo e outras banalidades. Donde a gravidade do problema que coloca a formação humana do analista.” (Aula de 19 de Maio de 1954)

Sobre a ideia em Platão:

_________ ‘O que é uma Ideia?’ em A República de Platão – disponível aqui

 

Audio da reunião: https://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-27-06-2014-rj-ii

Vídeo da reunião: http://twitcam.livestream.com/g4tnh

 

 

Nota#3 [06/06/2014] (RJ-II)

Pois então, na última reunião falamos bastante sobre a relação entre a massa e o pensamento político do Badiou. Nesse sentido, a psiquê se constitui para fora do indivíduo, a partir do grupo(como as raízes de uma planta). Falamos sobre identificação em massa e como que a cede das identificações não possui um ponto indivisível, já que até os signos podem sempre decompostos em polaridades menores, apesar de seu efeito ficar cada vez mais difuso. A unidade como podemos conceber não é realista e seguindo os exemplos de comunicação de massa observados no século XX, existe um desencontro na base da formulação das experiências de massa que ainda não conseguimos transpor. A copa pode ser tomada como um exemplo paradigmático: mesmo na obviedade da manipulação de informações e recursos humanos para movimentar o evento, uma boa parte da população se sente menos ligada ao seu compromisso com a nação do que no caso de ir contra ideias de exaltação do comum. Entramos então numa dimensão semelhante a da religião, onde o grau de adesão ganha mais valor na medida em que adquire sinais reforçados sem distinção, e o pensamento político que procura conectar o singular de cada ação com uma verdade, se perde continuamente. É um tema que me preocupa pois nossa explicação de experiência subjetiva de verdade pode ser um estado de exceção caso considerado de fora. Para compreender melhor talvez seja necessário me aprofundar na concepção de círculo para o Agamben. Para isso me voltei ao projeto e entendi que talvez estivesse com uma concepção errada da relação entre estudos e política. Gostaria de ter mergulhado mais a fundo no que separa essas fronteiras entre o pensamento em massa e um pensamento que se disponha a lidar com os problemas mais atuais, compreender o que distancia essas escolhas.

Nota #3 [09/05/2014] (RJ-II)

No encontro do dia 9 de Maio, continuamos a discussão sobre o texto de Badiou, focando em duas passagens importantes: a reconstrução da teoria hegeliana do conceito – onde “o tempo é o ser-aí do conceito” e a teoria lacaniana do sujeito. Vimos, a partir das leituras, que a teoria de Hegel e a de Lacan tem muito em comum, ainda que não tenha ficado claro qual a relação entre o tempo na primeira e o sujeito na segunda.

Referências 11/06/2014 (CEII-RJ II)

QUADROS.002

QUADROS.003

QUADROS.004

Sobre a teoria Freudiana das massas:

FREUD, S. Psicologia das Massas e Análise do Eu – disponível aqui

Sobre a teoria Badiouiana do “animal humano”:

BADIOU, A. Éticaum ensaio sobre a consciência do Mal – disponível aqui

A ideia em Platão:

_________ ‘O que é uma Ideia?’ em A República de Platão – disponível aqui

 

Audio da reunião: https://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-11-06-2014-rj-ii

 

 

 

 

NOTA #8 [20/05/2014] (RJ I)

A VERDADE SEGUNDO BADIOU

A verdade trazida por Badiou se mostra como uma ruptura ao sistema ético vigente. Ela faz um buraco nos saberes prontos. “Chamamos verdade (uma verdade) ao processo real de uma fidelidade a um acontecimento”. E esse processo de verdade é que irá induzir o sujeito, este é fruto desse processo e não o contrário. Vale lembrar que o sujeito aqui é visto como produção singular, como ocorrência local do processo de verdade. Nos escritos de Badiou acerca da ética de uma verdade ele diz que alguém é simultaneamente ele mesmo e em excesso sobre ele mesmo. Também nos fala que na ética da verdade há uma lei do não sabido, muitas vezes o não sabido de nós mesmos.

A ética da verdade trás como primordial a seguinte questão:

… como irei, na qualidade de alguém, continuar a exceder meu próprio ser? (…) Isto é, a manter no tempo singular de meu ser-múltiplo, e unicamente com recurso material desse ser, o Imortal que uma verdade fez advir por mim em uma composição de sujeito.

A verdade se opõe à opinião, sendo esta última a base da sociabilidade, da comunicação. A opinião não pode ser nem verdadeira nem falsa, mas é comunicável. Já o que surge do processo de verdade não é comunicável. Ao falarmos de ética da verdade estamos falando desse não comunicável, desse a-social, do real e da limitação à busca de interesse, visto que este é regulado pelo jogo social.

Enquanto na ética contemporânea considera-se o sujeito de maneira geral, o que não pode ser realmente válido, visto que toda representação de mim é falsa, a ética da verdade leva em consideração os sujeitos singulares e os acontecimentos concretos. Enquanto a ética contemporânea tem o mal como uma evidência consensual, a ética da verdade pensa o mal a partir do bem.

A ética da verdade não nega o mal, pois este também pode ser uma dimensão possível, uma categoria do sujeito. O mal tem três nomes: simulacro, que é o terror de um falso acontecimento; traição, que seria a ausência de verdade; e forçamento forçar a nomeação do inominável.

Bibliografia – Badiou, A ética ensaio sobre o mal.

NOTA #9 [10/06/2014] (RJ I)

Apontamentos da palestra proferida na UFF, em 17 de junho, acerca da “Cidade ocupada”

 

6 do 13, A CIFRA DE UM VAZIO (Ou: a decisão pelo milagre)

0 – Gostaria de falar aqui não como uma pessoa, mas como o elemento de um sujeito coletivo. Por que temer as insígnias, os pertencimentos? Só há conjuntos de conjuntos e toda unidade, como a do Eu Indivíduo ou da Coisa Nacional, é imaginária.

A “cidade ocupada” pode ser pensada como ocupada pelos manifestantes de junho passado ou ocupada pelo capital hoje, às vésperas da Copa. Abordarei aqui dois pontos filosóficos articulados à onda de protestos que atravessa o Brasil desde um ano, e que ameaça intensificar-se às vésperas da Copa do Mundo: um referente à noção de acontecimento e outro à noção de violência

1 – Discussão preliminar, algo sofística: as jornadas de junho são ou não são? 6 do 13 representa um acontecimento de verdade na política? Será uma agitação superficial ou contém essa onda alguma força capaz de subverter as coordenadas de nossa situação, qual seja: economia liberal/governo repressivo?

2 – Muitos fatos contraditórios são evocados para caracterizar o movimento que tomou conta das ruas numa onda incomum (ao menos no Brasil) de protestos dos mais variados, e que foi iniciada a partir da reivindicação pelos 20 centavos da passagem, articulada pelo MPL.

2.1 –  Ardil para desestabilizar o governo X Despertar da consciência nacional

2.2 – Classe média teria se sentido esmagada e com a violência da PM se sentiu até fisicamente ameaçada X Emergentes que viram cessar a expansão de seu modo de vida.

2.3 – Crise do capitalismo global suscitada pelas bolhas especulativas X  Cooptação do Estado pelo Capital.

3 – O acontecimento não é um fato. Junho de 2013, e as manifestações que se seguem até hoje, é uma espécie de “designador rígido”, é a cifra de um vazio, condição da verdade na política como a cifra “Maio de 68” que apontava para uma ligação inédita entre trabalhadores, intelectuais e estudantes.

4 – Consequências para a filosofia: o acontecimento nos põe em deslocamento quanto a situação geral da anti-teoria, vigente nas últimas décadas: de crítica analítica, desconstrutiva, histórica e relativista:

4.1 – necessidade de se pensar/praticar formas de organização, com disciplina e fidelidade, ao invés de realizar apenas a crítica sumária à instituição, adotando na vida pessoal uma atitude aristocrática individualista de “estética da existência”.

4.2 – Percepção de que no liberalismo/individualismo, a pretensão de distância cínica em relação às ideologias, são a mais pura ideologia.

5 – A violência como ruptura com o estado normal das coisas contrapõe-se à violência responsável por manter a normalidade. O que pode haver de mais violento do que as prisões onde trancafiamos todos aqueles tomados como ameaça para a sociedade, ou mesmo um dia na vida do trabalhador comum, que ganha pouco, trabalha muito e mora longe de onde trabalha?

6 – Para Zizek, a forma mais eficaz de combater o sistema não é através da violência visível, quando jogamos uma pedra na vidraça de um banco, por exemplo. Essa violência muitas vezes não tem outra razão de ser senão a de nos levar a convencermos a nós próprios de que somos contra o sistema. A violência mais subversiva seria aquela em que o sujeito rompe com o fantasma que o liga ao sistema “de dentro”, no plano das práticas cotidianas, do fazer, ou de seu modo de gozo.

7 – O CEII como forma de organização auto-regulativa. Para Paulo Arantes, laços afetivos além da rede virtual, como se deu no MPL, é que geram a possibilidade de atos políticos mais agudos.

 

A CIDADE OCUPADA

Ocupada por quem?

O Rio, mais do que o Brasil, virou um modelo de um projeto de cidade-negócio. A cidade virou uma marca a ser vendida, e a vida urbana passou a ser uma mercadoria. Todo o transporte público do Estado está na mão das empreiteiras: o metro pertence à OAS, o trem pertence à Odebrecht, as barcas Rio-Niterói pertencem à CCR. O centro do Rio está sendo privatizado, um terreno enorme foi entregue a um consorcio por conta do Porto Maravilha (projeto de revitalização da zona portuária). As construtoras passaram a ter a gestão da cidade, e a política pública passou a ser pensada através da lógica privada. O Rio se transformou em um laboratório desse modelo de cidade, e ganhou um calendário que nenhuma cidade do mundo tem: visita do Papa, encontro da juventude católica, Copa do mundo, Copa das confederações, Olimpíadas. Passou a ser uma das cidades mais caras do mundo, que vive para produzir lucro em vez do bem estar dos seus moradores. Mas a cidade-negócio é também a cidade da resistência, das lutas contra esse modelo de cidade. (Fala do Freixo)

CIDADES REBELDES : AS MANIFESTAÇÕES SÃO COMPREENSÍVEIS PELA DEGRADAÇÃO CONJUGADA DO TRABALHO (COM BAIXO GANHO DE PRODUTIVIDADE E BAIXA QUALIFICAÇÃO DA MÃO DE OBRA) E DO MODO DE VIDA NAS CIDADES (CRISE DO TRANSPORTE, VIOLÊNCIA POLICIAL, MAS CONDIÇÕES DE MORADIA). 70% DOS MANIFESTANTES GANHAM ATÉ 3 SALÁRIOS MÍNIMOS.

Três características centrais distinguem o MTST, na vasta galáxia de movimentos que se enxergam como herdeiros das jornadas de junho. A primeira é a ênfase no trabalho de base, consequência de uma avaliação particular sobre a conjuntura política do Brasil. Ao contrário de muitos, os sem-teto não julgam que estejamos às vesperas de derrubar a ordem capitalista. Reconhecem a importância dos protestos do último ano – mas também seus limites. Grandes transformações só são possíveis com envolvimento ativo das maiorias. Não basta convencer pequenos grupos, os “60 ou 70 mil mais mobilizados”. A fase, portanto, não é de enfrentamentos abertos, mas de “acumular forças”. Terminada a fase dos grandes protestos, em julho de 2013, as ruas esvaziaram-se. Alguns grupos tentaram compensar este vazio radicalizando artificialmente as manifestações – o que as desgastou junto a parcela crescente da população. Os sem-teto adotaram outra tática. Preferiram voltar-se para as periferias. Lá, deu-se algo que nem as classes médias, nem a mídia, enxergaram. O desconforto provocado pela especulação imobiliária converteu-se em desejo de agir. A vitória na redução da tarifa de ônibus “funcionou como gatilho: sinalizou que a luta social poderia alcançar conquistas”. Guilherme Boulos – coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) in  Outras palavras A estratégia de Boulos e a hesitação de Dilma  POR ANTONIO MARTINS

SÃO PAULO, 09/06/2014 – “O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto coroou a jornada de mobilizações dos últimos meses com uma grande vitória hoje: o conjunto de nossas pautas foi atendido pelo Governo Federal, Estadual e a Prefeitura de São Paulo” afirma Guilherme Boulos, coordenador nacional do movimento. Entre as conquistas está a garantia de criação de moradias na ocupação “Copa do Povo”, próximo ao estádio do Itaquerão, onde moram há um mês cerca de 4000 pessoas. Caberá ao Governo Federal o financiamento de R$76.000,00 por unidade habitacional, valor que será complementado pela prefeitura e estado.

Além disso, o movimento conseguiu garantias de alterar a metodologia e distribuição do programa ‘Minha Casa Minha Vida’ em sua terceira etapa de implementação, com um reforço na modalidade Entidades, que permite, na prática, maior flexibilidade e autonomia na gestão de recursos de organizações e movimentos para construção e distribuição de habitações.Uma comissão federal de prevenção de despejos forçados será criada para evitar casos como o de Pinheirinho, que em 2012 removeu milhares de famílias de um terreno no interior de SP pela Polícia Militar a mando do então Governador Geraldo Alckmin.

Questionado sobre os atos durante o período da Copa do Mundo, o coordenador do MTST afirma que o movimento nunca foi contra a realização do evento, mas contra os efeitos perversos da organização de um evento desse porte, e crítico à forma como foram realizados os investimentos. “As mobilizações devem diminuir de intensidade por conta desse ciclo de vitórias, mas continuaremos nas ruas em pautas como o Plano Diretor, por exemplo”. Os Sem Teto foram um dos principais grupos presentes no ato de solidariedade à greve dos Metroviários nessa tarde na capital.”Vale ressaltar que essa conquista é fruto das mobilizações nas ruas, de um avanço na caminhada em direção ao poder popular, que não beneficia só o MTST mas todo o conjunto de políticas habitacionais no país” reitera Boulos.

NOTA #8 [03/06/2014] (RJ I)

A DIVISÃO DO SUJEITO

 

O sujeito no discurso cristão, tomado como dividido, se relaciona com o real de um modo inédito. Um sujeito é o entrelaçamento de duas vias subjetivas, a carne e o espírito, que não são equivalentes da alma e do corpo gregos. Para Paulo, “o pensamento da carne é morte, o pensamento do espírito é vida”. Carne e espírito representam duas vias de acesso à mesma coisa e não duas coisas diferentes. “É da essência do sujeito cristão ser, por sua fidelidade ao acontecimento-Cristo, dividido em duas vias que afetam, pelo pensamento, todo sujeito.

 

No discurso grego, o objeto é a totalidade cósmica, no judaico, é o pertencimento ao povo eleito, aliança excepcional do Deus com seu povo. O real para os gregos é uma morada com a qual o sábio consente; para o judeu ” o real é disposto a partir do mandamento”.

 

O discurso cristão desfaz a totalidade cósmica e “indica a insignificância dos lugares”. Por outro lado, ele se apresenta como heterogêneo à lei, “puro excesso sobre toda a prescrição, graça sem conceito nem rito apropriado”. O real, para o cristão, não é o que volta no mesmo lugar nem o que se literaliza na pedra intemporal da lei, do lugar de uma exceção. O puro acontecimento, tal como o Cristão apreende e reivindica, “não suporta nem o todo natural nem o imperativo da letra.

 

Abolindo a distinção entre gregos e judeus, tomada na retroação do acontecimento como ilusória, o discurso universalista cristão de Paulo promove uma divisão no interior do sujeito. A identidade étnica, que garantia a plenitude dos sujeito gregos e judaico, perde a sua importância genealógica, territorial, ritualística e assim por diante. “Fundar o sujeitocomo divisão, e não como manutenção de uma tradição”, diz Badiou, adéqua o elemento subjetivo a essa universalidade”, rescindindo o particularismo predicativos dos sujeitos naturais.

Nota #7 [03/06/2014] (RJ I)

Como ler o sintoma social (conflito) para nele poder intervir?

 

Os eventos políticos não prescrevem os métodos políticos de agir.

 

Teoria do engajamento X Teoria do conhecimento. Conhecer a realidade na qual estamos é um procedimento de pensamento ou efeito da ideologia?

 

Experiência improdutiva de determinação e experiência produtiva de indeterminação. O projeto do CEII é constitutivo e não regulativo. Trata-se de um êx-timo, um íntimo que está fora que o causa.

 

Então, qual a função do partido além da função eleitoral? Quais os efeitos em um pensamento político partidário?

Nota #7 [20/05/2014] (RJ I)

Intervir na realidade através da colocação de um pensamento, pensamento material, na arte, na ciência, no amor ou na política. Pensamento que causa efeitos subjetivos…assim como uma charge contém um pensamento que revela algo e o coloca em circulação, produzindo efeitos de verdade…e de engajamento do sujeito naquele pensamento…seria a produção de um pensamento dessa natureza a forma de leitura e intervenção no sintoma social, que se está querendo estudar, promover?

 

O que sustenta a transformação desse pensamento é o reconhecimento e efeitos subjetivos que ele produz…reconhecimento de algo da ordem de uma verdade (coletiva)…