Nota #2 [25/03/2014] (RJ I)

Pode haver uma Memória da História? Uma memória historiográfica, sim. Digo isso acreditando que a memória, ineliminavelmente, é propriedade do indivíduo que lembra. Deve haver entendimento formal que diferencie isso, claro. Mas nessa linha, diria que uma Memória da História pressuporia uma Consciência da História [um materialista não suportaria isso]. Mas e uma memória historiográfica? É possível. Acredito que ela pode informar aquilo que viu e lembra, ecoando o que registrou. Quando ampliada, essa memória é capaz de aumentar a visão do que passou. Como numa conversa, acalorada ou não, serve para que o ponto de vista de um seja informado do ponto de vista do outro. Nesse particular, evidente, é procedimento que enriquece.

 

Mas a política é redutível a memória? Quanto mais ampla for a memória sobre o que houve no passado maior será nossa memória sobre o que houve no passado.

Considerando que a memória é propriedade de quem lembra, pode permanecer exatamente em seu mesmo estado argumentando que “não se lembra disso”. Quem informa sua memória para justificar determinada ação, pode muito bem manter-se nela ainda que confrontado com outra memória, outro registro, outro conhecimento sobre o que houve: bastar dizer “não me lembro disso assim, meu ponto de vista é outro”.

“(…) Não tenho dúvida de que seja preciso lembrar-se da exterminação dos judeus ou dos resistentes. Mas constato que um maníaco neonazista tem uma memória colecionadora do período que ele venera e que, ao se lembrar com precisão das atrocidades nazistas, se delicia (…) a ‘memória’ não resolve questão alguma. Há sempre um momento em que o que importa é declarar, em seu próprio nome, que o aconteceu, aconteceu (…)” (BADIOU, p.55, 2009)

Deve haver política, nesse sentido, para além da história.

NOTA #1 [18/03/2014] (SP)

No último encontro do CEII-SP demos continuidade com a leitura do texto “Como Marx Inventou o Sintoma?” de Slavoj Zizek. Porém, conforme avançamos na leitura do texto, tenho me deparado com algumas limitações da minha compreensão a cerca da teoria de Marx. Estas, no limite, comprometeram o meu entendimento do texto.

Ao que parece essa foi uma questão para outras pessoas presentes na última reunião, tanto que achamos por bem pausar a leitura do texto de Zizek e no próximo encontro nós debruçarmos sobre alguns trechos do “O Capital” de Karl Marx.

Nota #1 [25/03/2014] (RJ I)

Parto de um comentário feito na sessão sobre “a consistência ser produto do dar-de-si”.

O que leva a pergunta, por que uma psicanálise tem que ser paga (e cara) para funcionar.

Aponta-se ai para algo da ordem do compromisso.

Então, a pergunta em relação ao CEII é como se dá a consistência da instituição, a partir da contribuição de cada um de seus membros.

A saída da C* nos marca do mesmo modo que se faz uma boa interpretação analítica. Nos convoca na nossa posição de sujeito, para nos perguntarmos “o que aconteceu?”, de que maneira estamos implicados nesse ato da colega. Abre-se um campo de significação, além do simplesmente dito em sua justificativa.

 

Ata do encontro.

 

Falou-se sobre a próxima visita do CEII ao Instituto Sinthesys, sobre a assinatura da Carta do Morro do Alemão de repúdio a violência, sobre a Clinica do Testemunho e sobre os projetos paralelos.

Levantou-se a ideia da escolha de alguém para se responsabilizar por estes projetos paralelos e a utilização do orçamento. Perguntou-se por que algumas atividades projetadas sofrem resistências na sua execução.

Foi lido o formulário de desligamento da C* que falou sobre a questão de institucionalização do CEII.

Levantou-se o fato de que nao é a primeira vez que alguém sai do CEII por causa do Projeto.

Também, se o transvestido de classe proletária como classe media (Brasil) pode ser tratado como Revolta da Burguesia Assalariada (Zizek).

A declaração vai ser verificada no futuro. É preciso demarcar o que aconteceu (a dimensão de ruptura com a situação) e a possibilidade com o genérico.

Sem se dar-de-si a coisa nao tem consistência.

Os dois discursos da dominação com base no eu: “Eu estava lá” e “de tão verdade que é eu nao precisava estar lá” .

O grandes problemas matemáticos é o irracional aparecer no meio do racional (Livro “O irracional”). O trabalho de racionalizar isso, começa um outro trabalho.

Na memoria, o ponto de partida é uma particularidade (individuo, comunidade, perspectiva). Como depois universalizar ou generalizar isso? O acontecimento parte disso (da singularidade, do irracional) rumo ao universal. O fato elimina essa construção, como se fosse possível partir do universal como se ele fosse dado. A memoria tenta alcançar o universal com o particular e nao o singular.

Só a forçacão da permanecia (persistência?) produz a consistência. O processo de subjetivação onde nao tem lugar.

Nada que termina é acontecimento (Badiou). O fim das coisas é da ordem dos fatos e nao do acontecimento. O fim nao propõe nada, nao pode ser suplementado por nenhum desenvolvimento ou uma fidelidade, portanto nao seria evental:  alguma coisa que pode tornar algo possível em seguida.

Pensamento politico condicionado como filosofia da comunidade (1793). O que nao tem a força do múltiplo puro nao pode conservar os poderes do Um. As capacidades estruturais da usurpações são mortais. Comunismo na perspectiva de como nomear uma comunidade universal, fim de classes, e o contrario de qualquer império.

A morte é o retorno do múltiplo ao vazio que o compõe, a sua dissociação . O que se pensa na morte é a nulidade intrínseca do ser.  Todo acontecimento é uma proposição infinita, na forma radical de uma singularidade e de um suplemento. O fim, apesar da angustia, não propõe nada.

Filosofia como bom terror. O terror em nome de uma ideia. Em nome de um principio vazio se vai investigar quem participa ou nao do movimento Mas como o principio é vazio, como se vai medir o engajamento das pessoas? Cria-se um aparato de suspeita dos outros, para dar conta disso. Arruma-se um critério identitário. Problema do fascismo qdo se positiva o traço. Ou confiança em forçar o traço vazio, nomear tudo tão perfeitamente, que vai se dizimando as pessoas, as quais nao se tinha certeza. Na noção identitária da classe que nao se tem identidade, nunca se vai poder discernir completamente. Positivar algo negativo. O trabalho é um traço que marca. A fetichização do trabalhador é tão grande que impede que o trabalho se dê.

O acontecimento é de natureza tal que o logus filosófico nao tem condições de declará-lo.  Um dos fenômenos pelo qual se identifica um acontecimento, é que ele seja como um ponto real que coloca a língua num impasse. O que impõe a existência de um novo discurso e de uma nova subjetividade. É propriamente inominável. Mas, também nao é suficiente em exceção para a exceção da língua ser marcada. Não é marcado positivamente nem negativamente. E na dificuldade de falar se encontra uma coisa em comum. Colocar a língua num impasse nao é só se referir a uma experiência que as palavras nao alcançam. Poe a linguagem em cheque, mas também é comum demais. Não é uma experiência singular tipo um insight místico que garante o que se vai fazer.

Sustentar distinções e diferenças onde o outro e a linguagem nao sustenta.

Estado da situação é dividir as determinações de modo que o vazio nunca apareça, por razoes de estrutura.

A revolução como consequência da verdade politica (Baudiou).

Loucura da predicação (Paulo) e consciência da miséria (Pascal).

Referências 28/03/2014 (RJ-II)

QUADROS.001QUADROS.002QUADROS.003QUADROS.004

Sobre a massa nas pinturas medievais:

Hieronymus Bosch (ap.1450-1516)

Marinus van Reymerswaele (ap. 1490-1546)

Pieter Brughel, o Velho (ap.1530-1570)

Sobre as cidades medievais:

LE GOFF, J. Entrevista: As cidades medievais estão na gênese do Estado modernodisponível aqui

________ O apogeu da cidade medievaldisponível aqui

Sobre a massa como fenômeno:

LE BON, G. La Psicología de las massas disponível aqui

_________ The Psychology of Revolution – disponível aqui

________ As Opiniões e as Crenças disponível aqui

Sobre a teoria Freudiana das massas:

FREUD, S. Psicologia das Massas e Análise do Eu – disponível aqui

Sobre a teoria Badiouiana do “animal humano”:

BADIOU, A. Éticaum ensaio sobre a consciência do Maldisponível aqui

_________ ‘O que é uma Ideia?’ em A República de Platãodisponível aqui

 

 

Gravação da Reuniãohttps://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-28-03-2014

Nota #10 [21/01/2014] (RJ-I)

No dia 21/01, discutimos a diferença entre o ócio e o repouso. O tempo de repouso é um tempo em que não trabalhamos, mas que é pago pelo salário, para que possamos recuperar nossa força e continuar trabalhando depois. Dessa forma, o salário cobre todo o nosso tempo – o ócio, portanto, não é um tempo dado, é um tempo que terá que ser composto tanto do tempo de descanso quanto do tempo de trabalho, é um sub-conjunto composto de partes do trabalho e parte do repouso – um sub-conjunto organizado por uma regra que não é a do capital. Poderíamos construir, por essa perspectiva, uma teoria do trabalho militante através da categoria da fidelidade, desenvolvida por Badiou.

Nota #9 [14/01/2014] (RJ-I)

No encontro do dia 14/01 discutimos o estatuto do PSOL e algumas formas diferentes de entender a relação entre a massa, as bases partidárias e os quadros. Falamos também, de maneira um pouco apressada, sobre como o estatuto do PSOL trata os conteúdos burocráticos como se não fossem parte da anatomia política do partido, exagerando na retórica, deslocada para um estatuto, quando os ítens versam diretamente sobre temas como democracia, discussões, criatividade, etc.

Nota #2 [21/03/2014] (RJ-II)

Existe o Estado da situação e a Situação. O primeiro é como se pode contar, o segundo é tudo o que pode ser contado menos o vazio. A Situação diz o que pertence. O vazio não pertence, ele está incluído nos conjuntos.

Teoria axiomática de Badiou: tudo é conjunto. Só há conjunto. O axioma do conjunto vazio afirma que há o conjunto ao qual nenhum elemento pertence. A inclusão é uma operação secundária em relação ao pertencer. Para Badiou existem infinitas possibilidades e o vazio. O Estado representa o que a Situação apresenta. O Evento é um ponto comum, é o vazio. O Estado produz diferenças, o vazio produz indiferenças.

Nota #3 [14/03/2014] (RJ II)

O sujeito é distinto do indivíduo. A verdade é diferente do saber. Como então extrair uma conseqüência de um evento? É através do trabalho de subjetivação, em que se pensa o lugar singular dentro da transtemporalidade de um processo de verdade. É nesse ponto que se cruzam 3 esferas da existência de uma ideia: um componente político, outro histórico e um componente subjetivo. Badiou escolhe a ideia do comunismo como exemplo, e a caracteriza por uma operação. Pois é onde se dá o entrelaçamento entre três campos de determinação, dando conta das pontas que ficariam soltas caso tomássemos cada um deles isoladamente. Essa operação demonstra que as três instâncias podem se sustentar enquanto atualizadas numa decisão. A função do evento passa a ser o encontro com algo impassível e incodificável, mas que coloca em questão toda configuração específica que dá os critérios pelos quais, até o momento, se determinava cada um desses campos.

Referências 25/03/2014 (RJ-I)

QUADROS.001

 

Manifesto: Queremos ser felizes e andar tranquilamente na favela em que nascemos.

Sobre o lugar da morte no pensamento de Badiou:

BADIOU, A. A Morte do Comunismo em Un Desastre Obscuro (Amorrotu)

________ Existence and Death – disponível aqui em inglês

Sobre o problema do fascismo como um problema de verdade:

BADIOU, A. Ética disponível em castelhano

Sobre o conceito de “fato” na obra de Badiou:

BADIOU, A. ‘Lógica dos sítios’ em Logicas dos Mundos – disponível aqui

Sobre a ideia de presente como corte:

GRANGER, G-G. O Irracional (Unesp)

LOBEIRO, A. Construção dos Reais: um enfoque usando os cortes de Dedekind disponível aqui

 

 

Gravação da reunião: https://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-25-03-2014-rj-i

NOTA #6 [18/03/2014] (RJ-I)

I – O FORMULÁRIO

 

A questão do formulário: borda entre o institucional e o conceitual.
O CEII produz singularidades e nao conta com as singularidades da pessoas.
Formulário como déficit criativo?
Algo igual para todos e capacidade de fazer alguma coisa e provar do que é capaz.
 
A pessoa sinta que ela escolheu aceitar, sem saber qual o critério objetivo.
Produzir o ‘che voi’ (o que ele quer?)
 
Uma elaboração secundária (semblant) para poder lidar com o que faz.
Um conjunto de pessoas ligadas por uma ideia.
A diferença da ideia e de um ideal.
Justificativa para aprovação e negação dos candidatos. Critério a fidelidade ao projeto que sobrepõe ao projeto.
Formulário critério de pertencimento ao CEII, parte de um procedimento.
Negar formulários se existe um critério do que deveria ser. Criou-se consistência no grupo com o estabelecimento do critério.
Produzir a burocracia no nível de alguma coisa sem sentido, vazia, tem mais efetividade politica do que a multidão na sua espontaneidade cada um no seu canto.
Avaliar a capacidade da pessoa suportar a burocracia, que ela nao sabe para que serve.
E se pergunta por que algum grupo tão pequeno tem o direito de dizer se pertence ou nao pertence, com uma coisa estereotipada quanto o formulário.
A caricatura da instituição.  Formulário tem a função além de ver se o candidato suporta a burocracia, leu o projeto ou se tem algum afinidade com ele.
É um meio de separação, pois se não existir uma ferramenta desse tipo, ai fica caprichoso.
Pessoa implicada com a emancipação política, tem que conseguir suportar ter que passar pelo formulário. Significa que já concorda com alguma coisa, e tem certo engajamento com essa problemática, antes e depois de ter se disposto a esse problema.
O formulário nao é qualquer coisa, é um modo de entrada. Espaço de vizinhança continua com o mundo, vai ‘ficando’ e de repente, está dentro. Outra opção seria a experiência de ‘nao estava, agora eu estou’.
É produtivo passar do ‘não estava’ para ‘agora eu estou’?
A experiência de dizer ou ouvir um ‘nao, é sempre negativa?
Ter poder tem haver com a capacidade vc descobrir as coisas a custas nem sempre baixa. Descobrir o que o CEII é a custa das pessoas não entrarem.
O preenchimento já exige uma transformação, na mudança de vir participar de um grupo novo.
Por que nao é um grupo de estudos a não ser por essa formalidade, fazer notas.
Grupo de estudos disciplinado.
A nota é um fator de disciplina. Dois elementos, duas operações formais de distinções inventados são o formulário e a nota. Nota como operadores sequencial que marca uma relação de encontro para encontro, e o formulário como operador limite, um dentro e um fora mais geral.
Nao se deveria perder uma operação que produz perguntas.
Um grupo traumático.
 

CONCLUSÃO.
Sobre a questão do formulário foi dito da opção por fazer uma demarcação nítida entre o dentro e o fora e falou-se várias justificativas para isso.
Num dado momento da fita foi dito a seguinte frase: ‘Se fosse ficando’, mas isso me remeteu ao enunciado ‘se fossificando’.
Me perguntei se essa fossificação seria no sentido de tornar-se coisa (instituição), ou no sentido de algo que se extinguiu num passado distante, e encontra-se como um resto desse passado.
Frequentei algumas instituições de formação de psicanalistas e lá, a pessoa entrava, pagava uma mensalidade de acordo com os grupos de estudos que estavam disponibilizados, e depois, se quisesse, pedia para virar um membro da instituição.  Aqui sim, seria o momento mais formal de demarcação da mudança entre o fora e o dentro (embora antes a pessoa já estava dentro, produzindo e pagando sua contribuição).
Lembrei da ‘banda de moebius’, onde não existe demarcação nítida entre o dentro e o fora, e me perguntei se não seria esse modelo o menos ‘fossifilizado’ e que apontasse para uma verdade. Lanço a pergunta.
Entendo que o CEII, por sua vez, não cobra de seus membros uma contribuição mensal. E, tem um patrocinador e que por isso tem que prestar contas ao patrocinador de seu funcionamento, e a mostração de que tem um número x de inscritos pesa na hora de conseguir o financiamento do seu projeto.
Para mim, a necessidade do formulário é para atender a essa necessidade prática de conseguir financiamento. Quais o s resultados disso para o bem e para o mal, não é algo que se possa antever, pode-se conjecturar. Por exemplo, até que ponto o financiamento do patrocinador influencia as decisões tomadas pelo grupo?
Concretamente é o que possibilita a existência da instituição.
Diante dessa colocação, acho que a sugestão de justificativas tanto para aprovação como negação dos formulários é uma ótima solução para se evitar o aparecimento de fantasias que interferem na produção grupal.
 

 

II – A ATA
 
Temas colocados na reunião: O ser humano mais aquém do bem e do mal. A maldade depende do evento. O mal é evental e está em todos as categorias do sujeito, mas forçado demais. Falta de confiança na capacidade do evento de causar. Substitui o vazio do evento por alguma coisa positiva. Se antecipa sem fazer o processo. O terror fascista é uma impotência perto da potencia da verdade (Badiou). Em vez de manter a verdade em potencia, acha-se que tem que forçar a verdade. Simulacro positivo no lugar de um evento. Tapar o buraco do evento com um dado.
 
Tudo aquilo que no CEII parece um dever é um direito. Deve-se formular melhor o inegociável. O direito a uma restrição? Como fazer para nao virar um dever. Mas também nao perder o sentido.
A existência da restrição positiva para a produção.
Se não há cobrança a pessoa pode participar. Não há registro no Outro do CEII.
A pessoa esta disposta a entrar num grupo que tem alguma filiação com o PSOL?
 
Por que o policial se corrompe? Policial de origem pobre, que vê na polícia um lugar onde num trabalho x ele consegue uma grana seja diretamente ou propina, que fecha o orçamento mensal dele.
Ou, um policial quer ser um herói, onde falta reconhecimento, que o leva a se deslocar para violência. Querer se forçar em cima do Outro, de qualquer maneira.
Se um partido quer ter um vinculo com o destino do problema da policia no Brasil, tem que mobilizar o policial corrupto e oferecer a ele o que ele não encontra na polícia, em outro lugar.
Ou realizar a transgressão do poder, a bandidagem e ao mesmo tempo, corresponder ao ideal social.
 
O mapa é útil na medida em que ele condensa o mundo. O partido que não consegue condensar as demandas e simplesmente as repete. Resposta do Kosovo: quando a forma partido fica inútil, isso termina a forma partido ou se pode continuar pensando como mapa inútil, onde pessoas habitam.
 
Axioma Leninista: a massa nao sabe o que quer e é preciso haver direção (Vanguarda).
Axioma Maoísta: é preciso confiar nas massas.
Fracasso da forma partido é o fracasso de um mapa, de uma orientação decente. Fracasso de juntar a confiança na massa com a direção.
Qual a demanda diante do fracasso e inutilidade do partido? Nao se precisa dela para mobilizar movimentos populares e sociais.
 
O movimento popular só seria tipo o movimento maoísta, por exemplo, por habitação?
Pode-se dividir demandas em absolutas (abolição do salário) e relativas (melhoria de salário) de lutas de classe. O movimento local é onde a luta de classes relativa é diferente da absoluta. Para Marx, movimento é qdo ao se fazer a demanda relativa, se faz a absoluta.
Se distinguir alguma coisa além da demanda era seria mobilizável.
 
Tarefa daquele que quer intervir é nao fechar, pois os obstáculos do processo analítico, são por conta de que o analista não quer ouvir e não do que o analisante não quer falar.  A tarefa de quem quer intervir é não resistir. Não fascinar com aquilo que esta sendo espontaneamente apresentado ali.
 
Qual seria a forma de intervenção que distinguiria entre a demanda transitiva por identificação, e uma declaração mais intransitiva, que esta junto da demanda.
 
As organizações politicas tem uma tendência de se identificar diretamente com as demandas dos manifestantes.
Direção do tratamento é um problema do analista, princípio do seu poder é um problema do analisando.
 
Pensar o desejo do analista, como vc consegue e vai dirigir um tratamento onde o principio do tratamento nao é dado por vc. Dirigir o tratamento analítico requer do analista que ele confronte alguma coisa nele que resiste a essa pulsação do inconsciente, qdo a coisa aparece ele tem que ouvir aquilo.
O principio do poder do analista reside na dimensão da fala do analisando que fala independente do falante. Confiança não no falante, mas na fala. Dirigir não porque vc sabe para onde ir.
Ha um pensamento em jogo nas manifestações violentas dirigidas aos bancos. A quem se endereça?
Tese: Primeiro a revolta, segundo, uma esquerda incapaz de produzir uma direção consistente, terceiro, o movimento que surge de dentro das manifestações  não direcionadas.
Uma clausula que abole a si-mesma.
Vc quer identificação para pedir alguma coisa que só com a identicaçao vc terá força.
Blackblocks agiram no interesse de quem? De demandar identidade?
 

Analise:
1. Uma revolta grande em face do Estado por dificuldades de pagar a mensalidade. Ameaça real de perder um pequeno privilegio que pode levar a pessoa de ter um futuro melhor.
2. Encontra uma esquerda despreparada para dar um direção a isso.
Quebec foi diferente, por que tomaram o poder e derrubaram o primeiro ministro.
3- Um movimento surge de dentro das manifestações, mais ou menos organizado direcionado para uma certa instancia, mais violento. E divide a população entre aquele que se reconhecem no movimento e outros que nao concordam.
 
Pontos em comum: apontam o fracasso da esquerda e o fracasso dos movimentos de massa.
Demanda de nao se reduzir a classe trabalhadora e para ganhar consistência teria que ajuntar forças com a instancia da qual ela quer se afastar.
Entre o movimento espontâneo e o violento estaria o fracasso da esquerda.
O fracasso das manifestações, um impasse estrutural,
E, se aceitar a tese de que o problema da identificação estava em jogo na demanda, fica o problema de se querer demandar identificação, mas para se poder fazer isso, com força se tem que associar a um lugar do qual se esta querendo se separar através da identificação.
E, o fracasso da esquerda esta em nao conseguir produzir uma forma de organização ou emblema capaz de operar a conjunção impossível entre as duas coisas: dizer sim, vc pode pedir identificação, e sim, vc pode se aliar das pessoas de quem vc quer se afastar. Isso é uma classe que abole a si mesma, por que nao quer ficar naquele lugar.
Quer a identificação para fugir de uma coisa que só com aquela coisa, vc teria força para pedir a identificação.
Do fracasso duplo acontece a violência que não dá para compreender seu sentido direito, só o representativo, que encarna a contradição no interior da movimentação.
Do lado das massas tem um fracasso por; e do partido nao consegue produzir um emblema que fosse capaz de pensar a conjunção, quer a identidade, mas para fazer isso tem que nao ter identidade.
Soluções para o impasse (impasse de potencia):
a)     Fascismo: eu te dou um emblema que faz isso. Vc luta contra alguma coisa especifica e positiva. E mobiliza os elementos capazes de produzir atividade política, a disciplina, a organização. Em nome de uma identidade positiva, que nao é de classe, vc ganha o direito de usar a organização e a potencia.
b)     Criminalidade no Brasil, o crime organizado. Onde se reconhece uma identidade que nao é de classe. Por que ele mobiliza tanto?
c)      O consumo, Estado e mercado fazem solução de compromisso que nao atende ao que vc queria mas agora vc pode comprar uma geladeira. E, o monopólio da organização continua com o Estado.
 
Elas são falsas alternativas. Nenhuma delas mobiliza o poder onde ele está. Mobiliza uma versão reduzida ao dar um identidade e mobilizá-la.
 
Não desqualificar a demanda por identificação e responder a ela sem abrir mão do problema de classe, e por responder isso pode-se utilizar a organização, mobilizar essa potencia.
 
Qual o emblema que seria capaz de mobilizar a potencia popular sem passar para o seu acting out?
 
O partido do Kosovo tenta responder o problema da identificação sem propor ideais de esquerda, que fetichiza a classe trabalhadora, vai propor ideais de consumo, pedir para ser reconhecido como partido de poder, e, é a favor da corrupção, da propina, e tem um apoio popular inacreditável.
 
Como nomear a intervenção depois que se viu que ela fracassou? Criando um emblema que captura uma potencia popular sem demandar um acting-out, especifico dela.
Só mobilizar ela através de uma figura.
Por que isso é difícil de fazer? Como causar desejo nao do lado da causação, mas do lado do causado?
Exemplo de acting-out em relação a potencia é a frase “Aja como um homem”. É uma demonstração de impotência, pois se responder e demonstrar, é o contrário, pois acabou de obedecer alguém. E, se não faz nada, a potencia nao se revela o suficiente para ser reconhecida como tal.
Muito pouco se consegue falando para uma pessoa pobre que ela devia prestar mais atenção na organização do poder. As demandas do pobre nao são demandas politicas (relativas ou absolutas).
A miséria é miserável porque nao tem conteúdo positivo marcando o lugar da luta de classes, se tivesse nao haveria luta de classes?
O problema da militância se depara com um problema parecido com o da atuação.
Ao se pedir a alguém que se aja de acordo com um ideal universal da politica, a atualização da politica, numa demanda particular, vira o seu oposto: a luta local por interesses privados (uma coisa especifica, moradia, comida, serviços melhores), provando a impotência da esquerda em produzir uma orientação universal e consistente, que nao seja condicionada por interesses privados e localizados.
E, se o ideal universal fica só, ela não é real o suficiente para que a potencia seja marcada, vista como um ideal associado a um poder.
É por isso que o impasse da potencia é o impasse do emblema. Só vai ser um emblema para todos na medida em que ele nao se atualiza numa questão local, pois se atualizar numa questão local, ele vira uma demanda localizada.
E a miséria nao trabalha com divisões, quem faz isso é o profissional leninista.
O partido forte corrige o problema, inventando um ideal mais localizado, sobreviver a passagem da atualidade, e se tornar emblemas para organizar alguém de fato.
Politica de semblante puro. Finge sua própria potencia, que tentam realizar. Poder da aparência como aparência, em vez da corrupção dos grandes ideais. Tem a força de construir uma pura corrupção. Se apresenta como corruptos. Amigos de todos os políticos corruptos do Kosovo. Mas corruptos do que, pois nao desviaram nenhum dinheiro? Eles são os desvios. Em vez de um superinvestimento num emblema autentico que levaria ao fascismo, o partido forte celebra um fascismo sem inimigo. Se apresenta, assim, como organização protofacista.
Em vez de substituir o poder legitimo da democracia popular pelo crime organizado que fica em paralelo, eles falam da lei como se ela mesmo fosse criminosa.
Esse é um passo que faz uma transubstanciação de uma impotência, numa outra coisa estranha, que é confirmado e não refutado pela sua inversão. Leva da impotência a impossibilidade.
Como chamar uma organização política que não é direcionada pelo elogio vazio da democracia, da honestidade, da igualdade? Mas, é um elogio do fracasso desses ideais.
A impressão é tudo! Inventou um jeito de permanecer potente, pois se passar para a realidade vão fazer o que prometeram: nada! O fracasso do acontecer é o que foi dito que iria acontecer: nada.
Isso produz identificação sem que seja com nada especifico. É uma demonstração de poder. Poder que nao se atualiza.  Eles já são aquilo que as pessoas querem que eles sejam no futuro.
A ideia de que nao se pode confiar naquilo que é excessivo, na manifestação, é algo fascista que vai procurar organizar o excesso.
Nao dão o que a massa quer, e não dirigem. Mas confiam na massa e dirigem. Com quem vc transfere na politica? Só com aqueles que não pedem transferência.