Nota #5 [23/07/2012]

O que é fidelidade?
Seria um atributo, uma qualidade?
Talvez um dom.
Seria um sentimento ou uma escolha?
Segundo Alain Badiou, fidelidade é uma tarefa: a tarefa de agrupar as consequências relacionadas a um evento.
Algo de novo surge no âmbito científico, político, artístico ou amoroso como uma verdade excepcional. Essa exceção transforma os parâmetros da realidade ao criar novas possibilidades, o que constitui seu caráter emancipatório. 
Fidelidade é o compromisso de buscar todas as consequências desse novo que irrompe. É associar o evento novo a todas as transformações emancipatórias que ele provoca na realidade. Esse processo de fidelidade infla e ecoa o evento inicial. A fidelidade é, portanto, a chave do processo de desenvolvimento da ideia e de encadeamento dos eventos.
São necessários eventos que mexam com o consciente e o inconsciente do indivíduo, eventos em que a verdade seja manifesta, para que o indivíduo se torne um sujeito dessa verdade. No entanto, é necessário fidelidade e engajamento para que esse momento se torne um processo. A ideia comunista é todo um processo e não apenas um evento momentâneo de subjetivação. 
Fidelidade é comprometer-se com a sobrevivência de uma ideia emancipatória e transformadora, por meio de um constante questionamento do próprio caráter emancipatório e transformador dessa ideia.

Referências 30/07/2012

Sobre o itinerário das notas do CEII:

Sobre a diferença entre os procedimentos genéricos e suas contra-partes (ex: ciência x tecnologia, política x gerência, etc):

Badiou, Alain São Paulo e a Fundação do Universalismo (Boitempo, 2009)

Sobre a noção de paradigma em Foucault e Thomas Kuhn:

Agamben, Giorgio The Signature of All Things: On Method (Zone Books, 2008)

Sobre a fascinação com a verdade do corpo popular:

Rancière, Jacques A Noite dos Proletários: Arquivo do Sonho Operário. (Companhia das Letras, 1988)

Sobre as patologias contemporâneas e a vergonha:

Badiou, Alain La République de Platon (Fayard, 2012)

– Capítulo específico está disponível aqui, em inglês.

Sobre a diferença entre particular e singular:

Hegel, G.W.F. A Ciência da Lógica (Barcarolla, 2012)

Sobre a pobreza e a sobrevivência:

Turnbull, Colin The Mountain People (Touchstone, 1987)

Agamben, Giorgio Homo Sacer: O poder soberano e a vida nua (UFMG, 2002)

____________Estado de Exceção (Boitempo, 2007)

Gravação da reunião: http://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-30072012

Nota #4 [23/07/2012]

Falemos sobre o encontro de vinte e tres de julho do CEII. Neste encontro percorremos na totalidade o texto A Ideia do Comunismo de  Alain Badiou cujo estudo entao finalizamos. Este fechamento do texto analisando-o na sua totalidade foi extremamente interessante pois, nao so faz-nos olhar para a obra de forma mais homogênea, como ao mesmo tempo e de forma inversa nos enraiza de forma particular em cada um dos conceitos apresentados.

Examinemos com mais acuidade parte especifica do texto, aquela que mais nos chamou atençao. Badiou nos oferece, com imensa generosidade, suas palavras onde expressa que, nas nossas, O QUE IMPORTA É A EXISTÊNCIA DA IDEIA E NAO A SUA VITORIA. E aqui nos referimos à Ideia do comunismo, exatamente como lemos em Badiou. Atentemos para o tamanho da questao que o autor nos coloca, ainda mais se nos recordamos que estamos a menos de 6 meses de eleiçoes no Brasil.

Badiou nos fala de pensarmos o comunismo, estudando-o como pura pratica politica. Seu cerne. Seu porquê.

Nota #3 [23/07/2012]

Nosso encontro do dia 23 de Julho foi dividido em duas etapas. No primeiro momento dedicamos-nos a tecer comentários mais gerais acerca do texto “A ideia do comunismo”, de Alain Badiou que concluímos recentemente, ficando a cargo do segundo momento tecemos certo retrospecto ou balanço teórico metodológico deste nosso primeiro mês enquanto CEII.
No caso desta interlocutora, tratou-se de uma primeira aproximação com este autor, o que é uma lástima, felizmente recuperável. Desse modo, essa retrospectiva passa pelo regate de pontos que nos pareceram mais emblemáticos não só no texto que lemos de forma mais sistemática, mas também de certa aglutinação de diversas fontes, algumas até informais obtidas em conversas de bar ou entrevistas- que nos auxiliam a formular algumas questões bem prematuras ainda, que tentaremos expor aqui.
Assim sendo, para além da genialidade óbvia do autor, salta aos olhos a complexidade diretamente proporcional a esta, contida em sua obra, que para leitores desavisados pode levar a classifica-la como surreal ou abstracionista. Ledo engano, um olhar mais atento revela justamente a concretude de sua teoria. Muito embora permeada por polêmicas, algumas das quais parecemos discordar e muitas das que julgamos não compreender, ao menos ainda.
Neste bojo destacamos a visão de Badiou sobre as “matemáticas”, que para ele constituem uma das, se não a verdadeira ontologia.  Ainda que não tenhamos avançado nesse ponto, já pudemos observar a presença dos números e equações complexas em Badiou, o para nós, não por acaso, constitui o maior desafio nessa viagem pela obra do autor. Ainda que nesse encontro tenhamos aclarado muitas questões por meio “de uma introdução ingênua à questão da cardinalidade” a partir das reflexões de SOUZA PENA, Fernando & MIRANDA, Virgínia (2006) em “A teoria dos conjuntos”.
No que se refere ao Estado-Partido, Badiou aponta muitas limitações.  Por meio de uma análise histórica, o autor recupera o que os sucessores de Trotsky denominavam burocratismo, os anarquistas de estado terrorista e os discípulos de Mao Tsé Tung chamavam de revisionismo. Diante de um paradigma onde no que tange a tomada do poder o partido foi vitorioso, ao passo que no que se refere ao exercício do poder foi um fracasso.  Logo, estamos em um momento no qual é imperativo que estejamos para além da questão do partido como modelo de organização.
Segundo Badiou o que importa nesse momento não é a vitória da ideia comunista, mas garantir sua existência em termos de formulação. Nesse sentido, o sujeito, resultante da incorporação do indivíduo ao processo de verdade, tem prioridade.
Recorremos ainda a Vladimir Safatle, que nos auxilia na compreensão de que “hoje o pensamento é mais prático do que a prática!”. Noutros termos, atualmente o ato está mais próximo do pensamento que da própria ação.
Por suposto, o Comunismo constitui-se como uma tarefa radical e irrecusável em todos os “microespaços” que engendram as relações sociais. De certo, não há como aguardamos “a grande Revolução” para iniciarmos o processo de subjetivação. Portanto, a prática guiada pela ideia deve ser organizada no seio das massas populares. O comunismo é uma urgência política, mas para que seja reconhecido como tal não é suficiente mantermos-nos “fiéis” a hipótese comunista! Há que se fazerem as mediações necessárias diante das particularidades históricas em questão. Somente a organização popular, com auxílio do que para Gramsci seriam os “intelectuais orgânicos”, ou o papel ainda pedagógico dos comunistas ante aos trabalhos de “base” conduzirão a superação da sociedade de classes.
No que se refere ao segundo- mas não menos relevante-momento de nosso encontro, nos propusemos a discutir questões institucionais relativas ao CEII.  Para além de nossas reflexões acerca de nosso dialético conjunto de princípios teórico-metodológicos e questões administrativas, ficou claro para nós que o círculo pode e deve ser nosso objeto de estudo. Articulando nossa dinâmica de trabalho as reflexões de Badiou percebemos o quão o circulo aproxima-se do que constitui  “evento” para o referido filósofo.
Estamos certos de que a jornada ainda encontra-se no início, mas já podemos afirmar que o CEEI somos nós.

Nota #2 [23/07/2012]

No último encontro tivemos o trabalho do dia dividido em dois. Primeiro no ocupamos de Badiou e sua conferência que havia sido finalizada no encontro passado e depois fizemos um balanço deste instante inicial do próprio CEII.

Quanto ao primeiro bloco, serviu-me para retomar a problemática da “situação” e “estado da situação” em Badiou. Penso que a “situação” consiste o instante em que temos a representação de elementos contidos em conjuntos. Conjuntos estes infinitos em que estão contidos como elementos/ coisas aqueles elementos/ coisas diferenciados [singulares]. Um conjunto abarca uma coleção de elementos e coisas que foram representadas em sua particular “anatomia”, por assim dizer. De modo que, por conseguinte, uma situação ao definir-se desta forma apresenta como tal aqueles elementos que existem [por serem contados] e os separa não apenas entre si [em subconjuntos reunidos na especificidade atribuída a cada elemento/ coisa que os conforma como subconjunto], mas também aos que não foram contados. Com isso, tem-se que aquilo que não é contado não existe, pois não foi representado [diferenciado e reunido em subconjunto de elementos singulares] na medida em que não se apresentou à operação. Trata-se de um processo de contagem e verificação [de saber] que não implica necessariamente num processo de verdade.

O “estado da situação” é o processo no qual temos a reorganização daquele contingente de subconjuntos contados no interior de uma situação [que sempre é maior que o conjunto que os absorve dada a infinidade absoluta de elementos/ coisas passíveis de serem contados]. Procura-se estipular a precisão que venha a estruturar de dada maneira o excesso dos subconjuntos existentes no sentido de conectá-los [forçadamente] sempre ao conjunto já representado [retirando do excesso a possível potência ainda não explorada/ não contada dela]. Isto é, temos um procedimento de quantificação duplicada agora centrada na figura do excesso dos subconjuntos contidos nos conjuntos de uma “situação”. Orientado a garantir que naquele excesso em que há “incontável” não se apresente aquilo que não existia anteriormente. Que no interior do excesso de coleção de elementos e coisas de subconjuntos de subconjuntos de um dado conjunto não se apresente algo a ser possivelmente diferenciado [portanto, contado] e, por fim, capaz de gerar um novo processo colapsando o precedente e já dado.

Acredito que na minha última nota tenha tido dificuldade de expor a organização do processo de conformação das operações que apresentam uma “situação” e um “estado da situação”. Entre outras coisas, por não saber me posicionar adequadamente com relação aos dois conceitos e o processo de verdade. Neste momento penso que ambos quando apresentados assim exprimem a não efetivação deste, na medida em que a verdade se define por uma incorporação subjetiva na qual um indivíduo converte-se num sujeito por meio de uma decisão [p.133]. Decisão que, por definição, representa aquilo que antes dela não existia, não era nominável, não estava contado ou contido em qualquer subconjunto dos conjuntos organizados. Dessa forma, se a verdade dimensiona-se também por aquilo que é novo [no sentido de impossível até apresentar-se como existente], por tabela a “situação” e/ ou o “estado da situação” são operações/ procedimentos de verificação, cotejo e administração daquilo que existe [ou daquele que deve existir de determinada e precisa forma].

Do ponto de vista político me parece problemático inserir, então,o Estado [p.138/ 139] num processo de emancipação coletiva [p.132]. Ou, ao menos, inseri-lo em sua representação atual, vigente e existente. Pois me parece que o Estado, dessa forma, expressaria o instante/ operação que descrevemos sob o conceito de “estado da situação”. Na medida em que se trata de uma forma de mapeamento e ordenação daquilo que existe e mais precisamente que não deve existir como tal – para não colpsar o já dado e existente. O procedimento formal que legitima o Estado em nossa sociedade, assim, me parece semelhante, no sentido ontológico, do “estado da situação”, pois se orienta ao possível e de antemão figura o que não é possível: é socialmente possível viver sob o regime da propriedade privada e é impossível viver sem esta; por tabela, procura garantir, por meio de suas próprias operações [jurídicas, ideológicas, políticas, econômicas etc], por exemplo. Se assim o for, acredito que Badiou oferece mais uma provocação ao marxismo através da construção da “hipótese comunista”:

Qual o papel do Estado num processo de transição socialista?

Quanto a nossa discussão, centramo-nos em questões operacionais do encontro, de sua dinâmica e do conteúdo [até então estudado]. Procurando verificar até onde estamos próximos e fiéis ao exposto no projeto do CEII – e até onde assim deveria o ser, em realidade. A discussão sobre a nota de trabalho abriu questões mais abrangentes. Afirmou-se de que estas devem representar o pensamento coletivo do próprio Círculo e para isto impõem dimensões de ordem forma e também de conteúdo: para fins de representação do pensamento coletivo, por exemplo, devemos apresentar o itinerário conceitual por nós estudados [identificando autores, páginas etc daquilo que citamos]; o conteúdo das notas como resultado mínimo do trabalho de cada integrante deveria implicar a universalidade do pensamento do CEII, sob o esforço de conformar um pensamento contínuo e elaborado por meio de pontos de partida partilhados.

Nota #1 [23/07/2012]

Esta nota, diferente das outras que viemos elaborando, se dedicará  a um ponto específico do texto do Alain Badiou que terminamos de trabalhar recentemente.

O ponto específico ao qual nos referimos retoma o momento do texto onde o autor descreve um pouco da incorporação do indivíduo num processo de verdade, ou seja, da formação do Sujeito. Percebemos que, em algumas passagens do texto, Badiou ressalta a capacidade de um indivíduo afetar, sensibilizar, convencer as pessoas ao seu redor sobre uma verdade; ao mesmo tempo, em que destaca o poder da experiência de cada indivíduo dentro de um processo de verdade e, a partir daí, entrar de fato num corpo de verdade. De maneira geral, na descrição dos elementos que caracterizam a operação da Ideia de Comunismo, Badiou se dedica mais à discussão dos processos individuais onde a Ideia opera. Diz ele: “Si una Idea es, para un individuo, la operación subjetiva mediante la cual se proyecta imaginariamente una verdad particular en el movimiento simbólico de una Historia…”.

 

Diante disso, aproveitamos a oportundiade para destacar aspectos que não são tomados como questões para o autor, mas que, para nós, representam grandes problemas sobre os quais avaliamos importante refletir: 1) Além dos processos individuais onde a Idea opera, quais implicações podemos perceber quando esse indivíduo se incorpora a um corpo de verdade que não é composto apenas por ele mesmo? Nesse encontro com outros indivíduos, que são diferentes dele, há algum impasse? Quais impasses, quais constrangimentos podemos perceber na construção do Sujeito, haja visto que ele já se refere a não mais apenas um único indivíduo, mas sim a alguma coletividade?

Referências 23/07/2012

Sobre teoria dos conjuntos e situação na obra de Badiou:

– Introdução ingênua à cardinalidade e nada ingênua ao conceito de ‘estado de situação’

Esquema “Lenin->Badiou”:

Sobre o esquema “Lenin->Badiou”:

Lenin (1998) Que Fazer? em Obras Escolhidas (Alfa-Omega)

Badiou, Alain (2008) A idéia do comunismo em A Hipótese Comunista (Boitempo)

Sobre o conceito de fidelidade e conexão:

Badiou, Alain (1996) O Ser e o Evento (Jorge Zahar)

– sobre a relação entre evento e suas consequências: Meditação 20

– sobre os conceitos de fidelidade, conexão e investigação: Meditação 23

Sobre a fidelidade à questão e ao pensamento:

Safatle, Vladimir (2008) Cinismo e Falência da Crítica (Boitempo)

Uma questão constantemente levantada

Sobre o projeto e funcionamento do CEII:

CEII (2012) Projeto

Gravação da reunião: http://soundcloud.com/gabrieltupinamba/ceii-23072012

Nota #5 [16/07/2012]

Esta nota referente à reunião de dezesseis de julho do CEII.,  já avançando no texto A IDEIA DO COMUNISMO de Alain Badiou, se interessa pela relação endógena apontada pelo autor da Ideia do comunismo com sua pratica e da pratica com seus praticantes.

Badiou nos afirma que a pratica seria compreendida como o real materializando, concretizando o nome, ou a Ideia que o suporta. Este enunciado nos parece extremamente preciso e precioso. O que realmente Badiou nos oferece ao fazer quase que uma sinónima entre a Ideia, e aqui tratamos da Ideia do comunismo, com seu exercício?

Sobre esta relação, Badiou chega a afirmar que a ideia do comunismo  viria em si de sua pratica, da sua experiência no real, embora Ideia e pratica mantivessem suas essências separadas. O autor fala então da verdade em ação.

A este ponto deveríamos nos ater com mais atenção. Vale aqui uma reflexão.
O que estamos fazendo com nossas verdades?
Efetivamente a possuímos ? Ou existe uma grande confusao (que o sistema capitalista chamaria de sobrevivência num cenário de competição democrática ) entre o que acreditamos ser uma Ideia e o que, e onde e porque ela realmente floresce?

Se realmente  possuímos tais verdades, se nossas ideias forem aquelas apontadas por Badiou como iniciadoras de um Evento, ate que ponto elas existem no contexto do quão são exercitadas?

Nota #6 [09/07/2012]

Comunismo como operação, não como conceito

Nesta nota, referente ao encontro de nove de julho, continuamos a estudar Alain Badiou em A Ideia do Comunismo. Sem dúvidas este encontro me coloca mais duvidas do que os outros.

A Ideia assim como a Ideia do Comunismo de Badiou começa a tomar mais corpo e forma. Badiou trabalha o conceito de Ideia como tendo uma ligaçao intrinseca com tres elementos basicos; um procedimento de verdade, um pertencimento à historia e por fim uma subjetivaçao individual.

Mais especificamente em relaçao à Ideia no contexto do Comunismo Badiou afirma ser ela a possibilidade de um individuo compreender que sua participaçao em um processo politico singular (que ele denomina como a entrada no corpo da verdade) é também de certo modo uma decisao historica, pois haveria uma verdadeira associaçao do sujeito ao movimento da Historia.

Badiou afirma que o comunismo nao poderia ser uma mera nomenclatura politica. Este termo denotaria uma sintese entre politica, historia e ideologia. A ideia do comunismo teria lugar exatamente no encontro entre entre um procedimento de subjetivaçao (aquele que ligaria o pertencimento localizado do individuo ao procedimento politico) ao procedimento politico em si.

Ele explica. O comunismo nao se reduziria à simplesmente uma ideia politica porque haveria exatamente uma conecçao entre o individuo cuja subjetivação a ideia comunista suporta e uma outra instância.

Tampouco se equivaleria a somente uma noção historica porque a propria historia seria vazia de simbolismo por si só . E por fim, o conceito de Ideologia nao esgotaria o de Comunismo, ou o da Ideia do Comunismo porque  este nao poderia ser elevado ao status de uma decisão. A palavra comunismo teria assim o status de uma ideia, mas não se confundiria com ela. O correto seria pois entendermos o comunismo como operação, não como um conceito.

Nota #5 [09/07/2012]

Em nosso encontro do dia 09/07/2012, trabalhamos cinco conceitos defendidos por Badiou, cremos que nesse momento seja mais pedagógico, retomá-los por meio de fichamento. Assim relembremos:

“Denomino “Ideia” uma totalização abstrata dos três elementos primitivos: um processo de verdade, um pertencimento histórico e uma subjetivação individual. Podemos dar de imediato uma definição formada Ideia: urna Ideia e a subjetivação de urna relação entre a singularidade um processo de verdade e urna representação da Historia. (p.134).”.

“No caso que nos interessa aqui, diremos que·uma Ideia e a possibilidade do individuo de compreender que sua participação num processo político singular (sua entrada num corpo de verdade) e também, em certo sentido, uma decisão histórica. Com a Ideia, o individuo, enquanto elemento do novo Sujeito realiza seu pertencimento. No movimento da Historia (p.134).”

“Denomino “evento” uma ruptura na disposição normal dos corpos e das linguagens tal como ela existe para uma situação particular (se nos remetemos a 0 ser e 0 evento [1988] ou Manifesto pela filosofia [1989]) ou tal como aparece num mundo particular (se nos remetemos a Logiques des mondes [2006] ou Second manifestepour La philosophie [2009]). 0 que e importante aqui e notar que um evento não e a realizar: ao de uma possibilidade interna a situação ou dependente das leis transcendentais do mundo. Um evento e a criação de novas possibilidades. Situa-se não simplesmente no nível das possibilidades objetivas, mas no nível da possibilidade dos possíveis. 0 que também pode ser dito: em relação à situação ou ao mundo, um evento abre a possibilidade daquilo que, do estrito ponto de vista da composição dessa situação ou da legalidade desse mundo, e propriamente impossível. Se recordarmos que, para Lacan, temos a equação real = impossível, vemos de imediato a dimensão intrinsecamente real do evento. Poderíamos dizer também que um evento e o advindo do real enquanto Possível futuro dele mesmo. (p.138)”

“Denomino “Estado” ou “estado da situação” 0 sistema de imposições que limitam justamente a possibilidade dos possíveis. Poderíamos dizer do mesmo modo que 0 Estado e aquilo que prescreve o que, em dada situação, e o impossível próprio dessa situação, com base na prescrição formal do que e possível!(p.138).”

“Denomino “processo de verdade” ou “verdade” uma organização continua das consequências de um even to numa situação (no mundo). Notamos de imediato que um acaso essencial, o de sua origem eventiva, copertence a toda verdade (p.139).”

“Denomino “fatos” as consequências da existência do Estado. Observamos que a necessidade integral está sempre do lado do Estado. Vemos, portanto, que uma verdade não pode ser composta de puros fatos. A parte não factual de uma verdade depende de sua orientação, e diremos que ela e subjetiva. Também diremos que o “corpo” material de uma verdade, na medida em que e subjetivamente orientado, e um corpo excepcional (p.139).”