Nota #3 [14/09/2012]

No texto livremente traduzido para “Como começar do começo”, Slavoj Zizek afirma a necessidade de romper com o passado e avançar o projeto comunista a partir de sua hipótese inicial, não dos destroços deixados pelo fracassado projeto da União Soviética. Me parece que segundo o autor a empreitada comunista que levou à Revolução de Outubro e à construção do socialismo como realmente existiu na União Soviética teria evidentemente fracassado e, portanto, não deveria servir como base de uma nova empreitada, senão na elucidação dos fracassos do projeto comunista conforme observados em sua real implementação histórica.

 

Embora a ideia de renegar o projeto soviético de socialismo me pareça bastante razoável, é necessário perguntar ao filósofo: onde é o começo? Me parece que Zizek pretende assumir a posição de fundador do novo projeto comunista, mas teria ele a pretensão de dizer que começou do zero? Me parece impossível começar do começo. A história é contínua e o filósofo, o teorizador e o comunista revolucionário estão inseridos na história, recebendo influências incontornáveis de um contexto específico. Sendo assim, como começar do começo? Não seria o suposto começo apenas um esforço retórico do autor para se afirmar como marco zero de um novo projeto comunista? Acredito ser impossível romper com o passado, devemos erguer-nos sobre ele. “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.” (Karl Marx – 18 Brumário de Luis Bonaparte)

Nota #2 [14/09/2012]

Do primeiro contato formal com a reflexão do filósofo Slavoj Zizek [através de nossa leitura em “Cómo volver a empezar… desde el principio”], o que mais ficou pra mim, como não poderia deixar de ser, foi a introdução ao campo teórico no qual o autor se situa. A distinção da produção zizekiana dá-se no interior de uma tradição, de uma aposta, já iniciada entre uma articulação entre psicanálise e marxismo. Estamos cientes que a operação desta articulação se efetiva sob uma guia, por assim dizer, hegeliana.  No entanto, nesta nota, me parece mais adequado objetivar o que apreendi ao ponto de poder, agora, transmitir.

Wilhelm Reich, pode-se dizer, foi o primeiro a arriscar tal associação. Extraindo da “repressão” freudiana uma simetria possível, me parece, com a “alienação” em Marx. Cujo resultado, invariavelmente, dispunha que a liberação daquele conteúdo mais nuclear [e reprimido] do homem, associável, em algum nível, à sua sexualidade, tencionaria de tal modo com a ordem social ao ponto de levar a supressão da alienação. Isto é, há uma associação quase espontânea entre liberação sexual e emancipação que, de algum modo, resultou numa espécie de politização do privado. Ou seja, a politização das disposições sexuais dos indivíduos, determinada nesta sociedade, levaria estes à por em xeque esta. Com níveis maiores de complexidade e maior sofisticação, o teórico frankfurtiano Theodor Adorno seguiu o mesmo itinerário: a proposta de elevar ao político o privado/ o particular.

Trata-se uma lição que, de modo mais ou menos explícito, subjaz na discursividade da esquerda – mesmo aquela mais tradicional, ortodoxa e dogmática. Não há organização de esquerda hoje que, por exemplo, não se ocupe dos problemas do indivíduo [em sua encarnação mais individualizada] – ou, hoje, não a esquerda possível sem se ocupar de problemas “subjetivos” – algo, concordemos ou não com isto hoje, impensável à luz de outras tradições no interior do marxismo. Claro que opera-se algum malabarismo no sentido de pactuar num mesmo sistema explicativo o problema “indivíduo” e o problema “coletivo” que recorre, num geral, a uma totalidade vazia ou, digamos assim, numa noite onde todos os gatos são pardos.

A psicanálise de Zizek, inspirada em Lacan, parece-me inverter algumas suposições contidas na concepção de mundo da esquerda – e na verdade, também, da direita. Por exemplo, que quão mais “liberado sexualmente” um sujeito for, mais emancipado este está ou potencialmente este estará do ponto de político e/ ou ideocultural. Sem estar familiarizado com Lacan, sabemos que a qualidade da “repressão sexual” no capitalismo contemporâneo não se situa mais numa contenção do desejo ou da satisfação – por assim dizer. Mas, ao contrário, a regulação do desejo, nesta sociedade hoje, faz-se sob a prescrição da satisfação deste. Realizando paradoxalmente o dado de que transgredir torna-se, neste esquema, uma regra/ uma necessidade.

Politicamente, se a hipótese do inconsciente, enquanto operação de ocultamento, estiver correta e se oculto for aquilo que é reprimido/ regulado sob a prescrição normativa de um “eterno satisfazer-se”, como a esquerda pode romper com a ordem? Ou seja, se a ruptura/ transgressão, nesta sociedade, for uma expectativa necessária, qual seria a forma de inserção do comunismo enquanto quebra da ordem existente?

Referências 28/09/2012

Sobre a ontologia de Aristóteles:

ARISTÓTELES Metafísica, volume II (Edições Loyola, 2002)

________Organon (Edipro, 2005)
Sobre o caso Emma, de Freud:

FREUD, Sigmund Projeto de uma Psicologia (Imago, 1995)

Sobre o real como impossível:

LACAN, Jacques Seminário XI: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise (Jorge Zahar, 1985)

__________ Seminário XX: Mais, ainda… (Jorge Zahar, 2008)

Sobre a ideia do comunismo hoje:

DEAN, Jodi The Communist Horizon (Verso, 2012)

BOSTEELS, Bruno The Actuality of Communism (Verso, 2010)

Videos da conferência sobre a ideia do comunismo em Nova Iorque – “Communism, a new beginning?”

Crítica de Fausto sobre Zizek e Badiou:

FAUSTO, Ruy A ofensiva teórica do anti-humanismo, disponível: http://www.revistafevereiro.com/pag.php?r=01&t=01

Sobre o conceito de negação determinada em Hegel:

HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito (Vozes, 2011)

LEBRUN, Gerard A Paciência do Conceito (UNESP, 2000)

SAFATLE, Vladimir A Paixão do Negativo (UNESP, 2006)

____________ Linguagem e Negação: sobre as relações entre pragmática e ontologia em Hegel, disponível aqui

____________ Aula 5 sobre a ‘Introdução’ da Fenomenologia do Espírito, disponível aqui

____________Aula 6 sobre a ‘Introdução’ da Fenomenologia do Espírito, disponível aqui

ZIZEK, Slavoj Hegel, O Mais sublime dos Histéricos (Zahar, 1991)

_________ Eles Não Sabem o que Fazem (Zahar, 1992)

Gravação da reunião: não disponível.

 
 

Nota 1# [03/09/2012]

O título “A noite dos proletários” de Jacques Rancière não deve ser lido de forma simbólica. Deve-se pensá-lo literalmente, pois parece que se trata das noites de sono perdido em que alguns proletários se dedicaram à sua emancipação intelectual. A condição do operário de opressão, de privação de liberdade, de obrigação de se exaurir vendendo sua força de trabalho será expressa pelos próprios operários. Alguns terão sucesso econômico, outros morrerão e a maioria continuará no anonimato das massas.

Entretanto, podemos questionar: de que valem essas histórias? Qual é a sua importância para a luta dos oprimidos pela sua liberdade? Talvez a resposta das massas seja suficiente para provar: um desses personagens foi escolhido como representante para comunicar as demandas operárias aos burgueses. Isso não significa somente que este falava melhor que os outros, mas também que os trabalhadores “devem ser tratados como seres a quem seriam devidas várias vidas”.

Rancière pretende investigar o proletário diferentemente dos marxistas anteriores. Se dermos voz àqueles que não estariam destinados a pensar, podemos descobrir algo diferente do que os eruditos pensam.

Nota #1 [14/09/2012]

No último encontro do CEII, iniciou-se a leitura do texto “Como começar do começo” de Slavoj Zizek. Parece-me que Zizek propõe que devemos reiniciar a busca pelo comunismo desde o começo em vez de continuarmos do ponto em que atualmente estamos. Em 1922, a Nova Política Econômica adotada pelos bolcheviques parece representar algo semelhante: após ganhar a guerra civil, os bolcheviques estavam no poder e precisavam enfrentar a crise que havia se instalado, decidindo, então, recomeçar do começo; ou seja, adotar algumas medidas capitalistas para que se pudesse restaurar minimamente a economia e prosseguir com o projeto comunista – embora não se possa dizer que esse projeto foi um sucesso.

Zizek cita o escritor Samuel Beckett para exemplificar: “Tente de novo. Falhe de novo. Falhe melhor”. Lembro-me de Alain Badiou afirmando que estamos muito mais próximos dos problemas dos comunistas no século XIX do que dos problemas do século passado. O processo revolucionário não é gradual, não se pode continuar da última conquista, deve-se retornar ao início e recomeçar o processo novamente. Lênin escreveu em seu texto de 1922 intitulado “Sobre a subida de uma alta montanha” – ao fazer uma analogia da revolução com uma escalada de uma montanha – que não devemos ceder àqueles que dizem que os comunistas estão arruinados, que somos lunáticos que desejam avidamente escalar até o topo; pelo contrário, devemos retornar ao ponto inicial e reiniciar a subida, desta vez faremos melhor ou falharemos melhor se for o caso.

Nota #2 [03/09/2012]

Não sei se parece um exagero, mas me pareceu possível produzir uma associação crítica ao que Marx diz a respeito do “cidadão” em Sobre a Questão Judaica e o que Rancière expõe sobre, digamos, aquilo que uma dada práxis de esquerda formula sobre o “trabalhador” em Comunistas sin Comunismo?. Acredito que em algum nível há um ponto de apoio entre a “abstração burguesa”, por assim dizer, que reconhece no cidadão a síntese/ resultado das qualidades potencialmente emancipatórias do homem e a “abstração de esquerda” quando debruçada sobre o trabalhador.

“Na sua realidade mais imediata, na sociedade burguesa, o homem é um ente profano. Nesta, onde constitui para si mesmo e para outros um indivíduo real, ele é um fenômeno inverídico. No Estado, em contrapartida, no qual o homem equivale a um ente genérico, ele é o membro imaginário de uma soberania fictícia, tendo sido privado de sua vida individual real e preenchido com uma universalidade irreal” [2010, p. 40-41]

Penso que tal descrição a respeito do caráter do “homem no Estado”, isto é, do cidadão, feita por Marx no sentido de apontar sua “soberania fictícia” e sua “universalidade irreal” guarda alguma tradução possível para pensarmos “o homem do Estado comunista”, por assim dizer, em Rancière. Há algo de vazio no “trabalho concreto” em termos emancipatórios à luz da hipótese comunista assumida por Rancière a partir da reflexão de Alain Badiou frente a qualidade histórica que o trabalho assumiu em experiências comunistas.

Assim como cidadão exprime conceitualmente pouco daquilo que chamaríamos de “emancipação”, penso que trabalhador incorre – diante da provocação de Rancière – no mesmo erro ou padece da mesma insuficiência. Quando o marxismo operava de modo negativo diante de categorias “burguesas”, como cidadania, em geral, as opunha através de categorias “socialistas”, como proletário. Acredito que Rancière procura expor que há uma dissociação [ou, no mínimo, houve] nas experiências comunistas entre “trabalhador” e “práticas de emancipação” e que tal distância corresponde a falta de uma ontologia outra – que operasse forças outras que não as presentes na sociedade burguesa, mesmo aquelas que, nesta sociedade, seriam negativas [apresentadas como anticapitalistas]. Digo, não seria, me parece, tarefa de uma sociabilidade comunista fazer uma ode ao trabalho ou ao trabalhador; não seria tarefa do comunismo potencializar a capacidade criativa e produtiva da humanidade porque estas não são negligenciadas pelo capital [ao contrário, na verdade]; se há alguma tensão entre trabalho e capital tal tensão diz respeito a própria estrutura de funcionamento da sociedade burguesa – quem aposta que a contradição é o ponto final do segundo, desconhece que esta é seu ponto de partida.

Penso que ao dizer “un trabajador comunista es um trabajador que afirma su capacidade de hablar y hacer leyes sobre los asuntos comunes em vez limitarse a hacer sólo su trabajo como um obrero ‘útil’” [p.170], Rancière procura estabelecer que a materialização da capacidade criativa e produtiva do homem não pode se submeter à regência de determinados imperativos de realização – como, por exemplo, a “utilidade deste fazer na construção do comunismo”. O primado da utilidade da ação não é particular a uma sociabilidade comunista, ao contrário. Se pensarmos, por exemplo, no caso de teóricos e militantes comunistas como Karl Korsch que tiveram suas obras negligenciadas [e mesmo atacadas] por se ocuparem de problemáticas consideradas pouco úteis ao projeto comunista vemos como o eixo do utilitarismo esvazia a potência de tal projeto e como, por sua vez, a realização deste passa, em certo sentido, por uma forma de sequestro ou privatização da potencialidade do comunista. Parece-me que a “privatização comunista” que Rancière menciona na conferência se refere a afirmação de um modelo de organização social, com sua respectiva distribuição de funções [no caso, não-burguesa], que sequestra a potência de cada um sob uma razão emancipatória. Que se irrealiza dado que, nos termos de Joseph Jacotot, diz Rancière:

“Cualquiera puede emanciparse y emancipar a otras personas, de tal manera que la humanidad toda este formada por indivíduos emancipados. Pero uma sociedade nunca puede emanciparse” [p.169]

Nota #6 [13/08/2012]

Depois de viver a aventura intelectual de ter de ensinar sem explicar, Joseph Jacotot reformulou sua perspectiva sobre a pedagogia e sobre como a intelectualidade interfere na estrutura das relações sociais. Jacotot concluiu que a explicação é o mito da pedagogia, que hierarquiza a sociedade intelectualmente e se fundamenta na assunção da incapacidade do aluno de aprender com sua própria inteligência, sendo necessária a inteligência mediadora do sábio mestre explicador. O autor afirma que essa subordinação da inteligência do aluno à do mestre é uma atividade embrutecedora, que reproduz a desigualdade numa eterna promessa de igualdade futura.

Jacotot opõe o princípio do embrutecimento ao princípio da emancipação. Emancipador é o mestre que, ao retirar sua inteligência do círculo de aprendizado, do qual o aluno pode sair sozinho, deixa a inteligência do aluno entregue à inteligência do livro, a coisa comum a ambos, o laço intelectual igualitário entre mestre e aluno, limitando-se a função de verificação da igualdade das inteligências. Assim, são dissociadas as funções do mestre e a do sábio; sendo a presença do mestre necessária apenas quando a vontade do aluno não é suficientemente forte para colocá-lo e mantê-lo em seu caminho.

Essa experiência pedagógica abre uma ruptura com a lógica das pedagogias, pois não tem como objetivo transmitir os conhecimentos do mestre ao aluno, mas verificar a igualdade entre todas as inteligências. O método é, puramente, o do aluno. Não se busca nele a via rápida, mas a via da liberdade. Isso significa confiar na capacidade intelectual de cada ser humano. Jacotot conclui que, uma vez que não era o saber do mestre que ensinava o aluno, não era necessário ao mestre ser sábio, podendo ser um mestre ignorante: nada impediria um indivíduo de ensinar o que ignorava, pois a função do mestre é garantir a vontade de aprender e verificar a igualdade entre duas inteligências, não transmitir um conhecimento. Sendo assim, Jacotot conclui que “o ato de aprender podia ser reproduzido segundo quatro determinações diversamente combinadas: por um mestre emancipador ou por um mestre embrutecedor; por um mestre sábio ou por um mestre ignorante.” (p.33).

Mestre emancipador é aquele que força o aluno a usar sua própria inteligência. “Para emancipar um ignorante, é preciso e suficiente que sejamos, nós mesmos, emancipados; isso é, conscientes do verdadeiro poder do espírito humano. O ignorante aprenderá sozinho inclusive o que o mestre ignora, se o mestre acredita que ele o pode, e o obriga a atualizar sua capacidade” (p.34). Esse é o círculo da potência, que para começar seu processo de emancipação deve ser começado. No entanto, o sábio questiona sua capacidade de ensinar tão bem aquilo que sabe quanto o que ignora, enquanto o ignorante não se acredita capaz de aprender por si mesmo e ainda menos de instruir um outro ignorante: os excluídos do mundo da inteligência subscrevem, eles próprios, o veredicto de sua exclusão.

O método de aprender que Jacotot propõe é o mais antigo e comum de todos e por isso chama-se Ensino Universal. Não há indivíduo que não tenha aprendido alguma coisa por si mesmo e sem mestre explicador, no entanto, ninguém havia pensado em empregar esse método para instruir o próximo: “jamais ocorreu a alguém dizer ao outro: aprendi muitas coisas sem explicações e creio que, como eu, também o podeis” (p.35).

Esse método implica uma revolução intelectual que a ordem das coisas não está disposta a reconhecer: através desse método, cada um aprende e descobre a medida de sua capacidade. Isso significa que o problema que se apresenta não é a instrução do povo, mas sua emancipação. “Instruem-se os recrutas que se engajam sob sua bandeira, os subalternos que devem poder compreender as ordens, o povo que se quer governar” (p.37). O objetivo emancipatório de Jacotot era que “todo homem do povo pudesse conceber sua dignidade de homem, medir a dimensão de sua capacidade intelectual e decidir quanto a seu uso.” (p.37). A questão sobre como e o quê o povo aprenderá diz respeito aos que querem instruir o povo e parece a Jacotot uma forma de embrutecimento. “Quem ensina sem emancipar, embrutece. E quem emancipa não deve se preocupar com aquilo que o emancipado deve aprender. Ele aprenderá o que quiser, nada, talvez.” (p.37). Bastava, portanto, anunciar ao povo que eles podiam tudo o que pode um homem.

Se de fato esse método é válido, por que então é necessário que ele seja ensinado ao povo? Não seria mais interessante deixar que o homem do povo descobrisse sozinho que é igual a todos os homens? O problema da emancipação, conforme apresentado por Jacotot, me parece uma questão de autoconfiança. Não deveria o homem do povo desenvolver sozinho sua confiança em sua própria capacidade de aprender. Ou melhor, não é isso que faz o homem do povo todos os dias? Uma vez que não lhe é oferecido mestre explicador para nada, tudo que o homem do povo aprende é por conta própria, portanto ensinar o Ensino Universal seria redundante e de certa forma excluiria a própria ideia da emancipação. Será possível emancipar alguém que não a nós mesmos? Uma vez emancipado, um mestre deveria concentrar-se não em reafirmar a capacidade de cada um de seus alunos com palavras, mas em demonstrá-la forçando que o aluno use sua própria inteligência em busca de sua autorrealização.

Referência 14/09/2012

Sobre os comentários de Freud a respeito de Marx:

OLIVEIRA, Claudio Freud, Marx e a Weltanschaaung em 10 x Freud (Azougue, 2005)

Sobre o Freudo-marxismo:

ADORNO, Theodor W. Dialética do Esclarecimento (com Horkheimer, M.) (Zahar, 1985)

_______________ Dialética Negativa (Zahar, 2009)

FROMM, Eric Ter ou Ser? (LTC, 1987)

_________O Conceito Marxista do Homem (Guanabara, 1983)

JAY, Martin The Dialectical Imagination: A history of the Frankfurt School – 1923-1950 (University of California Press, 1996)

KRACAUER, Sigfried O Ornamento da Massa (Cosac Naify, 2009)

MARCUSE, Herbert Eros e Civilização (LTC, 1999)

______________One-Dimensional Man (Routledge, 1991)

REICH, Wilhelm A Revolução Sexual (LTC, 1988)

___________ A Psicologia de Massas do Fascismo (Martins, 2001)
Sobre Freud e Marx:

ALTHUSSER, Louis Aparelhos Ideológicos do Estado (Graal, 2010)

_____________ Freud e Lacan – Marx e Freud (Graal, 2002)

-> ‘Marx e Freud’ disponível em inglês online: http://pt.scribd.com/doc/45660538/Marx-and-Freud

_____________ Writings on Psychoanalysis (Columbia University, 1999)

_____________ Sobre a Reprodução (Vozes, 2008)

_____________ Reading Capital (W.W.Norton, 1998)

_____________For Marx (Verso, 2006)

BADIOU, Alain Pocket Pantheon (W.W. Norton, 2009)

DELEUZE, G. & GUATTARI, F. Anti-Edipo – Capitalismo e Esquizofrenia (Editora 34, 2010)

LACLAU, Ernesto  Política e Ideologia na Teoria Marxista (Paz e Terra, 1979)

____________ Hegemony and Socialist Strategy (com Mouffe, C.)(Verso, 2001)

RANCIERE, Jacques Althusser’s Lesson (Continuum, 2011)

Sobre Zizek:

DEAN, Jodi Zizek’s Politics (CRC Press, 2006)

JOHNSTON, Adrian Zizek’s Ontology (Northwestern Uni, 2008)

VIGHI, Fabio Zizek’s Dialectics (Continuum, 2010)

Sobre a tríade Lacan, Hegel e Marx no trabalho de Zizek:

ZIZEK, Slavoj Hegel, O Mais sublime dos Histéricos (Zahar, 1991)

_________ Eles Não Sabem o que Fazem (Zahar, 1992)

_________ Arriscar o Impossível (Martins, 2006)

_________Visão em Paralaxe (Boitempo, 2008)

_________ Orgãos sem Corpos (Companhia de Freud, 2012)

_________ O Amor Impiedoso (Autentica, 2012)

Gravação da reunião: http://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-14092012

Nota #5 [13/08/2012]

Falaremos nesta nota, de forma muito breve, sobre a Emancipação conforme Ranciere sobre a fala de Joseph Jacotot. Ranciere inicia seu texto, Comunistas sem Comunismo?, nos falando da necessidade de reelaboração de algumas questões, a começar apontando a necessidade de darmos um novo sentido à palavra comunismo. Mas de que forma? Ele inicia a discussao diferenciando o COMUNISMO dos COMUNISTAS. Ranciere, através das palavras de Alain Badiou que aqui reproduzimos, diz que “ A hipótese comunista é a hipótese da emancipação”. Com esta citação Ranciere nos aponta ser o significado da palavra comunista inerente à praticas de emancipação e o do comunismo uma forma de universalidade construída pelas praticas comunistas, logo por praticas emancipatórias.
Nos perguntamos então, o que seria emancipação?  Joseph Jacotot nos auxilia nesta seara ao afirmar que emancipação seria uma forma de sair de uma situação de minoria. Ranciere parte desta afirmação e, de forma muito feliz afirma que emancipação é a apropriação de uma inteligência, desdobrada esta como a inteligência do mestre e a inteligência do ignorante, cuja separaçao encontraríamos unicamente na consciência (no sentido do que é conhecido)  da ignorância do segundo, seguida da verificação do potencial de nivelamento destas inteligências. Em outras palavras Ranciere diz, conforme Jacotot, que a emancipação  significa o comunismo de uma inteligência, expresso pela demonstração da capacidade de aprendizagem dos incapazes.
Neste momento nos deixamos seduzir por esta concepção de a emancipação ser o comunismo de uma inteligência.  Não seria esta uma excelente questão a que deveríamos nos atentar ao pensarmos nas diversas e possíveis formas de viabilizar o pensamento comunista?  De faze-lo  não so ser conhecido como compreendido pela parcela da população onde o comunismo encontra seu primeira êxito? Afinal, comunismo não inclui incluir os que não fazem sequer ideia de sua existencia, por ser intrínseco à própria logica não comunista, o encobrimento de sua existência?

Nota #2 [27/08/2012]

Joseph Jacotot, professor universitário do século XIX, presenciou algo que o faria propor um modo para a emancipação intelectual de todos. Sua aventura intelectual começou quando o então professor precisava inventar um meio para ensinar francês aos seus alunos da Universidade de Louvain, embora eles ignorassem a língua francesa e Jacotot ignorasse o holandês. Uma possível solução foi encontrada: havia uma nova edição bilíngue do Telêmaco, assim os alunos deveriam aprender o francês sozinhos e Jacotot verificaria a eficácia do “método”. O resultado foi surpreendente – os alunos aprenderam francês sem nenhum professor, sabiam escrever frases corretamente, conjugar e declinar e haviam aprendido tudo por si só. Havia-se inventado o Ensino Universal, um meio de emancipação intelectual válido para qualquer um. Descobrira-se que todo homem era virtualmente igual, que possuíam a mesma inteligência e que o método iluminista de ensino não era senão uma forma de reprodução da desigualdade. Um mestre explicador não é necessário para que o aprendiz aprenda, mas sim um mestre com vontade de verificar que o aprendiz se esforçava, utilizava sua inteligência e aprendia. Esse mestre deve ser preferencialmente ignorante para tornar o ensino mais eficaz. Nas palavras de Jacques Rancière: “pode-se ensinar o que se ignora, desde que se emancipe o aluno; isso é, que se force o aluno a usar sua própria inteligência”.

Contudo, algumas perguntas me parecem necessárias: será o mestre [ignorante] realmente necessário? Um indivíduo não poderia emancipar a si próprio sem um mestre? Afinal, Jacotot apenas verificara que seus alunos realmente haviam aprendido francês. Em alguns casos, parece-me que não é necessário mestre algum, os aprendizes podem aprender sozinhos e fazer também o papel do mestre ao verificar se realmente aprenderam; se realmente se emancipavam e faziam uso de sua própria inteligência.