Referências 26/11/2012

Sobre Marx inventar o sintoma:

LACAN, J. Do sujeito enfim em questão em Escritos (Jorge Zahar, 1998)

______ Seminário XVIII: De um discurso que não fosse semblante (Jorge Zahar, 2009)

Sobre o sonho da “injeção de Irma”:

FREUD, S. A Interpretação dos Sonhos (Imago, 2001)

-> ver capítulo II: O método de interpretação dos sonhos: análise de um sonho modelo

Sobre a diferença entre conteúdo manifesto e pensamento latente:

FREUD, S. A Interpretação dos Sonhos (Imago, 2001)
-> ver capítulo IV: A distorção nos sonhos

Sobre a diferença entre desejo inconsciente e conteúdo “oculto”:

FREUD, S. A Interpretação dos Sonhos (Imago, 2001)

-> ver capítulo VI, parte I: Elaboração secundária (última nota de rodapé)

Sobre a dialética da essência e da aparência:

HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito (Vozes, 2011)

-> ver §165: “Levanta-se, pois, essa cortina sobre o interior e dá-se o olhar do interior para dentro do interior: o olhar do homônimo não-diferente que a si mesmo se repele, e se põe como interior diferente; mas para o qual também se dá, imediatamente, a não-diferenciação dos dois – a consciência-desi. Fica patente que por trás da assim chamada cortina, que deve cobrir o interior, nada há para ver; a não ser que nós entremos lá dentro – tanto para ver como para que haja algo ali atrás que possa ser visto.”

_________ Ciência da Lógica (Barcarolla, 2011)

-> ver Segundo Livro, Primeira Seção, Primeiro Capítulo: A Aparência

Sobre a forma da mercadoria:

MARX, K. Capital, vol.I (Civilização Brasileira, 2008)

-> Capítulo I, parte D, seção 4: O Fetichismo da Mercadoria: seu segredo

A forma que inventa sua origem: “A reflexão sobre as formas da vida social, e por conseguinte a sua análise científica, segue um caminho completamente oposto ao do movimento real. Começa depois dos factos consumados, já com os resultados do processo de desenvolvimento. As formas que imprimem aos produtos do trabalho a marca de mercadorias e que por isso são pressuposto da sua circulação, possuem, também elas, já a fixidez de formas naturais da vida social, antes que os homens procurem dar-se conta, não do carácter histórico destas – que, pelo contrário, se lhes apresentam já como imutáveis -, mas do seu sentido último. Assim, foi somente a análise do preço das mercadorias que conduziu à determinação da grandeza do valor, e somente a comum expressão das mercadorias em dinheiro levou à fixação do seu carácter de valor. Ora, é precisamente esta forma acabada do mundo das mercadorias, a sua forma-dinheiro, que, em vez de revelar, dissimula o carácter social dos trabalhos privados e as relações sociais entre os produtores. Quando digo que o trigo, um fato, botas se relacionam com o tecido como incarnação geral do trabalho humano abstracto, a falsidade e o absurdo desta expressão salta logo à vista. Mas quando os produtores destas mercadorias as relacionam ao tecido – ou ao ouro ou à prata, o que vem a dar no mesmo -, como equivalente geral, as relações entre os seus trabalhos privados e o conjunto do trabalho social [global] aparecem-lhes precisamente sob esta forma absurda.”

 

Fragmentos seletos de Freud e Marx

Gravação da Reunião: http://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-26112012

Nota #1 [26/11/2012]

Uma das coisas mais interessantes que pude observar na última reunião foi que cada um dos participantes discutiu, expressou e entendeu as questões do sonho de uma forma própria, com uma linguagem própria e à partir de referências próprias. Se fizéssemos uma analogia entre “a reunião” e “o sonho”, seria exatamente esta pluralidade de linguagens, interpretações e “entendimentos”, de onde elas vêem, como, porque e de que forma se manifestaram na reunião a explicação perfeita para a questão do “sonho”.

“A reunião”, assim como “o sonho” são um “algo” em sí mas que, mesmo sendo um algo em sí, dependem de outros “algos” que o façam acontecer, algos particulares e pessoais, alguns ocultos outros não, que se mostrarão então no sonho (ou na reunião) que nada mais é do que um “palco” para estes acontecimentos. E eis um ponto interessante aonde a leitura de um texto e a tentativa de entendê-lo se refletiu na prática que estava acontecendo na própria reunião, os elementos que formam os sonhos são análogos aos elementos que formaram a reunião! Além do que, fica a lição que não precisamos de uma linguagem única para entender certa coisa específica e que é principalmente na pluralidade da linguagem que a teoria pode se tornar uma prática.

Nota #4 [12/11/2012]

No final do texto “Como começar do começo” de Zizek, o autor cita três frações da classe trabalhadora: os trabalhadores intelectuais, os trabalhadores manuais e os excluídos. Cada parte dessa classe aparece como diferente da outra, com sua ideologia e forma de vida que os divide. As três partes remeteriam, respectivamente, aos conceitos hegelianos de universal, particular e singular. Assim, as políticas identitárias representariam um obstáculo à união da classe trabalhadora, opondo uma parte à outra devido às suas características falsamente únicas. Ainda há mais problemas, como por exemplo, o preconceito dos trabalhadores cognitivos com os manuais e o ódio dos últimos em relação aos intelectuais.  A famosa frase de Marx “Proletários de todos os países, uni-vos!” se torna uma convocação mais atual do que imaginara.

A influência hegeliana sobre Zizek justifica o nosso retorno a um breve texto de Hegel sobre “O conceito subjetivo”. Primeiramente, gostaria de tentar explicitar como compreendi brutamente os conceitos de particular, universal e singular. Parece-me que o particular se apresenta apenas como uma parte do universal. Aqui podemos tomar como exemplo as frações da classe trabalhadora que o autor nos apresentou: cada classe representa o particular (trabalhador intelectual, manual e excluído) e, ao mesmo tempo, remete-nos ao universal (a própria classe trabalhadora). O singular seria aquilo que nega a si mesmo e que funda o universal; parece-me que é por isso que Hegel afirma que no universal “se contém ao mesmo tempo o particular e o singular”. Agora, retornando ao texto, o que é o conceito? O conceito é um concreto universal, interno à coisa, e não um universal abstrato externo à coisa. No entanto, o que seria o concreto universal e como o conceito pode conter em si momentos de universalidade, particularidade e singularidade? A meu ver, o universal concreto remete ao universal abstrato e a distinção entre os dois não é muito clara.

Nota #3 [19/11/2012]

Na última reunião do CEII, realizamos a leitura da [complexa] introdução do livro “O mais sublime dos histéricos: Hegel com Lacan” de Zizek. No início, o autor faz uma crítica àqueles que acusam Hegel de palogicismo; ou seja, de acordo com Zizek, aqueles que defendem que Hegel não reconhece a contingência estão equivocados. Todas as tentativas de superar a filosofia hegeliana teriam fracassado. Para realmente compreendermos Hegel e respondermos às críticas, devemos lê-lo com base em Lacan, “isto é, tendo por base a problemática lacaniana da falta no Outro”. Entretanto, o que significa a “falta no Outro”? Se, como parece no texto, Lacan era considerado um anti-hegeliano por muitos lacanianos, como ele pode ser hegeliano precisamente onde não há uma relação explícita entre os dois? Teria o próprio Lacan compreendido Hegel de modo errado, apesar de seguir a lógica hegeliana onde não sabia?

O autor defende que é possível realizar uma releitura de Kant, Marx e Hegel por meio de Lacan, no entanto, a relação entre eles não está exatamente clara. Talvez Marx possa ser entendido diferentemente ao lermos Hegel pela ótica lacaniana, mas e Kant? No final da introdução, Zizek parece apontar a relação de Lacan com Hegel como algo que tornaria clara uma teoria política-ideológica na doutrina lacaniana. Por fim, o que significa o saber absoluto para Hegel?

Nota #2 [19/11/2012]

Tenho a impressão que o recurso zizekiano à Lacan dá-se sob uma perspectiva de restituição da política como espaço de constituição do sujeito – enquanto hipótese. Que, por sua vez, poderia ser operada a partir de uma posição hegeliana, sob a premissa do caráter fundante da política como lugar para o sujeito. Não a partir de uma leitura puramente lacaniana, não-engajada com o projeto do psicanalista. Ao contrário, trata-se de levar Lacan ao limite consequente de sua abordagem.

Nesse sentido, o tripé Identidade/ Diferença/ Indeterminação, extraído de Hegel pelo filósofo esloveno parece ter importância. Imagino que aqui, entre Lacan e Hegel, Zizek opera uma homologia entre o conceito de Outro e indeterminação, pressupondo a distinção entre estes, para pensar qual relação estrutural há entre sujeito e política.

Se bem entendi, nestes termos, há um paradoxo [aparentemente]: um sujeito não substancial e a política como lugar de sentido; que, ao mesmo tempo, em Zizek, não se refere a política como um lugar com sentido para preencher o vazio do sujeito.

Nota #1 [19/11/2012]

Tal como Platão, para a filosofia clássica, Hegel se coloca como um outro contraponto para filósofos que lhe sucederam. Hegel se coloca como um S1 [1] a ser ressignificado o tempo todo por um enxame de S2 que tentam destituí-lo ou mesmo retificá-lo, apagando de sua própria constituição tudo aquilo que é ininteligível, toda sua dimensão de Coisa. É inclusive, nesse próprio sentido, que chegam a acusá-lo de panlogicismo, como se Hegel pretendesse abarcar todo o real como racionalizável, o absoluto como concebível.

Zizek (1991) nos aponta para essa ideia panlogicista como o Real dos críticos de Hegel, isto quer dizer, a construção de algo que não existe, isolando-o da coisa toda, mas de temos que pressupô-lo para que possamos nos contrapor a ele. Torna-se mais fácil agarrar-se a um determinado ponto da teoria, isolando-o de todo o resto, como por exemplo, a forma com que os críticos pós-hegelianos encontraram de entender o que seria o “saber absoluto”, e isso fez com que pulassem em suas tamancas para logo se contrapor e fazer as mais duras acusações. É por isso que Zizek também sublinha que para entendermos do que se trata esse saber absoluto, e já sabemos de antemão, não é o dos críticos, leiamos Hegel com Lacan.

Lacan, num determinado período de sua obra, faz menção a Hegel, mas com um cuidando de um distanciamento em relação ao tocante do saber absoluto. Lacan teve grande parte de seu acesso à leitura de Hegel por Alexandre Kojève, e admitimos que suas primeiras formalizações são iluminadas por este encontro: “o desejo é desejo do outro” é um grande exemplo do que queremos falar. Mas, Zizek, diz que Lacan sempre teve ressalvas para o trato com a leitura de Hegel, por entendê-lo como, no que diz respeito ao saber absoluto, “que ele assimilava ao ideal inacessível de um discurso perfeitamente hegemônico, consumado e fechado em si mesmo” (p.14). Depois, ainda segundo Zizek, Lacan abandona a referência de Hegel, e chega a levar como questão se Lacan não teria se tornado, talvez o mais anti-hegeliano, com  seu conceito de Outro barrado e lógica do não-todo.

Diante de um debate de críticos de Lacan e lacanianos, em que as farpas são trocadas diante de um enquadramento em hegeliano e anti-hegeliano, de acordo com as mais possíveis interpretações dos textos dos autores, Lacan e Hegel, Zizek nos apresenta uma terceira via que diz mais de uma articulação do que um mero encaixe em uma categoria filosófica: diz-nos de um Lacan essencialmente lacaniano sem o saber, pois não é em suas referências mais claras em que estaria o Lacan hegeliano, mas em sua mais íntima articulação de conceitos, e muito pelo contrário, é exatamente onde, num primeiro momento dizemos que ele foge ao hegelianismo com seu conceito de  Outro barrado e lógica do não-todo é que encontramos o mais puro Hegel. Isso porque, se lermos Hegel, a partir do que Lacan postula – a lógica do significante [2] –, é que podemos salvá-lo da crítica panlogicista.

O que faz questão é como a lógica do significante, com sua noção de sutura, faz com que se instaure um furo no dito sistema fechado de Hegel, com seu saber absoluto, e como este poderia conter exatamente este furo para se articular com a teoria lacaniana?

Para, além disso – leitura inédita de Lacan e Hegel –, e com isso, Zizek nos propõe uma revisita a política, de uma maneira a perseguir como o Lacan (hegeliano sem saber) pode nos propor ferramentas para pensar o campo político-ideológico. Como então, seria possível pensar uma política a partir exatamente do que é furado?

 

Notas:

[1] S1 e S2 são letras usadas nos matemas – construção lógica interna da teoria Lacaniana – para articular os conceitos, por exemplo, de discursos, de sujeito. Assim, S1 pode ser lido, grosso modo, como a verdade, aquele que suscita toda uma cadeia, o significante mestre a qual todos os outros significantes – lidos aqui como S2 –  estariam fazendo referência. No caso que faço referência, coloco tanto Platão como Hegel, em pontos de S1, pois todos os outros que viriam depois deles fazem usam-nos como verdade a ser contraposta.

[2] Para isso, Miller (2008)  nos diz: “[a lógica do significante trata-se], em primeiro lugar, da lógica geral, uma vez que a sua operação é formal, e diz respeito a todos os campos do conhecimento, incluindo a da psicanálise, ao que especificamente, rege, por outro lado, a lógica mínima, porque nela se formulam partes mínimas indispensáveis, para assegurar um desenvolvimento que reduza ao movimento linear, ou seja, de tal forma que se engendre uniformemente em cada ponto de seu curso necessário.  Ao chamar-se “lógica do significante”, corrige a parcialidade da concepção, que limitaria sua validade ao campo que surgiu como categoria. De fato, corrigir sua declinação linguística, prepara uma importação que em outros discursos nos será imprescindível, uma vez que tenhamos o essencial dela.” Assim, essa operação de retroação lógica (lógica lógica), a qual consegue se estabelecer o mínimo, mas também peca pela perda de operações/funções, e é nisso mesmo que desenvolve-se o conceito de sutura, para dar conta disso que se perde. Sutura nomeia a relação entre o sujeito e a cadeia do discurso, como o elemento que falta na forma de um representante. Bem, quando falta, está simplesmente ausente. Em geral, a relação entre o que está em falta e a estrutura do elemento que é, na medida em que se trata de uma posição representativa é suturada por extensão.

Fontes:

MILLER, J.A. LA SUTURA. ELEMENTOS DE LA LOGICA DEL SIGNIFICANTE. Con-versiones, Junio 2008. Tradução Nossa. Disponível em < http://www.con-versiones.com/nota0700.htm>

TORRES, Ronaldo. Lacan e Hegel. Psicol. USP,  São Paulo,  v. 15,  n. 1-2, June  2004 .
Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642004000100027&lng=en&nrm=iso>.

ZIZEK, S. (1991). O mais sublime dos histéricos – Hegel com Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Nota #3 [12/11/2012]

De forma breve será feita a seguir uma primeira impressão à cerca da bibliografia utilizada no encontro de 12/11 no Círculo de estudos da idéia e da ideologia.

Hegel & Lacan  

De fato é possível identificar pelo sistema de pensamento proposto por Hegel o contexto histórico do idealismo alemão no pós-Kant. Talvez o que mais surpreenda no sistema Hegeliano ( a ponto de ser chamado de monstro “panlogicista”, por Slavoj Zizek) é a força que é atribuída ao conceito. O conceito em Hegel é tão abstrato e assim Universal que faz com que ele gire em torno de seu próprio eixo, evolui em sua própria esfera, na medida em que ele é em si e para si. Seria o conceito então essa “coisa” que não é carente de si, e tão absoluta?

Ao descrever as correntes pós-hegelianas, o que podemos compreender de Zizek é que de fato o pós-hegelianismo se notificou pelo afastamento ao “panlogicismo” hegeliano, e Lacan é apresentado por Zizek como sendo talvez o grande anti-hegel. Seria isso algum indício de que Lacan teria apresentado o “Outro” conceitual ao conceito hegeliano que é em si e para si, à partir da lógica do significante?

Outro ponto (ou um mero devaneio à cerca do conceito em Hegel)


Falar do conceito como tal, para Hegel, ao que parece é tomá-lo como sendo pertencente ao Universal, mais do que definí-lo como universal é tracejar todas as peculiaridades e singularidades, que embora sejam unidades negativas do conceito, não atentam contra seu principal atributo de ser Universal, mas servem como delimitação de gênero, deste mesmo estabelecendo consigo sua relação com a universalidade (Hegel). Tão logo, o conceito é concreto.

O conceito é concreto. Ele é também, material? É evidente que não, se pensarmos conforme à lógica hegeliana, mas por que Marx teria pensado em uma lógica oposta a de Hegel, tendo pautado suas pesquisas no cerne do materialismo? Teria ele achado no materialismo uma forma de politizar o conceito no sentido de transformação material de um espaço em determinado tempo? Seria a política uma forma de materializar conceitos?

ZIZEK, Slavoj, O mais sublime dos histéricos: Hegel com Lacan 1991, Rio de Janeiro
HEGEL, G.W.F, Enciclopédia das Ciências Filosoficas, em compêndio – Vol. I (Loyola, 2005)

Referências 19/11/2012

Sobre Alfred Sohn-Rethel:

SOHN-RETHEL, A. Trabalho Corporal e Espiritual – disponível em português e em inglês.

ZIZEK, S. Como Marx inventou o sintoma? em Um Mapa da Ideologia (Contraponto, 1994)

-> Texto disponível aqui.

Sobre a história das articulações (diretas) entre Freud e Marx:

JAY, Martin The Dialectical Imagination: A history of the Frankfurt School – 1923-1950 (University of California Press, 1996)

Sobre o “nó borromeano” entre Marx, Freud e Hegel:

ZIZEK, Slavoj For They Know Not What They Do (Verso, 2002)

-> primeiro prefácio

Sobre política da indiferença:

SAFATLE, Vladimir A esquerda que não teme dizer seu nome (Editora Três Estrelas, 2012)

Sobre o particular, o universal e o singular:

HEGEL, G.W.F. Enciclopédia das Ciências Filosoficas, em compêndio – Vol. I (Loyola, 2005)

-> §164-165: disponível aqui

ZUPANCIC, Alenka The Concrete Universal and What Comedy can tell us about it em Lacan, Silent Partners (disponível aqui)

Sobre o evento crístico em Hegel:

HEGEL, G.W.F Fenomenologia do Espírito (Vozes, 2011)

___________Filosofia da história (UNB, 2008)

LEBRUN, Gerárd A Paciência do Conceito(UNESP, 2000)

MALABOU, Catherine The Future of Hegel (Routledge, 2004)

ZIZEK, Slavoj  A Monstrosidade de Cristo (Relógio D’Água, 2008)

_________ Visão em Paralaxe (Boitempo, 2008)

Sobre o (tal) panlogicismo em Hegel:

KOJEVE, Alexandre Introdução a Leitura de Hegel (UERJ, 2002)

LABARRIERE, J-P & JARCZYK, G. De Kojève à Hegel (Albin Michel, 1996)

STEWART, Jon The Hegel Myths and Legends (Northwestern Uni Press, 1996)

ZIZEK, S. Sublime Object of Ideology, 2nd edition (Verso, 2008)

-> novo prefácio “The Idea’s constipation” (disponível aqui)

Gravação da reunião: http://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-19112012

Nota #2 [05/11/2012]

In relation to the limits of identity politics and the hesitance on the intellectual left to join revolutionary Marxist groups, these notes aim to challenge the popular arguments against grassroots anti-capitalist organizing. When I invite self-identified post-modernists or queer theorists to join an organized Marxist group specifically intent on building its influence to pose a challenge to the current global economic order, the usual response is “no”. The reason they offer is that to join a Marxist group is dangerous to the “fluidity” of cultural identity and its manifold nature. They are somehow under the antiquated and misguided assumption that communism in its pursuit for economic equality somehow makes everybody equal in style and personality as well. I have two arguments against this myopic assessment. The first is that capitalism (and not Marxist organizing) homogenizes bodies by standardizing style depictions in the media to funnel consumption into specific trends. Hence, in order to sell shaving equipment, Gillette (a multi billion dollar international corporation), must first sell the image of the hairless man as the standard of beauty. The same applies to all sorts of industries, from toothpaste with whitening to breast augmentation surgeries. In almost every advertisement campaign that we see, evidence of this homogenizing effect is obvious. Thus, it is capitalism that poses the biggest threat against individuality and the fluidness of identity.

Secondly, not only is communism less homogenizing than capitalism but if it is successfully deployed and established it will widen the spectrum itself, thus uncovering cultural identities and styles that are now unfathomable. This will be a result of the vast increase in leisure time under a communist system that will be conducive to more local community organizing and hence, more local formations of identity.

It is within the best interests of the postmodern left to join the fight for an end to capitalism.

Nota #4 [29/10/2012]

In reference to a very specific quote from the essay “How to Begin from the Beginning” by Slavoj Žižek I want to directly challenge the false resistances that are fashionable in today’s “cultural capitalism”. The quote by Brian Massumi provides an urgent precaution against the ways that capitalism attempts to justify itself. “It’s very troubling and confusing, because it seems to me that there’s been a certain kind of convergence between the dynamic of capitalist power and the dynamic of resistance.” We do not need to look further than everyday commercials for examples of this convergence. In Rio de Janeiro, Medical insurance and health care provider Unimed, almost exclusively markets itself by heavily sponsoring Fluminense (one of Brazil’s top soccer teams). According to an article in the shopping segment of O Globo, Unimed “…invests in sports, in culture and the construction of a modern medical center in Barra, to always be on the side of the people of Rio de Janiero”. It is important to mention that Barra is a relatively new, upper-middle class suburb that sprawls along the southern coast just outside of Rio and its design mirrors that of Miami or Los Angeles. Barra’s incompetent public transportation infrastructure makes it very inconvenient for anybody without a car to access and considering the exorbitant car prices in Brazil, one can only be led to assume that Unimed’s new medical center, despite the claims of O Globo’s shopping magazine, does the opposite than stand alongside “the people of Rio de Janeiro” but systematically excludes the vast majority of them.

Thus, it is ever more important to distinguish resistance to capitalism and the false resistances perpetuated by capitalism itself. Capitalism will never solve for poverty and other problems associated with class inequality because class inequality is inherent to its structure.  Simply buying into more eco-friendly, vegetarian / vegan, cultural, or gay friendly markets is not a solution.